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Entretenimento
Sucesso dos flashbacks

Os mestres do flashback

DJs falam sobre os segredos do sucesso do segmento flashback 02/09/2012 às 13:09
Show 1
Amigos mostram algumas preciosidades da Disco Music
Rafael Seixas Manaus

 Existem muitas teorias sobre o nascimento da Disco Music. Alguns dizem que o movimento surgiu no início dos anos 1970, nas discotecas de Chicago, Nova York e Filadélfia.

Outros afirmam que só iniciou depois da abertura do Studio 54 (em NY) e do lançamento do filme “Os embalos de sábado à noite” (1977). No entanto, o importante é que a partir da origem deste movimento surgiu um dos modelos mais rentáveis de festa: o flashback.  O BEM VIVER reuniu “os cinco DJs do flashback” de Manaus para um bate-papo sobre esse tipo de balada que faz sucesso na cidade.

Gloria Gaynor, Village People, Donna Summer, Tina Charles, As Frenéticas, Patrick Hernandez, entre muitos outros artistas – a lista não caberia nesta reportagem – têm suas obras tocadas neste tipo de festa. Mas, qual o motivo do sucesso do flashback e por que o público se renova com facilidade? O DJ e radialista Raidi Rebello, que conta com mais de 34 anos de carreira, opina: “Acredito que seja pela qualidade musical, porque o público não consegue se identificar com a música eletrônica.

Digamos que o jovem deve ter um ‘pouco de cultura’ para conviver com essa música eletrônica. Não é qualquer garoto que vai numa boate e diz: ‘Nossa! Adorei essa música’. Muitos não gostam”, disse o também apresentador do programa “Dance Mix”, da rádio Difusora.

Emoção

 Para Sidney Almada, com 23 anos de atuação como DJ, um fator importante do flashback é que ele mexe com a memória afetiva das pessoas. “São duas coisas que lhe transportam a algum momento: o perfume e a música. Isso transmite uma emoção muito boa. O flashback é tão forte que, se tocar o maior sucesso de todos os tempos (no Brasil) numa festa, o ‘Dancin Days’, do grupo As Frenéticas, funciona, mesmo que seja para zoar”, informou Almada, que também é produtor de eventos e trabalha com engenharia de som.

Prova de fogo

 Uma missão que todo DJ de flashback deve cumprir é aguentar os pedidos, que passam por “I will survive” (Gloria Gaynor) a “Last dance” (Donna Summer). “Os grandes clássicos não podem faltar, como os de Patrick Hernandez, Donna Summer, Gloria Gaynor, Village People. (...) Mal começa a balada e vem alguém pedir algo. Por exemplo, no início do set de 1980, o cara vem e quer uma música dos anos 1990.

Tem clientes que chegam a levar baldes de cerveja para eu tocar a música (risos)”, contou o DJ Renato Rocha, com 26 anos de estrada, que também é residente das festas “Dance Class”, do Toca Music Bar, e “Le Napoleon Classic”, em Rio Branco. “Tina Charles, com ‘I love to love’, e Gloria Gaynor, com ‘I will survive’. Essa é campeã, se não tocar, você não tocou flashback.

Todo DJ sabe disso, por isso ficamos segurando até a metade do evento. Se tocar essas músicas no começo, você vai repetir umas dez vezes”, disse Renier Ramos, ao ser questionado sobre quais canções não podem faltar na pista.

Teste da experiência

E para identificar um DJ experiente de flashback é simples: é só verificar como conduz a pista. “Agora todo mundo é DJ. Você baixa a música da Internet e vai fazer uma festa, mas, se o cara não viveu ou não conhece a época, ele na primeira hora da festa vai queimar todas as músicas que fizeram sucesso”, explicou o DJ Fernando Araújo, com 26 anos de atividades – também é apresentador do programa de rádio “Baú da Mix”, da rádio Mix.

E se você é daqueles que pensam que o flashback logo, logo vai perder o de seu brilho, saiba que os cinco entrevistados dividem a mesma opinião e acreditam que o sucesso deste segmento irá se perpetuar por longos anos.