Publicidade
Entretenimento
Crianças Fofas

Pais devem ficar atentos para excesso de peso entre as crianças

Há tempos ter um filho " fofinho" era motivo de orgulho para a família. Atualmente é preocupante, pois o " cheinho" de hoje tende a ser o obeso de amanhã 01/06/2012 às 10:45
Show 1
A linda Flávia Isadora, de 1 ano e 3 meses, já fez dieta para perder uns quilinhos.
Anna Batista Manaus

A modernidade que implica em diversas variações no nosso dia a dia começa a afetar seriamente a saúde das nossas crianças, que não brincam mais nas ruas, passam horas em casa ingerindo “lanchinhos”, vidradas na TV ou surfando na Internet. A redução de exercícios e a alimentação desregulada pesam, literalmente, na balança dos pequenos. Algumas vezes, porém, a situação tem início na própria gestação.

“Hábitos alimentares saudáveis e a prática de exercícios físicos são cuidados primordiais na prevenção da obesidade infantil”, afirma Ana Paula G. Pinheiro, nutricionista clínica. Afinal, os pequenos não merecerem conviver com uma rotina de dieta.

Preocupados com a saúde da pequena Flávia Isadora, que com um ano chegou a pesar 13 quilos, seus pais, Jeane Rabelo e Flavio Lopes, não pensaram duas vezes antes de procurar ajuda. Com a orientação do pediatra, a técnica em enfermagem Jeane Rabelo passou a adotar uma alimentação mais balanceada com a filha. A pequena já perdeu três quilos em três meses. “Agora a gente já pode ver o pescocinho dela”, brinca a mãe coruja.

. “"Deve-se estimular a criança para que ela aprenda a fazer as melhores escolhas, tanto pela quantidade quanto na qualidade dos alimentos que ela irá consumir”, aconselha a nutricionista Ana Paula. Nesse caso, o papel dos pais na mudança dos hábitos alimentares é importantíssimo. Cabe a eles oferecer aos filhos alimentos adequados, bem como atentar para os horários das refeições, auxiliando no controle e tratamento da obesidade.

 “Eles são fundamentais para a adesão e cumprimento das orientações que são passadas à criança”, afirma a também nutricionista Ana Paola Vidigal, co-autora do livro “Dieta dos Pontos” e diretora da Nutribalance Consultoria Nutricional.

Ação Conjunta

 Para a endocrinologista Daniela Telo, especializada em obesidade pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, além da família, também é preciso haver participação de profissionais e até da escola. “A fórmula mais eficaz de sucesso no envolvimento de todos se faz por uma equipe multidisciplinar, com endocrinologista ou pediatra, nutricionista e psicólogo infantil”, explica.

“A obesidade é um caso em que todas as doenças estão ligadas. Pra evitarmos que em 2020 o Brasil seja um País obeso, temos que atuar na base, prevenindo e combatendo à obesidade infantil, primordialmente”, observa a jornalista e diretora de redação da revista “Saúde”, Lúcia Helena de Oliveira.

Lúcia estará em Manaus, no próximo final de semana, comandando o painel “Para criar um futuro adulto magro” dentro da programação da “Feira Bem Estar Amazônia”, no Manaus Plaza Centro de Convenções. Uma ótima oportunidade de reunir a família num momento de conscientização coletiva.

 Missão possível

 “Sabe-se da influência do ambiente familiar e o papel dos pais na determinação dos hábitos de vida e nas preferências alimentares, determinando muitas vezes o excesso de peso dos filhos”, lembra a médica Ana Paula Pinheiro. Pais, babás ou professores são responsáveis pela missão de fazer com que as crianças comam uma refeição equilibrada.

 Mas o importante não é fazer a criança comer bem de maneira sistemática, mas promover a reeducação alimentar. Nas mãos dos pais estão as principais armas para tirar, ou impedir, que os filhos entrem nas lamentáveis estatísticas da obesidade.

Ajuda dos especialistas

O endocrinologista Alfredo Halpern, conhecido pelo desenvolvimento da Dieta dos Pontos, em parceria com as nutricionistas Mônica Beyruti e Ana Paola Vidigal, lançou um livro totalmente adaptado ao público infantil: “Dieta dos Pontos para crianças e adolescentes” da Editora Abril.

Voltado para o público acima dos sete anos que engorda com facilidade, precisa perder peso e cuidar da saúde, o livro traz tabelas simples, considerando os pontos dos mais variados alimentos, inclusive de lanches da cantina e de redes de fast-food.

 “Os pais são exemplos para as crianças e a obesidade infantil está associada à família, não se restringindo às questões genéticas. Na própria gestação, a mãe já deve começar a se preocupar com isso, porque a criança que nasce muito grande, ou muito pequena, sofrerá no futuro com descontrole do peso. Uma criança obesa será um adulto obeso e sofrerá com isso”, explicou o especialista, médico endocrinologista Alfredo Halpern.

Alfredo Halpern

 Endocrinologista

 “Mães diabéticas costumam gerar filhos muito grandes, enquanto aquelas que têm obsessão por dieta na gravidez dão à luz a bebês pequenos. Tanto peso de mais quanto de menos, ao nascer, estão ligados à obesidade na infância. Nesse último caso, que tem crescido em função do maior número de cesarianas, o corpo da criança entende que precisará acumular mais e mais gordura para sobreviver. Não bastasse isso, já sabemos que gestações tardias e a falta de amamentação também colaboram para o problema”.