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Paixão por quadrinhos reúne artistas em edição especial

Rogério Mascarenhas, o Romahs, ilustrador e cartunista de A CRÍTICA, com 15 anos de profissão, bateu um papo com Leonardo Mancini, o Mancha, e Pedro Campos, o Kbsa, membros do coletivo Pula Pirata, um site amazonense que reúne, principalmente, artistas que produzem histórias em quadrinhos de todo o País 08/07/2012 às 19:02
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Pula Pirata reúne e disponibiliza histórias em quadrinhos de autores de várias partes do Brasil
Mellanie Hasimoto ---

Numa época cujos super-heróis saem das páginas das revistinhas para produções multimilionárias nas telonas, nada mais justo que continuar a série “Encontros” com duas gerações de artistas que dedicam suas vidas às histórias em quadrinhos. Rogério Mascarenhas, o Romahs, ilustrador e cartunista de A CRÍTICA, com 15 anos de profissão, bateu um papo com Leonardo Mancini, o Mancha, e Pedro Campos, o Kbsa, membros do coletivo Pula Pirata, um site amazonense que reúne, principalmente, artistas que produzem histórias em quadrinhos de todo o País.

Super-heróis povoam o imaginário de muitas crianças há décadas, mas foi em meados dos anos 1990 que eles conquistaram alcance de proporções mundiais, com o surgimento de diversas produções hollywoodianas. E foi nessa mesma época que surgiu o Clube de Quadrinheiros, onde Romahs conheceu mais gente apaixonada pela arte que ele sempre acreditou que iria fazer (“Porque nunca tive plano B, era inepto”). Naquele tempo, Kbsa e Mancha ainda eram crianças, tendo contato com os primeiros gibis da Turma da Mônica. “O clube surgiu com a proposta de agregar mais artistas”, lembrou Romahs. Além dele, na época, nomes como Mário Adolfo, Myrria e Jackson já estavam produzindo intensamente.

Vários anos depois, em 2006, o Pula Pirata surgiu com objetivo bem parecido. “O Presto, que é o dono do site, chamou uma galera que curtia quadrinhos para uma reunião. Queríamos fazer uma edição impressa, cada um foi contribuindo com algum trabalho, mas no final vimos que era muito caro. Mas não abandonamos a ideia”, disse Mancha.

Intermediários
Apesar de serem de épocas diferentes, a tecnologia os põe praticamente na mesma situação, de acordo com Romahs. “Acredito que nós sejamos de gerações intermediárias, porque eu vim de uma geração que só desenhava com papel e lápis. Eles já nasceram com o tablet, mas acho que, daqui a algum tempo, ninguém vai mais nem usar lápis”, analisa o cartunista. Mesmo com essa possibilidade, os meninos do Pula Pirata acharam na Internet uma forma de manter a atividade, de forma democrática e dentro do alcance de todos. “Apesar de gostar de quadrinhos ‘físicos’, temos a possibilidade de ler histórias de autores europeus, americanos e de outros lugares, a que, de outra forma, não teríamos acesso”, diz Kbsa. E, ainda que tenha acontecido o boom dos super-heróis, a preferência de Romahs, Mancha e Kbsa ainda é por quadrinhos independentes.

Autoral
Romahs é reconhecido também pelo seu trabalho com a Mauricio de Sousa Produções, e os integrantes do Pula Pirata ganham mais destaque pelos trabalhos multimídia que andam realizando pela cidade. Contudo, poder levar ao público suas próprias histórias e seus próprios traços continua sendo o objetivo primordial. Para Romahs, que trabalhou numa edição especial de um dos gibis da Turma da Mônica premiada no Troféu HQ Mix 2012, e para Mancha e Kbsa, que ao lado de mais 11 amigos tocam o Pula Pirata, o mais importante, na área, é poder comercializar seu trabalho autoral. “Ainda falta ter esse retorno, de vender meu próprio trabalho autoral. Acho que a maior satisfação de um quadrinista é essa”, finalizou Romahs.