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Paralela aos planos oficiais, La Paz se torna destino turístico latino-americano

Metrópole boliviana passou a receber visitantes estrangeiros enquanto atenção do governo estava voltada para outros locais do país 28/02/2018 às 15:46
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Ag. Conversion Manaus

Na última vez que o governo boliviano publicou um plano de fomento ao turismo, em 2012, a maior cidade do país, La Paz, não estava inclusa na lista de lugares assistidos. À época, consideravam-se destinos turísticos o Lago Titicaca, na divisa entre a Bolívia e o Peru, o Salar de Uyuni, perto da fronteira com o Chile, o Parque Madidi, mundialmente famoso após uma reportagem da revista estadunidense National Geographic, e as cidades coloniais de Sucre e de Potosí.

A La Paz cabia apenas o papel de recepcionar os turistas em seu aeroporto - para onde as passagens aéreas normalmente são compradas.

No entanto, nos últimos anos se verificou que, mesmo fora dos planos do governo, a vida paceña chamou a atenção dos visitantes estrangeiros. Dois anos depois da publicação do documento, uma pesquisa feita pelo órgão responsável pelo turismo na Bolívia mostrou que 23% dos turistas de fora chegam ao país interessados em conhecer melhor a metrópole boliviana. Os dados ainda indicam que 17% deles não apenas chegam a La Paz, como planejam desde antes da viagem passar alguns dias na cidade.

Outros dados oficiais apontam que, entre 2005 e 2012, o número de turistas aumentou 90% na Bolívia, passando de 413 mil visitantes no primeiro ano para 791 no segundo. Neste mesmo período, La Paz se colocou como um dos principais pontos de interesse, crescendo 8,1% em número de turistas estrangeiros.

Para o Vice-ministério de Turismo da Bolívia, os números indicam o interesse dos visitantes por algumas características mundialmente famosas da cidade, como a altitude (La Paz está a 3.600 metros do nível do mar) e a proximidade com os Andes, mais especificamente com a montanha Illimani, que pode ser vista de qualquer rua da metrópole.

Percebendo esse interesse, as autoridades bolivianas passaram a tentar posicionar a chamada "Cidade Maravilhosa" como destino turístico mundial: em 2015, foi inaugurada a Agência para o Desenvolvimento Turístico de La Paz, um escritório dedicado a fomentar as várias formas de fazer turismo por suas ruas e prédios.

Um dos objetivos era incentivar o turismo interno, levando mais bolivianos para conhecer a principal metrópole do país. "A meta é duplicar a quantidade de turistas para que a gente veja um efeito na economia", disse o assessor de Planificação Estratégica da agência.

No ano passado, enfim, o Plano Nacional de Turismo elaborado pelo governo colocou La Paz na rota turística do país por suas "diferenças culturais". Em 2016, segundo dados prévios, mais de 800 mil pessoas viajaram a Bolívia, um recorde histórico do qual a metrópole teve participação significativa. No começo do ano passado, premiando essa iniciativa, o catálogo The Rough Guide elegeu a Bolívia como um dos destinos turísticos do ano no mundo todo.

O que fazer?

La Paz possui atrações dentro e fora da cidade: no segundo caso, as principais procuras dos turistas são pela montanha Illimani, nas imediações da metrópole, e pelo Lago Titicaca, na fronteira com o Peru.

Com seus mais de 6 mil metros, a montanha pode ser vista de qualquer ponto da metrópole. Aos seus pés, os turistas costumam visitar vales andinos, rios gelados nas fendas das rochas, bosques de neblina e habitats naturais de animais característicos da região, como uma borboleta que leva o mesmo nome. As viagens são organizadas a partir de La Paz entre junho e agosto, quando as estradas ficam acessíveis para veículos comuns e permitem até chegar ao topo do cume, onde é possível ver até a fronteira da Bolívia com o Peru.

Por sua proximidade com a cidade, a montanha faz parte da cultura paceña: em 2012, o parlamento da província de La Paz a declarou patrimônio estatal. Antes disso, na própria construção da cidade, algumas avenidas foram projetadas para permitir uma visualização perfeita da Illimani no horizonte – parte de um projeto de resgate da montanha como ponto de referência, como era no período pré-colombiano.

Já o Lago Titicaca possui diversos significados históricos, culturais, econômicos e políticos. Reserva de água navegável mais alta do mundo, a 3.800 metros do nível do mar, é um dos principais destinos turísticos do Peru e da Bolívia, com cerca de 60 mil visitantes por ano, além de servir como rota de transporte de mercadorias e preservação de patrimônio humano.

O Titicaca está presente na literatura desde que o continente foi invadido pelos espanhóis, no começo do século XVI. Segundo relatos europeus, as grandes tribos indígenas pré-colombianas se estruturavam ao redor das suas águas, e algumas delas habitavam ilhas naturais ou construídas na superfície do lago. Os Incas, por sua força militar e sua organização política, controlavam boa parte do território.

Uma das provas da superioridade Inca é a chamada Ilha do Sol, na parte boliviana do lago, onde os indígenas acreditavam que a sua divindade suprema havia nascido. Hoje, a região ainda é habitada por índios que vivem da agricultura e do artesanato, dependente do mercado de turistas que chegam em massa ao local. A parte mais alta da ilha fica situada a quase 4 mil metros de altura do nível do mar. Além dela, há outras 14 ilhas e um arquipélago com pequenos terrenos.

Dentro de La Paz, os turistas costumam visitar o teleférico da cidade, um dos mais modernos e altos do mundo e que conecta El Alto, um pequeno município anexo a La Paz, ao centro da metrópole. A viagem toda dura 15 minutos. "Além disso, andar pelas linhas do teleférico oferece as melhores vistas da cidade", escreve a boliviana Maria Rodríguez, que mantém um blog sobre o turismo na cidade.

Outros locais são a região colonial próxima ao palácio do governo e à Plaza Murillo, a principal praça do país, que preserva os casarões da época da conquista e alguns museus temáticos, como o Museo Etnográfico, e o Mercado de las Brujas, onde são vendidas ervas e peças de artesanato andino.

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