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Participação excessiva da família pode prejudicar seu namoro; saiba como lidar

Quando a família participa demais do relacionamento, o casal perde espaço e privacidade 10/05/2012 às 09:23
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Interferência da família deve ser um assunto tratado cuidadosamente pelo casal
Daniel Ribeiro/UOL ---

O bom relacionamento com as famílias é um ponto importante para casais que pretendem viver uma história longa e feliz. Ser bem aceito pelos parentes do parceiro é um ingrediente-chave, que pode evitar muitos problemas. Todo excesso, no entanto, é um problema. Quando a família participa demais do relacionamento, o casal perde espaço e privacidade. A situação é tão frequente que diversos filmes abordam o tema, como "A Sogra", em que Jennifer Lopez vive uma jovem que sofre uma tortura emocional pela mãe do namorado, interpretada por Jane Fonda, e a trilogia "Entrando Numa Fria", em que o ator Ben Stiller sofre com a espionagem do sogro, um agente aposentado da CIA vivido por Robert De Niro.

Nem sempre uma família que interfere demais quer o fim do relacionamento. A psicanalista Sylvia Godoy, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise, explica que muitas questões começam antes mesmo do namoro. “Cada família tem uma expectativa em relação ao parceiro dos filhos. Quando alguém que não corresponde a elas é apresentado, os problemas começam a surgir”, diz a especialista.

É quando os parentes iniciam um processo inconsciente para “consertar” as diferenças do recém-chegado. “A mãe do menino sempre espera que ele arrume uma namorada idealizada e quase sempre se frustra com a escolha”, explica Sylvia. A principal preocupação das mães é que a garota não consiga cuidar do filho do mesmo modo que ela. Os pais de meninas, por outro lado, querem um homem que consiga oferecer o máximo possível à filha e à família que poderão construir, além de ser respeitoso e honesto. “Essas relações são culturais, por isso o momento de apresentar namorados sempre será delicado", diz Sylvia. "Os homens são mais viscerais nesses momentos e não conseguem esconder as desconfianças”.

Para a psicóloga Renata Almiento, muitas pessoas têm medo de magoar a família, por isso aceitam situações inadequadas. “As relações com a família exigem o mesmo respeito e ética que os demais relacionamentos. Isso significa que a pessoa precisa estabelecer limites razoáveis e propor o diálogo sempre que se sentir desconfortável”, afirma. Para ela, muitos problemas podem ser evitados com uma preparação para recepcionar o namorado ou namorada. “Os filhos precisam explicar para os pais quem é o parceiro, de onde ele vem e quais são as principais diferenças culturais”, diz.

Muitas pessoas cometem erros ao imaginar que a família não aprovará o parceiro por alguma diferença, por isso não mencionam o assunto. Quando ela vem à tona, os mal-entendidos se tornam uma bola de neve. “Se a pessoa sabe que os pais têm valores divergentes dos do parceiro, a pior alternativa é tentar ignorar isso”, diz Renata. Quando o casal conversa abertamente sobre essas dificuldades, é mais fácil superar ou conviver com as cobranças e desaprovações. Um outro caminho é procurar terapia e aprender novas maneiras de lidar com essas situações. Abaixo, algumas das situações mais vividas pelos casais.

Família do namorado exige a presença dele

Milena, 32, namorou durante três anos um rapaz oito anos mais novo do que ela. A família dele é grande e muito unida -e ele é o filho caçula. “Eles se reuniam em ocasiões como Dia das Mães, Natal e Páscoa, e exigiam a presença dele. Sempre fui bem recebida, mas ele era indispensável”, diz Milena. O casal não tinha muito tempo livre aos fins de semana e a família cobrava quando o namorado faltava a algum evento. “Tínhamos pelo menos dois fins de semana por mês ocupados com compromissos de família, além dos jantares, churrascos e almoços de domingo”, diz Milena. A psicóloga Renata Almiento afirma que, em casos como esse, o namorado deveria ter conversado com a família. “Costuma ser uma conversa muito mais simples do que as pessoas esperam”.  Muitos pais apenas não percebem que estão exigindo muito dos filhos e de seus parceiros.

A sogra me odeia

A dona de casa Claudia conheceu o atual marido por intermédio de amigos em comum e logo se casou. Já nos primeiros meses de namoro, a sogra não economizava críticas. “Ela não gostava de nada em mim e sempre criticou tudo: do meu cabelo às cores que escolhi para pintar a casa”, conta. Os problemas foram crescendo e, há cinco anos, Claudia decidiu cortar qualquer tipo de relacionamento com a sogra. “Foi uma decisão difícil, mas agora fico tranquila. Cansei de contar as vezes em que ela esperava meu marido no portão para dizer que eu não cuidava da casa e dos meninos”, diz.

Casos como o de Claudia são extremos, mas não impossíveis. A psicanalista Sylvia Godoy diz que as situações de desentendimento entre sogra e nora são as mais habituais e difíceis de solucionar. “A relação mãe e filho é sempre cercada de sentimentos controversos. As mães tendem a achar que a namorada do filho não vai ser boa o suficiente para ele”, diz.  Mesmo que o problema não tenha uma solução definitiva, a relação pode ser melhorada ao longo dos anos com uma convivência respeitosa e ética. O melhor a se fazer nesses casos é manter a diplomacia e não ceder às provocações. “As pessoas percebem quando alguém quer criar problemas, e também sentem quando o outro quer apaziguar a situação”, diz a psicanalista.

O sogro pressiona

Renato namorava há três anos e tinha apenas 20 anos quando o pai da namorada o chamou para uma conversa séria. “Foi horrível, ele me questionou sobre meus planos profissionais, minhas expectativas e disse que não estava vendo muito esforço da minha parte para crescer na vida”, diz. O músico optou por não fazer faculdade e dividia seu tempo entre as aulas de violão, os ensaios de sua banda e os estudos do instrumento. Ele conta que a namorada, hoje sua mulher, nunca enxergou um problema em sua profissão, mas o sogro sempre foi contra. Renato conta que só ganhou o respeito do sogro quando comprou seu carro e fez uma viagem de férias com a namorada. “É muito ruim sentir que a pessoa só me acha bom o bastante se eu tiver dinheiro, carro, bens. Sou muito feliz porque minha mulher não faz questão de nada disso”. Segundo a psicanalista Sylvia Godoy, os problemas dos homens com os sogros costumam ser relacionados ao sustento da casa. Em casos assim, o melhor remédio é mostrar segurança ao enfrentar a fera.

Como discutir a questão

Os problemas de relacionamento e a interferência da família devem ser tratados cuidadosamente pelo casal, mas com o cuidado de não se tornar o principal tema das conversas. Quando um casal consegue conversar sobre qualquer assunto com clareza e naturalidade, os problemas externos são menos sentidos. Ao notar que a implicância de alguém será constante, o melhor caminho é o bom humor. “Em qualquer relação, o bom humor deixa tudo mais leve. Se não podemos enfrentar uma situação, vamos rir com ela”, diz a psicanalista Sylvia Godoy. Para ela, se o casal está seguro de seus sentimentos e consegue se expressar sem dificuldade, não há quem possa ser um obstáculo para essa relação.