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Peça 'A Paixão de Ajuricaba' encerra Festival Tuchaua de Teatro Regional

O espetáculo, escrito por Souza na década de 1970, conta a história de Ajuricaba (Efrain Mourão), “rei dos Manaú e flagelo dos portugueses”, herói da resistência indígena à ocupação lusitana na Amazônia do século 18 29/10/2012 às 08:20
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Cenas de 'A paixão de Ajuricaba' carregam fortes doses de simbolismo, drama e poesia
Rosiel Mendonça Manaus, AM

Após uma série de apresentações na França no início do ano, o espetáculo “A paixão de Ajuricaba” foi reapresentado na capital amazonense na última sexta-feira, dia 26, no palco do Teatro Direcional, encerrando a programação do 2º Festival Tuchaua de Teatro Regional. A montagem da peça, a mesma que foi levada para a França, ficou por conta do Teatro Experimental do Sesc (Tesc) sob a direção de Márcio Souza.

O espetáculo, escrito por Souza na década de 1970, conta a história de Ajuricaba (Efrain Mourão), “rei dos Manaú e flagelo dos portugueses”, herói da resistência indígena à ocupação lusitana na Amazônia do século 18. O líder amazonense reuniu mais de trinta tribos da região do rio Negro contra os invasores lusitanos e lutou durante anos contra a dominação do seu povo.

Os Manaú foram derrotados em 1728 por uma poderosa força militar. Ajuricaba foi preso e quando era transportado para Belém, onde seria vendido como escravo, atirou-se no Rio Negro, em frente ao forte de São José da Barra, que daria origem à cidade de Manaus.

“Ajuricaba é um símbolo forte da liberdade e do amor à terra. O que está acontecendo hoje com os Guarani-Kaiowás é um exemplo de que a história se repete. Mesmo o contexto sendo outro, sempre houve interesse político envolvido na dominação imposta aos índios”, declarou Efrain Mourão, que viveu Ajuricaba pela primeira vez após ter interpretado outros papéis na peça de Márcio Souza.

DRAMÁTICA

A montagem apresentada no Direcional carrega um tom mais dramático em relação às anteriores. Além disso, o espetáculo opta pelo minimalismo tanto no cenário quanto na caracterização dos personagens, que carregam apenas alguns elementos indígenas e portugueses.

No espetáculo, vemos um Ajuricaba filosófico e poético, mas também feroz na defesa dos seus ideais – personalidade que encontrou em Mourão um intérprete à altura. “A paixão de Ajuricaba” é uma verdadeira ode à memória do líder Manaú, um apelo para que as gerações de hoje e de amanhã não deixem a história do herói amazonense cair no esquecimento.