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Pesquisa Ibope aponta que famílias da região Norte preocupam-se mais com filhos na 1ª infância

Pesquisa encomentada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, de São Paulo, mostra maior conscientização das famílias brasileiras quanto à saúde física dos filhos durante a primeira infância, mas a relação afetiva e o incentivo a atividades que proporcionem o desenvolvimento cognitivo das crianças ainda é negligenciado. O norte do país tem números acima da média nacional. 14/09/2012 às 20:21
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Pesquisa 1º Infancia
Bruno Strahm São Paulo

Durante o II Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, realizado na cidade de São Paulo, nos dias 12 e 13 de setembro, a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV), promotora do evento, e o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), mostraram aos participantes uma pesquisa inédita feita entre abril e julho chamada “Primeira Infância”, que demonstra qual a percepção de famílias do Brasil sobre o que é essencial para uma criança durante este importante estágio da vida.

No norte do país, Manaus e Belém estiveram entre as cidades onde as entrevistas para a pesquisa foram realizadas. O norte foi avaliado juntamente com a região centro oeste. O objetivo é identificar percepções e práticas das famílias de todas as classes sociais diante do desafio que é a primeira fase da vida das crianças.

Resultado

Foi descoberto que em todo o Brasil a maior preocupação dos pais é com a saúde física de seus filhos. A mesma preocupação com o estado emocional e o desenvolvimento de laços afetivos e cognitivos dos filhos não tem a mesma importância.

Este aspecto da pesquisa demonstra que ainda falta o esclarecimento necessário aos pais de que estimular a mente das crianças com atividades lúdicas e interatividade na relação pai e filho também faz parte do trabalho de criá-los.

Entre os itens mais interessantes do estudo, o resultado mostrou que 69% dos brasileiros acham que o pré natal é mais importante para um bom desenvolvimento da criança, 48% disseram ser importante a criança receber carinho dos pais e 32% responderam que não fumar e beber durante a gravidez é o melhor para o bebê.

Somente 24% responderam que conversar com o bebê algo essencial, 9% disseram que ter informações confiáveis sobre o desenvolvimento dos filhos é algo indispensável e apenas 7% acham que o estímulo auditivo (música e sons) é algo importante para a criança.


Norte e Centro Oeste

Nas regiões Norte e Centro-Oeste a preocupação com o pré natal é de 71% das famílias, receber carinho dos pais também está com porcentagem maior que a média nacional com 52%, e 24% responderam que não fumar e não beber durante a gestação ser o mais importante para uma gestação saudável.

As necessidades afetivas e cognitivas como prioridade na educação dos filhos também está mais alto que a média nacional, ainda que longe do ideal.

Conversar com o bebê é importante para 30% das famílias, ter informações confiáveis sobre o desenvolvimento da criança é essencial para 12% e que o estímulo auditivo para as crianças é importante para 11% dos pais.

Aspectos positivos e negativos

O neurologista Saul Cypel, consultor técnico do programa da primeira infância da Fundação Cecília Souto Vidigal, disse haver estudos demonstrativos de que aprendizagem das crianças já começa na gestação, e que negligenciar a comunicação com os pequenos é prejudicial para o seu desenvolvimento psicológico futuro.

“Crianças que não são desafiadas tem uma parte da atividade cerebral que não se desenvolve normalmente. Deve-se prestar mais atenção na qualidade desta relação entre os pais e seus filhos pequenos”, afirmou.

Ana Lúcia Lima, diretora do IBOPE, disse que os números demonstram que já há na família brasileira a noção da importância de uma boa saúde para os filhos.

“Vivemos em um país onde a rede pública de saúde é precária e que ainda tem uma taxa de mortalidade infantil longe da ideal. Esta preocupação dos pais com o pré natal não era tão maciça a algumas décadas atrás”, comentou.


Plano

A pesquisa quer servir de base para a elaboração de políticas públicas voltadas para a conscientização dos pais sobre a importância da melhora nas relações com seus filhos e incentivá-los a engajar-se mais em atividades lúdicas com os pequenos, utilizando o conhecimento científico em prol da eficiência dessas políticas.

“Queremos valorizar o desenvolvimento afetivo tanto quanto hoje se valoriza os cuidados físicos. O ponto de partida para que haja esta conscientização é apresentar um plano de ação para os municípios do Brasil. Sempre levando em conta as peculiaridades de cada região e sua cultura”, disse Eduardo Marino, presidente da Fundação.

Para Saul Cypel, é preciso compreender a infância com maior integralidade do que hoje se dispõe o poder público.

“O ideal é que secretarias como a de saúde, educação, assistência social e planejamento tenham uma agenda em comum, pois a mente, o corpo e a escolaridade das crianças são aspectos que caminham juntos para a criação de cidadãos plenos, que possam de fato contribuir para a construção de uma sociedade”, finaliza o neurologista.


*O repórter viajou para a cidade de São Paulo a convite da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal para  a cobertura do II Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância