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Pneumologista tira dúvidas sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

Atingindo pessoas geralmente acima de 40 anos, a DPOC causa falta de ar excessiva, fadiga muscular e insuficiência respiratória, resultando em graves prejuízos à qualidade de vida dos pacientes 10/11/2012 às 12:17
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Só no Brasil, cerca de cinco milhões de pessoas sofrem com a doença, segundo Ministério da Saúde
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Na próxima quarta-feira (14), é o Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), doença debilitante que prejudica a respiração, causada principalmente pelo tabagismo. Atingindo pessoas geralmente acima de 40 anos, a DPOC causa falta de ar excessiva, fadiga muscular e insuficiência respiratória, resultando em graves prejuízos à qualidade de vida dos pacientes. Só no Brasil, cerca de cinco milhões de pessoas sofrem com a doença, segundo Ministério da Saúde.

 Nos últimos dez anos a DPOC foi a 5ª maior causa de internação no Sistema Único de Saúde entre os maiores de 40 anos 2. O número de mortes pela doença vem aumentando no país. Em cinco anos, cresceu 12%, passando de 33.616 em 2005, para 37.592 em 20101. A DPOC pode ser prevenida e tratada, sendo essencial o diagnóstico precoce.

E para falar mais sobre o assunto, o doutor Renato Maciel, médico pneumologista e presidente do Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia de 2012 e coordenador da disciplina de pneumologia e cirurgia torácica da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, esclarece as principais dúvidas sobre a DPOC.  

 O que é a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)? E qual a relação com o tabaco?

Dr. Renato Maciel: A DPOC é uma doença respiratória crônica prevenível e tratável caracterizada pela obstrução do fluxo de ar nas vias aéreas e destruição do tecido pulmonar, dificultando a respiração. O tabagismo é o seu fator de risco mais importante, porém a inalação da fumaça decorrente da utilização do fogão a lenha também pode ser causadora. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a DPOC afeta cerca de 210 milhões de pessoas em todo o mundo e estima-se que será a terceira principal causa de morte em 2020.

 A partir de que idade deve-se preocupar com a DPOC?

Dr. Renato Maciel:Costuma-se achar que a DPOC só afeta pessoas muito idosas, entretanto, ela atinge principalmente pessoas com idade acima de 40anos, podendo inclusive ser identificada em pessoas mais jovens.

 Ao parar de fumar o paciente evita a DPOC?

Dr. Renato Maciel:Parar de fumar é sempre importante e pode evitar o aparecimento da DPOC. Caso já tenha desenvolvido a doença,o abandono do tabagismo e o tratamento correto retardam a progressão da DPOC.

 Quais são os sintomas para os quais as pessoas devem estar atentas?

Dr. Renato Maciel:Os sintomas são ocasionalmente confundidos com o envelhecimento e os mais comuns são falta de ar, tosse e produção de catarro - com ou sem chiado no peito. É preciso atenção quando a falta de ar atrapalha a pessoa a realizar ações que costumava fazer naturalmente e sem cansaço, como subir uma escada ou tomar banho.

Quando e qual médico consultar?

Dr. Renato Maciel:A recomendação é que fumantes e ex-fumantes consultem um pneumologista para avaliação clínica.

Como a doença é diagnosticada?

Dr. Renato Maciel: O diagnóstico é realizado pela história clínica, exame físico e realização da espirometria que utiliza um aparelho no qual a pessoa sopra em um bocal e é avaliada a sua capacidade respiratória (volume e fluxos do ar que sai dos pulmões).

 A DPOC tem cura?

Dr. Renato Maciel:Apesar de não ter cura, a DPOC pode ser prevenida e controlada com medicamentos e intervenções que melhoram a qualidade de vida e retardam a progressão da doença.

Como é feito o tratamento da DPOC?

Dr. Renato Maciel:O primeiro passo é parar de fumar e iniciar atividades físicas diárias. Em paralelo, é indicado o tratamento com broncodilatadores (medicamentos que dilatam os brônquios). Os medicamentos que são utilizados uma vez ao dia e com início de ação mais rápido aumentam a adesão ao tratamento, além de melhorar os sintomasno período de maior dificuldade respiratória que é no início da manhã. Um programa de reabilitação pulmonar com equipe multidisciplinar de fisioterapeutas, pneumologistas, psicologos e nutricionistas auxilia na autonomia do paciente. Em casos mais graves, é indicado o uso de oxigênio.

 Quais podem ser as consequências da doença se não tratada?

Dr. Renato Maciel: Além da limitação física causada pela falta de ar progressiva que pode prejudicar ações cotidianas como caminhar ou subir escadas, são comuns quadros de depressão e ansiedade, que surgem como uma resposta psicológica às limitações da vida diária. Por isso, é importante também realizar atividades prazerosas e procurar acompanhamento profissional.

 Por que é tão difícil parar de fumar? Por que o cigarro vicia?

Dr. Renato Maciel:Parar de fumar é difícil devido à dependência química, psicológica e comportamental. A dependência química diz respeito à nicotina, substância presente no tabaco que age rapidamente no organismo, entre 7 e 9 segundos, e produz alterações no sistema nervoso central. O consumo persistente do cigarro gera um aumento constante da quantidade de receptores de nicotina e faz com que o cérebro tenha uma necessidade cada vez maior da substancia, formando-se um ciclo vicioso. A dependência psicológica, por sua vez, está relacionada ao que o cigarro representa para o tabagista, como símbolo de autonomia e maturidade.

 Quais as principais dicas para parar de fumar?

Dr. Renato Maciel:O primeiro passo é querer e decidir uma data para parar de fumar. O segundo é procurar a ajuda de um pneumologista ou outro especialista médico habilitado pois parar de fumar sem ajuda é difícil. Deve-se mudar alguns hábitos de vida eevitar os gatilhos que são acompanhados pelo desejo de fumar, como tomar café e bebida alcoólica. A ajuda de amigos e familiares é importante, pois o incentivo é um grande aliado. Em relação ao tratamento medicamentoso, é essencial realizá-lo com orientação médica e por pelo menos três meses.