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Portadores do HIV falam sobre preconceito e importância do tratamento da Aids

Pessoas que convivem com a Aids destacam a importância do apoio da família, dos amigos e até da religião durante o tratamento. No Amazonas, atualmente 6.164 pacientes fazem tratamento 02/12/2012 às 15:53
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Emília descobriu que tem o HIV há 12 anos e se engajou contra o preconceito
Carolina Silva Manaus (AM)

Descoberta no início da década de 80, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, a Aids, fez com que, por muito tempo, as pessoas contaminadas se escondessem para morrer. Associada a um castigo de Deus, diversas religiões tardaram e ainda tardam a prestar solidariedade aos que foram contaminados pelo vírus HIV, causador da doença. Esse é o desabafo da presidente do Fórum de ONGs/Aids, Emília Gonçalves, 40, que vive com a Aids há 12 anos e lamenta um tabu que ainda é mantido pela sociedade.

“Ainda existem religiões que pregam para que seus seguidores abandonem o tratamento porque isso não é de Deus. Não existe grupo de risco da Aids. Essa doença não tem cara”, disse.

Emília descobriu ter a doença em 2000. Desde então, se engajou na luta contra a Aids. Para ela, o que se torna mais doloroso é a rejeição. “O maior preconceito que eu tive foi no trabalho. Eu gerenciava um posto de gasolina e fui demitida quando descobriram que eu vivo com Aids. A pior discriminação foi essa”, contou.

Membro do Movimento Cidadãos Positivos do Estado do Amazonas, Emília contou que foi a discriminação que a levou a mostrar a cara e lutar pelos direitos dos soropositivos. “Foi isso que me deu força. Hoje eu sou casada há dois anos com uma pessoa que é soro discordante e que me aceitou do jeito que eu sou. A sociedade não é obrigada a aceitar, mas ela tem que nos respeitar”.

Há 16 anos vivendo com a Aids, Edson Gonçalves, 47, presidente da Rede de Amizade das Pessoas com HIV/Aids, reforça que a grande dificuldade para quem vive com a Aids não é o tratamento da doença, e sim, ser aceito com ela e superar a rejeição.

“Eu descobri que tinha o HIV depois que o meu parceiro adoeceu, em 1996. De lá pra cá, me engajei na luta. Ainda bem que meus familiares até hoje me ajudam e estou firme e forte na luta”, disse.

Para Edson, o preconceito precisa ser derrubado para que as pessoas que vivem com a Aids não abram mão da própria vida. “As pessoas estão abandonando o tratamento por não terem o apoio da família, de amigos e até mesmo da religião que seguem”.

Combate

O Dia Mundial de Luta contra a Aids é celebrado neste sábado e o alerta da campanha deste ano é para o diagnóstico precoce do vírus HIV. No Amazonas, atualmente 6.164 pacientes estão em tratamento contra a Aids. No Brasil são 530 mil pessoas com HIV e 135 mil delas não sabem que têm a doença, segundo o Ministério da Saúde.

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