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Povos indígenas promovem exposição artística na Praça da Saudade, em Manaus

A exposição, que possui caráter de movimento, visa chamar a atenção do poder público para resgatar a antiga feira Puka’a, que acontecia no ano de 2009 na Praça da Saudade e que era um grande vetor da cultura indígena regional 12/12/2017 às 11:45 - Atualizado em 12/12/2017 às 11:48
Show indio
Na feira, serão expostos itens de artesanato, culinária e música indígena (Foto: Winnetou Almeida)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Quem visitar a Praça da Saudade na próxima semana vai se deparar com um verdadeiro caldeirão de cultura indígena. Vários povos de etnias como Tikuna, Baré, Dessana, Apurinã, Baniwa, Mira - entre outras – vão estar comercializando os seus artesanatos e comidas típicas indígenas, além de mostrar ao público suas danças, músicas e rituais tradicionais. A Exposição Indígena Solidária ficará disponível para visitação de 13 a 17 de dezembro, a partir das 17h, e possui um objetivo nobre: preservar a cultura dos povos indígenas.

De acordo com Aguinilson Peres Tikuna, um dos organizadores do evento, houve um diálogo com as etnias que vivem na cidade de Manaus e arredores, e concluiu-se que falta um espaço permanente para a exposição de artesanato, gastronomia, e divulgação dos cantos, músicas e rituais indígenas. A exposição, que possui caráter de movimento, visa chamar a atenção do poder público para resgatar a antiga feira Puka’a, que acontecia no ano de 2009 na Praça da Saudade e que era um grande vetor da cultura indígena regional.

Economia

Ao todo, 200 indígenas participarão indiretamente do evento. Diretamente, 100 pessoas vão estar expondo suas artes – serão duas por barraca. Além dos rituais, artesanatos, danças, músicas, e culinária típica, na feira haverá bebidas e medicinas tradicionais indígenas. “De comida, vamos ter pratos como assado de banana, muquiado – um peixe embrulhado na folha de banana, e quinhapira – cozido de peixe com legumes e pimenta. Para beber, vamos ter caxiri e pajuarus. Também vamos vender remédios naturais que servem para dores de cabeça, corpo e queda de cabelos”, pondera Aguinilson.

A volta da feira Puka’a como um espaço permanente para os indígenas mostrarem suas produções, segundo Aguinilson, alavancariam a economia dos povos. De acordo com ele, o único espaço permanente hoje para a exposição do trabalho indígena situa-se no Bosque da Ciência. “Cada associação (por etnia) expõe lá durante 15 dias. Depois, ficamos um mês sem expor, para voltarmos a expor mais 15 dias. Cada etnia ganha, durante as duas semanas, cerca de R$ 300 a R$ 500, e vive com esse dinheiro por um mês. Na antiga feira Puka’a, cada etnia expunha sua arte diariamente e faturava cerca de R$ 500 a R$ 700 por dia”, coloca Aguinilson.

História da feira

A feira Puka’a foi um projeto aprovado pelo senador Jefferson Peres e que teve o prazo de um ano. Segundo Aguinilson, com o fim da gestão do prefeito Serafim Corrêa, o projeto não foi renovado. “Os povos existem e continuam praticando os artesanatos, rituais e culinárias. Queremos pedir ao prefeito que olhe com olhar empreendedor. A gente não degrada o ambiente e nem a natureza. Só queremos preservar nossa cultura”.

Serviço

o quê: Exposição Indígena Solidária

quando: 13 a 17 de Dezembro, a partir das 17h

onde: Praça da Saudade (Rua Simão Bolívar, Centro)

quanto: Acesso gratuito