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Praça do Congresso: Eterno ponto da cultura e da arte

Artistas relembram das manifestações culturais e dos encontros realizados no logradouro 08/12/2012 às 19:11
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Eventos culturais sem fins lucrativos deverão atender o termo de uso da praça
acritica.com Manaus (AM)

Recentemente reinaugurada, a Praça Antônio Bittencourt, conhecida popularmente como Praça do Congresso, foi palco de importantes manifestações políticas, como do movimento Diretas Já (1983), e espaço de grandes mobilizações artísticas, além de ter sido o ponto de encontro de artistas da música, do teatro e dos quadrinhos amazonenses.

Bosco Leão, vocalista da Chá de Flores, lembra que em 1997, quando retornou de Brasília, conheceu na praça Marcos Terra Nova (da banda Espantalho), Clovis Rodrigues (atualmente da Tucumanus) e Edilson Seta (Olhos Imaculados, integrante da revista “Sirrose”). No local, foram dados os primeiros passos da cena underground que conhecemos atualmente. “Ali sempre foi conhecido como a praça dos roqueiros, éramos mal falados, diziam que só tinha vagabundos. Acabou que em 1998 foi feito o primeiro ‘Dia Mundial do Rock’ (festa), lembro de algumas das bandas que tocaram neste dia”, declarou.

“Eu vendia com o Carcaça (da extinta Platinados) fitas da Chá de Flores e da Platinados. Na praça tinha gente tocando violino, violão. Ali tem história”, complementou, informando ainda que não colocou trechos dos eventos realizados na Praça do Congresso em seu documentário (“O rock que o Brasil não viu”), pois o filme ficaria longo.  A primeira edição do festival Fronteira Norte, segundo Leão, também foi feita no local.

Artes variadas

Mário Orestes, integrante do Clube dos Quadrinheiros, recorda dos vários “Arte na Praça” realizados no local. O evento contava com exposição de desenhos, fanzines, fotografias, pinturas, artesanato, chegando até a ter música ao vivo. “Dava muitas pessoas, chegavam a ocupar até os canteiros. Nessa época, não existia o Largo de São Sebastião (inaugurado no ano de 2004). Após esses eventos, alguns funcionários do governo começaram a frequentar a praça. Eles fizeram um projeto, levando para a SEC (Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas), dando origem ao que vem se chamar de largo de São Sebastião”.

Para Leão, independente do que foi feito na Praça doCongresso, ela sempre será conhecida como “a praça underground dos roqueiros”.

Secretaria vai divulgar manual de uso do local

Alguns dos artistas que frequentavam a Praça do Congresso se mostraram preocupados se irão poder realizar seus eventos culturais sem fins lucrativos no espaço, como era feito antigamente. Esse é o caso de Edilson Seta, um dos editores da revista cultural “Sirrose” e um dos realizadores da tradicional festa Dia Mundial do Rock. “Essa reforma implica proibições do uso público desse local, assim como acontece no Largo de São Sebastião. Isso preocupa muitos artistas que faziam suas atividades artísticas sem fins lucrativos no  logradouro”.

De acordo com Mário Orestes, do Clube dos Quadrinheiros, isso é uma incógnita. “Por ser um lugar público é impossível impedir manifestações públicas, culturais, até porque isso é um direito garantido na Constituição do País. Mas, no Largo de São Sebastião, já presenciei artistas sendo expulsos por puxarem um chapéu após sua apresentação. O governo trata alguns lugares como se fossem privados, só podendo fazer algo se for registrado, cadastrado”.

O secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, explica que todo final de semana haverá ações culturais na Praça do Congresso, assim como nas demais praças de responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). “Se estiverem dentro do manual de uso, esses eventos poderão acontecer, mas é preciso estar de acordo com o manual, para que não tenha depredação da praça”. Os termos do manual serão publicados em breve no site da secretaria (www.culturamazonas.am.gov.br). A praça Antonio Bittencourt conta agora com segurança 24 horas.