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Primeira classe: Pediatra Rossiclei Pinheiro é a entrevistada do BEM VIVER TV desta semana

 Médica, professora, esposa e mãe, Rossiclei Pinheiro é exemplo de mulher que consegue desempenhar com excelência múltiplos papéis 20/07/2015 às 17:32
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A pediatra e neonatologista Rossiclei Pinheiro em seu consultório
Lucy Rodrigues Manaus (AM)

A nossa admiração pelo trabalho da pediatra Rossiclei Pinheiro vem de longa data. Entre episódios marcantes da carreira, lembramos uma reportagem publicada em 2011, quando à época coordenadora da UTI Neonatal da Unimed, Dra. Rossi contribuiu para salvar o menor bebê do Amazonas, uma prematura de cinco meses de gestação e menos de 30% de chance de sobrevivência. A “pequena” vida foi uma entre centenas que, durante esses 27 anos de profissão, ela ajudou não só a trazer, mas a “ficar no mundo”. Esta semana, a pediatra nos recebeu em seu consultório no Vieiralves para falar não apenas do trabalho e dos vários projetos, mas mostrar que além da profissional rara - que diz que “A cada dia sente mais vontade de ser médica” - há a professora, a mãe, a amiga, mulher...que juntas dão ao leitor uma mostra inspiradora de ser humano. Confira na entrevista:

Como iniciou sua trajetória na Medicina?

Sou a única médica da minha família, sempre quis cursar Medicina e fazer Pediatria. Comecei a faculdade em Manaus na Ufam, fui transferida, terminei o curso em São Paulo, a residência médica no Rio de Janeiro e comecei a trabalhar. Depois, retornei para Manaus em 1991 com objetivo de continuar atuando e ser professora na Ufam. Passei no concurso e dentro da universidade consegui fazer um pouco do trabalho que gosto muito e faço até hoje, de puericultura, de cuidados com as crianças, que o Ministério da Saúde orienta que as mães devem receber instruções desde o dia do nascimento sobre primeiros cuidados, alimentação adequada, testes de triagem, vacinas, etc. 

Então sempre esteve muito ligada à educação?

A educação sempre esteve presente em minha vida. Sou médica, pediatra, neonatologista e professora. Na verdade, quando voltei para Manaus queria trabalhar com capacitação. Trabalhei com pós-graduação e fui durante 10 anos supervisora do Programa de Residência Médica em Pediatria da Ufam. Hoje acompanho os alunos de graduação, pós-graduação e sou Membro Titular do Mestrado na universidade. Dentre isso tudo, trabalho há 20 anos no Programa de Reanimação Neonatal que faz parte da Sociedade Brasileira de Pediatria, organização sem fins lucrativos ligada à Academina Americana de Pediatria. No início não tinha nada nesse sentido em nível de Brasil e eu treinei os médicos da Região Norte.

Em que consiste esse programa?

Visa capacitar todos os profissionais que trabalham com assistência ao parto para que eles recebam o bebê de forma adequada caso esse bebê não consiga respirar. Independente de ser médico, enfermeira e até uma parteira tradicional, todos os profissionais que atuam no parto precisam estar preparados para ajudar. O programa existe no mundo inteiro. No Brasil somos 700 profissionais capacitados para treinar e temos uma diretoria executiva de 20 pessoas da qual faço parte. Minha tese de doutorado foi inclusive sobre um programa de reanimação neonatal para parteiras tradicionais que não existe em nenhum outro lugar no mundo. Criamos o projeto e um manual de figuras, que foi aprovado pelo Ministério da Saúde. 

Como consegue conciliar o trabalho com a vida pessoal?

Hoje a gente precisa estar em todos os lugares (risos). A mulher tem papel extremamente importante na família, no ambiente em que ela vive, no trabalho. Acredito que é possível a gente trabalhar e dar conta.

Como a maternidade influenciou na sua profissão?

Sempre tive uma vontade imensa de ser mãe e tenho um parceiro que me acompanhou e apoiou o tempo inteiro [o advogado e empresário Petrônio Pinheiro]. Depois depois 10 anos juntos, a gente decidiu que ia casar e, com o casamento, vieram os filhos [Guilherme e Gabriela]. Tenho 27 anos de formada e 24 anos de mãe, então meu filho veio complementar tudo aquilo que eu havia estudado e que me faltava em termos de experiência. Fiquei um tempo só com ele, acho que a mulher precisa disso. Nesses primeiros dias, meses e até anos em que a criança chega, a gente tem que se adaptar, diminuir o ritmo, mas não pode esquecer o compromisso com aquilo que a gente se propôs em termos profissionais. Daí surgiu, além da Rossi pediatra, a mãe, e continua a Rossi mulher, pois tenho meu marido, minha mãe e amigos que me ajudam, me apóiam e me dão força para continuar.

Jogo Rápido:

Medicina

“Sei que alguns profissionais depois de um certo tempo dizem ‘ah, já está na hora de me aposentar, não quero mais a Medicina, vou ser empresário...’, mas eu não. A cada dia que passa eu quero mais ser médica. Lembro que, quando minha filha era pequena, alguém perguntou para ela: ‘E aí, Gabriela, quando você crescer o que você vai ser?’. Ela disse: ‘Não sei. Só sei que eu quero acordar de manhã, me arrumar e sair toda feliz como a minha mãe sai para trabalhar’”, relata, emocionada.

Família

Casada com o advogado e empresário Petrônio Pinheiro, pai dos dois filhos Guilherme, 24, e Gabriela, 22, Rossiclei diz que busca sempre equilibrar o trabalho com o lazer e a família. “Sempre procuro estar junto com meu marido, minha família e meus amigos. Tenho um grupo de amigas que não são da mesma profissão e que almoça comigo quase todos os dias. Minha filha mora nos Estados Unidos mas sempre nos reunimos e eu os acompanho sempre. Tiramos férias com e sem os filhos. Completamos 25 anos de casados e acho que o casal precisa ter tempo com os filhos, com os amigos e um para o outro”.

Extremamente religiosa, de família católica - foi uma das fundadoras da Juventude Franciscana da Igreja de São Sebastião -pratica a caridade, ajudando a várias instituições, e vai à missa na comunidade do santuário de N.S. da Amazônia, na Ponta Negra. “Acho que Deus nos guia em tudo que fazemos. Tudo acontece na hora certa. Penso que, poxa, se Deus me deu oportunidade de ter bens materiais, por que não posso ajudar outras pessoas?”.

Lazer

“Amo música e cinema. Toda a semana assisto a uma estreia com o meu marido. Elton John é o meu cantor preferido. Acordo todos os dias com a música ‘Good Bye Yellow Brick Road’ no celular e vou para a academia. Um dos sonhos que realizei foi assistir a um show dele com a minha filha, que estuda e mora nos Estados Unidos”.

Beleza

A médica se considera vaidosa, levando sempre em sua necessáire alguns itens que considera indispensáveis, como óculos escuros, pó compacto, batom e escova de cabelo. Entre as marcas preferidas, Chanel, Prada e Yves Saint Laurent. “Eu sou vaidosa e gosto de coisas boas. Acho que trabalho para isso e posso me permitir”.