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Gastronomia sustentável

Projeto leva requinte gastronômico a comunidades no Amazonas

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro (AM), projeto incentiva turismo comunitário e potencializa riquezas naturais das comunidades ribeirinhas do Amazonas 13/09/2012 às 09:42
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Restaurante recebeu curso com chef do aclamado Banzeiro Cozinha Amazônica
Felipe de Paula ---

 A culinária amazônica é, por natureza, uma seleção de iguarias. A alta gastronomia bebe dessa fonte, onde o saber popular confere conhecimento secular à matéria. Nada mais justo, portanto, que a ciência gastronômica, nas figuras dos chefs Adalberto Vieira e Felipe Schandler, este último do aclamado Restaurante Banzeiro, retribuam o legado deixado pelos índios e caboclos da região com um pouco das técnicas elaboradas e toques de requinte a comunidades ribeirinhas do Amazonas.

Trata-se de um projeto de incentivo ao turismo comunitário desenvolvido pela Fudanção Amazonas Sustentável (FAS) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro. Os chefs trocaram experiências com os moradores das comunidades Tumbira e Saracá, que aprenderam novas técnicas e receitas sofisticadas com matérias-primas já conhecidas por eles: os peixes e demais elementos da região.

 “A ideia é tornar as comunidades parte de um roteiro alternativo de turismo, onde se pode realizar uma verdadeira aventura gastronômica no meio da Amazônia”, explica a coordenadora de projetos da FAS, Michelle Costa.

Motivados pelo contato com os chefs, os moradores da comunidade de Sacará, por meio do Programa Bolsa Floresta, coordenado pela FAS, destinaram recursos de incentivo à geração de renda oriundos do programa para a construção de um restaurante às margens do Rio Negro, a uma hora e vinte minutos de barco da Marina do Davi, na Ponta Negra.

 “Essas comunidades já tinham uma grande vocação para a culinária. Por isso escolhemos investir no restaurante. Aqui está o futuro da comunidade”, declara a professora Raimunda Saracá, fundadora da localidade.

Michelle Costa destaca que o restaurante já recebeu a verificação da ONG Rainforest Alliance e caminha para a certificação internacional. “O restaurante também já está no roteiro do site Viaje Sostenible”, completa.

Segundo a gerente do restaurante, Pedrina Brito, além de ter aprendido novas receitas, técnicas e práticas de manipulação de alimentos, o curso mediado pela FAS contagiou toda a comunidade, que tem o restaurante como patrimônio do lugar. “Gerou um crescimento econômico também, pois nós compramos a farinha e o peixe de comunidades próximas”, afirma ela.

Os peixes também também podem ser pescados nas próprias comunidades, garantindo que sejam sempre frescos. E agora, com o nível de qualidade de restaurantes de alto padrão, mas sem perder a simplicidade cabocla.