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Exposição

Projeto 'Móveis Ecológicos da Amazônia' é destaque em exposição

O projeto, criado pelo comerciante Adriano Bezerra, trabalha com móveis e utilitários construídos artesanalmente com tampinhas de lata e arame galvanizado 14/09/2012 às 19:24
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Adriano Bezerra, o fundador do projeto 'Móveis Ecológicos da Amazônia'
Laynna Feitoza Manaus, AM

O projeto ‘Móveis Ecológicos da Amazônia’, voltado para a produção de móveis e utilitários domésticos utilizando arame galvanizado e a superfície de latas de refrigerante, é o destaque da exposição ‘Tecnologia Sustentável’, que ocorre no Espaço de Cidadania Ambiental (ECAM), no piso G3 do Manauara Shopping, localizado na Av. Mário Ypiranga Monteiro, 1000, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul. O projeto está exposto desde o dia 03 de setembro e irá até a próxima sexta (14), no horário comercial do estabelecimento.

O comerciante Adriano Bezerra, fundador do projeto e criador da tecnologia artesanal, oriundos do Estado de Roraima, afirmou que os modelos de utilidade projetados em forma de objetos, como mesas e cadeiras produzidas artesanalmente, são fruto de um planejamento de 15 anos. “O objetivo do projeto é mostrar que é possível produzir sem agredir o meio ambiente”, ressaltou Bezerra.

O material exposto no Manauara Shopping conta com um acervo de 22 peças constituídas de 31.972 tampas de lata e 150 kg de arame galvanizado. De acordo com Bezerra, a nova tecnologia mescla geração de renda e sustentabilidade.

Sensibilizar pela sustentabilidade

“O que pretendo é sensibilizar os governos para fazer dessa tecnologia um programa social, que gere emprego e auxilie o meio ambiente. É funcional, de necessidade pública, barato de ser implantado e a mão-de-obra não precisa ser especializada. É possível montar a linha de produção com apenas 12 pessoas”, assegurou Adriano, dizendo que foram investidos R$ 70 mil no desenvolvimento do projeto.

O inventor

O ‘Móveis Ecológicos da Amazônia’, patenteado pela empresa ‘Cia da Marca’, especializada em registro de patentes, no Rio Grande do Sul, reflete a inventividade de Adriano, que teve o estopim de sua ideia gerado em um posto de gasolina.

 “Trabalhei em um posto de gasolina em São Paulo, e percebi que no ato de abrir a tampa do radiador fervendo as pessoas se machucavam. Com isso, desenvolvi um equipamento que abria a tampa do radiador sem que se machucassem. O dono do posto, que ia me demitir, reconheceu o que eu tinha feito como uma invenção e resolveu me manter na empresa”, lembrou o inventor.

Após o primeiro invento, Adriano criou um modelo de utilidade que reproduzia um lavador de para-brisa, e exibiu em uma feira de invenções em São Paulo, no Parque Ibirapuera, em 1995. Essa exposição despertou em Adriano a possibilidade de criar protótipos de objetos utilizando dois tipos de material.

“Nesse dia, vi um grupo de inventores dizer que o grande barato seria produzir coisas de utilidade, de garrafa pet ou de latinha sem derreter o material (o processo de derretimento consiste no reaproveitamento de resíduos sólidos). A partir daí, comecei a pensar e passei 14 anos refletindo sobre isso.

No ano de 2009 desenvolvi um princípio a partir de um suporte para colocar panela quente sobre a mesa, com 16 tampinhas de lata. Certo dia, dobrei o suporte formando um modelo de entrançados de quadrados e colunas com arame galvanizado e as tampas de lata. E aí criei a teoria, que reflete exatamente o que está exposto hoje”, garantiu Bezerra, contando que levou um ano para desenvolver o processo de produção artesanal, e desde então participa de exposições.

Apoio financeiro

O projeto ‘Móveis Ecológicos da Amazônia’ foi submetido a editais de inovação para receber apoio financeiro. Segundo Adriano, o aporte serviria para a produção de equipamentos que acelerariam o processo de produção. “Para trabalharmos com as tampinhas e o arame, utilizamos alicate de bico e furadeiras. No processo artesanal, o trabalhador fica sentado em um banco com os materiais de produção lapidando as tampas e arames. É claro que seria melhor contarmos com aparelhos específicos”, enfatizou o criador.

Conforme Adriano, o processo de produção dos móveis e utilitários artesanais não possui base específica. “Até mesmo para copiar, se leva alguns meses para desenvolver a técnica”, informou o comerciante, lembrando que oito pessoas integram a linha de produção do projeto na sede, e que cerca de 15 itens são produzidos por dia, totalizando 150 produções no mês. Segundo Bezerra, as cadeiras chegam a sustentar cerca de 300 kg.

Exposições

Bezerra já expôs os móveis artesanais em mostras como o VI Fórum de Responsabilidade Social do Sesi (2010), Feira do Empreendedor do Sebrae (2010), na Assembleia Legislativa, ambos em Boa Vista (RR) e na Feira Internacional do Amazonas (FIAM), no Studio 5. A exposição mais marcante aconteceu na Rio +20, em junho deste ano.

“Levei banners com todos os modelos de móveis e utilitários e expus na Cúpula dos Povos, com apenas um modelo físico do artesanato. Os ambientalistas faziam fila para tirar foto. Ouvi muitos adjetivarem o projeto como ‘inovador’, ‘funcional’, e ‘à frente do nosso tempo’”, comemorou o artesão.

Premiações

O projeto também foi premiado por meio do programa ‘Mais Cultura’, do Microprojetos da Amazônia Legal, subsidiado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), que abrange os Estados da Amazônia. “O edital dispunha de 13 milhões para incentivar a cultura. 2700 concorreram e 970 venceram. O meu projeto foi contemplado”, explicou o inventor. Dentre os apoiadores do ‘Móveis Ecológicos da Amazônia’ estão a própria Funarte, a empresa UTC Engenharia e o deputado Gelson Faria.