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Projeto promove mudanças no hábito alimentar escolar

Sesc realiza um sistema de vigilância nutricional com os alunos anualmente e os incentiva a cuidar de sua própria saúde 17/04/2015 às 15:04
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Escolas do Sesc buscam melhorar a qualidade de vida de seus alunos
Jéssica Amorim Manaus

A atual realidade nutricional do País apresenta uma melhora significativa na quantidade de pessoas desnutridas. Percebe-se um aumento no número de indivíduos na situação contrária: a do excesso de peso, muitas vezes de forma alarmante. E quem mais sofre com isso são as crianças e adolescentes.

De olho nesse cenário, o Sesc realiza, desde 2011, um sistema de vigilância de nutrição através do AvanSesc, que consiste em um programa de avaliação nutricional dos alunos da escola do Sesc, voltado para todos os estudantes de faixa etária entre 3 e 15 anos incompletos, englobando assim alunos do ensino infantil e fundamental. Realizado anualmente em todas as escolas do País, o programa busca chamar atenção para o número de jovens acima do peso.

Na última avaliação, feita entre março e outubro de 2014, os resultados mostraram que a região em estado mais preocupante foi o Nordeste, que apresentou maior excesso de peso, principalmente nos meninos, além de denunciar 5,8% de alunos com obesidade grave.

Segundo Willian Silveira, coordenador nacional do AvanSesc, os dados assustam, mas são esperados. “Nós estamos mudando nosso perfil nutricional mesmo, estamos tendo mais problemas de obesidade do que desnutrição. Esses dados se comparam ao que temos hoje em âmbito nacional, alinhado com o que foi encontrado nas pesquisas do IBGE”, diz. Já sobre o Nordeste ser a região em estado mais grave, o coordenador diz que essa foi a verdadeira surpresa, já que a tendência aponta mais os estados do Sul.

No Norte, a situação não é muito diferente. A pesquisa, realizada com 4.850 alunos das escolas da região, apresentou 3,77% de alunos, entre meninos e meninas, com obesidade grave, apenas dois por cento a menos do que o Nordeste. Além disso, do total 34,82% apresentam excesso de peso, 20,82% sobrepeso e 10,23% obesidade. “Esses resultados são tão alarmantes como em todo o País”, afirma Willian, “o principal nessa história é que temos muito mais casos de obesidade. A magreza acentuada no Norte, por exemplo, não chega a 1%”.

A partir desses dados, o Sesc propôs uma mudança na alimentação escolar de seus alunos através do projeto Cantina Saudável, que foi implementado nas escolas desde 2012 e tem como objetivo estimular uma alimentação mais balanceada e conscientizar pais e estudantes sobre a importância de hábitos que promovem a saúde.

“Antes, nós pensávamos nessa cantina com medidas individualizadas, não como proposta sistemática, toda definida e organizada. Mas depois desses resultados que registramos, todas as escolas do Sesc possuem o protocolo da cantina saudável”, explica Willian.

No Amazonas

Em Manaus, o programa AvanSesc é realizado na escola Sesc Balneário, localizado na avenida Constantinopla. Neste ano, as medições dos alunos para a pesquisa serão iniciadas em maio e segundo Janayne Costa, nutricionista responsável pelo AvanSesc da unidade, serão finalizadas em um mês.

A nutricionista explica que para a pesquisa são feitas as medições de peso e altura de todos os alunos e que os dados coletados são colocados em uma planilha enviada pelo departamento nacional do AvanSesc, que retornam com os resultados para que a escola se responsabilize de repassar aos pais de cada estudante.

“Depois disso chamamos os pais das crianças que apresentaram excesso de peso ou obesidade para conversar. Queremos saber se a criança está passando por algum tipo de problema que possa estar influenciando. Então nós damos uma orientação nutricional para eles, para que se incentive uma alimentação saudável não só na escola, mas também em casa”, diz.

No Sesc Balneário não há ainda o refeitório como espaço físico sugerido pelo departamento nacional, mas a lanchonete e o refeitório para almoço já seguem as instruções do protocolo da Cantina Saudável. “Desde 2012, nós retiramos tudo aquilo que não era considerável saudável da lanchonete. Lá eles só podem vender sucos, salgados assados, sanduíches naturais, bolos saudáveis”, conta Janayne.

Ainda segundo a nutricionista, o projeto tem como finalidade ofertar para a criança uma nutrição balanceada, evitando que ela trague de casa alimentos que não correspondam ao objetivo do projeto. “Como ainda somos uma lanchonete, onde se vende o lanche, elas ainda podem trazer algo”, explica.

Elisangela Cavalcante, coordenadora de nutrição da escola, conta que o refeitório considerado ideal está em processo de licitação, mas que depois de montado será mais fácil controlar esse problema. “Além da mensalidade escolar, os pais pagaram também pelo refeitório. De certa forma isso poderá colaborar com que as crianças não tragam mais alimentos que não são consideráveis saudáveis”, diz.

Além dessas medidas, a escola promove reuniões com os pais e oficinas com os alunos, sempre buscando uma maior consciência sobre a importância de uma alimentação saudável.

Pesquisa local

No ano passado foram analisados 1.020 alunos na escola do Sesc Balneário. Eles foram divididos em dois grupos de acordo com a faixa etária, o primeiro com crianças de 3 a cinco anos, e o segundo com os de 5 a 14 anos. Neste ano serão avaliados 1780 estudantes.