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MÚSICA

Projeto que celebra 90 anos de Tom Jobim será lançado no dia 21 de outubro

O trabalho, em CD e DVD, reúne 10 releituras de músicas de Tom Jobim feitas por novos artistas da música brasileira, como Alice Caymmi e Luiz Pié 15/10/2017 às 19:15 - Atualizado em 16/10/2017 às 07:40
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Safra de jovens cantores que empresta a voz ao projeto (Foto: Leo Aversa/Divulgação)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Antônio Carlos Jobim, um dos maiores expoentes da música popular brasileira no exterior, tinha uma admiração especial pelo sinfonista amazonense Cláudio Santoro, fundador da Orquestra do Teatro Nacional de Brasília e falecido em 1989. “A informação que eu tenho é que ele admirava muito a forma do Cláudio compor. Cláudio era um cara da música erudita geral que tinha uma vontade louca de fazer música popular. Compôs coisas lindas com Vinícius de Moraes, e deu aula para gente famosa”, declara o compositor e arranjador Mário Adnet, com exclusividade ao BEM VIVER TV.

Mário, aliás, classifica Cláudio Santoro como aquele que foi “o maior sinfonista do Brasil”. “Não sei se Tom teve aula com ele, mas o maestro Moacir Santos teve, e tem muita coisa desses professores, desses gênios, que são importantes para a música”, pondera ele, Mário, um exímio pesquisador da obra de Jobim, assina a direção musical do projeto “Paulo Jobim e Mario Adnet – Jobim, Orquestra e Convidados” ao lado de Paulo Jobim, filho de Tom. O trabalho, em CD e DVD, reúne 10 releituras de músicas de Tom Jobim feitas por novos artistas da música brasileira, como Alice Caymmi e Luiz Pié, e será lançado no dia 21 de outubro. O trabalho homenageia os 90 anos que Tom faria em 2017, se estivesse vivo.

Ao todo, 35 músicos, divididos entre os naipes de base, cordas e sopros compõem o projeto. Dez músicas de Tom Jobim integram o repertório do disco. Mário e Paulo convidaram jovens artistas para dar uma nova cara às músicas. “Queríamos gente competente e apta para fazer a música do Tom. Tínhamos esse arranjo de orquestra e queríamos gente para segurar essa ponta”, diz Mário, justificando a escolha dos cantores. “Ouvi falar da Júlia e do Luiz Pié na internet. Descobrimos que o Milton Nascimento apadrinhou os dois, e ele tem essa antena em relação aos jovens talentos. Fomos primeiro escolhendo as pessoas e depois pensando qual seria a música ideal para cada um”, coloca Adnet.

Cada qual

As músicas foram, então, sendo distribuídas aos cantores. “A sugestão do Luiz Pié era fazer ‘Chuva na Roseira’; já Antonia não deixamos escolher e ela ficou com ‘Águas de Março’. Com Alfredo, desde o início tínhamos pensado e trabalhamos juntos na música que ficou com ele. Ele toca um violão bonito de sete cordas. Era uma forma de aproximar ‘Chega de Saudade’ do samba e do choro porque, se você olhar, é um samba-choro-canção. Lógico que é moderno, a bossa nova modernizou”, diz Mário, que, para o projeto, compôs sete arranjos novos, usou quatro do Claus Ogerman e dois do Paulo Jobim.

A música “Chega de Saudade” apresentou um desafio maior em relação às outras músicas, na hora de trabalhá-la para a gravação. “Resolvi fazer uma brincadeira com a forma dela. Ao invés de fazer um ‘intermezzo’ - pequena peça instrumental entre duas cenas ou atos de uma ópera - ela ficou sem isso, vai até o fim. O ‘Boto’ é muito difícil de mudar o arranjo porque ela é centrada num baixo que você tem que seguir. A forma que o Tom Jobim expõe é inteligente e você não tem que interferir no arranjo”, declara Mário.

A ideia, segundo Adnet, é levar o show do projeto para diversos estados brasileiros. “Vocês têm um local incrível aí, que é o Teatro Amazonas, e uma orquestra maravilhosa. A ideia é juntar os intérpretes da região e músicos locais para fazer o projeto por onde passarmos. É uma forma da gente divulgar e injetar a música no sangue de todo mundo”, pontua o compositor, lembrando que a música feita por um amazonense influenciou bastante o homenageado pelo disco. “Tom gostava muito do Cláudio Santoro, que influenciou muito ele”, conta Mário, revelando que o amazonense era igualado a Tom. “Antes de morrer, o Villa Lobos disse que os únicos que teriam condições de segui-lo eram o Tom Jobim e o Cláudio Santoro”.