Publicidade
Entretenimento
Mostra rabiscos carteiras

Rabiscos em carteiras são objeto de Mostra que vai chegar ao Amazonas

Projeto de artista alemão mostra que rabiscar nas carteiras é necessidade humana 09/08/2012 às 07:39
Show 1
O projeto " Deskxistence" , do artista plástico alemão Ottjörg A.C, deve se lançado no próximo ano
Rafael Seixas Manaus

É difícil encontrar alguém que nunca tenha feito um rabisco no braço de sua carteira nos tempos de escola. E isso foi comprovado pelo artista plástico Ottjörg A. C., que viajou vários países do mundo para mostrar o que os estudantes da rede pública e privada – ensino fundamental e médio – expressam em suas carteiras. Agora, o alemão está visitando a região – Manaus e o município de Novo Airão – para encontrar um dos locais onde vai expor o seu projeto, o “Deskxistence”, que terá quatro locações não urbanas: na floresta, no mar, no deserto e ao ar livre – cada espaço terá 25 telas (gravuras impressas em papel e cobertas com um vidro) que reproduzem o conteúdo das carteiras.

 Já é certo que o Amazonas será uma das localidades que receberá uma das instalações da mostra – a ser lançada em 2013. Ottjörg possui mais de 700 imagens de braços de carteiras. Ao todo, ele foi em 60 escolas espalhadas pelo mundo, algumas em cidades como São Paulo, Pelotas – ambas no Brasil –, Havana, New York, Mundingen (Berlim), Mosbach (Alemanha), Viena (Áustria), Beijing, Guangzhou (China), Istambul (Turquia) e Sarajevo (Bósnia).

Resposta

Após montar as instalações, o artista ficará observando o ambiente por cerca de três ou quatro semanas. Ele retornará depois de dois anos ao local onde fez a intervenção para saber o que aconteceu com as obras e dar um retorno do trabalho.

 Mas como isso será possível se as peças vierem a se deteriorar ou forem roubadas? Ele explica: “Se as coisas desaparecerem, elas desapareceram. Isso faz parte do processo. Fiz um trabalho na Europa, num rio, com umas hastes altas, e depois os jovens da região dobraram aquilo para usar como trilho de skate”.

Origem

Segundo Ottjörg, sua motivação no projeto foi a questão do poder do processo de rabiscar. “Escrever na carteira é proibido, mas nem tanto. Aqueles que são da elite têm uma carteira de escola maior, mas também tem o rabisco, a necessidade de quebrar a regra”.

Ainda segundo ele, no processo de levantamento das 700 gravuras foi possível observar que, independentemente do país, da língua que se fala, da cultura, as pessoas escrevem em suas carteiras. “Não existe isso de não rabiscar, por exemplo, ‘no Japão não rabiscam’. Não! Não encontrei isso. Rabiscar é uma coisa humana”.

 Análise

 O alemão conta que notou diferenças no conteúdo das carteiras nos vários países, mas que não busca interpretar os símbolos. “O que é diferente mesmo é que, nas escolas ricas, as mesas são maiores, mas os rabiscos são os mesmos”. No Brasil, ele analisou que os alunos do interior rabiscam menos do que os que moram nos grandes centros.