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Recital romântico na programação do 16º Festival Amazonas de Ópera

Primeiro de três Recitais Bradesco enfoca romantismo alemão em peças de Schumann e Schubert 01/05/2012 às 14:47
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Instrumentistas e cantores líricos dividem o palco com bailarinas num cenário com árvores desnudas e folhas secas no “Recital Bradesco I – Amor de poeta”
JONY CLAY BORGES Manaus

O primeiro dos três Recitais Bradesco que compõem a programação do 16º Festival Amazonas de Ópera (FAO) promete levar o público numa viagem ao universo do romantismo alemão por meio da música, da poesia e da dança. Intitulado “Amor de Poeta (Dichterliebe)”, o espetáculo apresentará composições de Robert Schumann (1810-1856) e de Franz Schubert (1797-1828) nesta terça-feira (1º), às 20h, no Teatro da Instalação. A entrada é gratuita.

A principal atração do programa do recital é o “Dichterliebe”, célebre ciclo de 16 canções composto por Schumann com base nos poemas de “Lyrisches Intermezzo”, de seu conterrâneo Heinrich Heine (1797-1856). O repertório se completa com três canções de Schubert, que serão entremeadas entre as criações de Schumann: “Der Hirt auf dem Felsen”, “Nacht und Traüme” e “Gretchen am Spinnrade”.

As canções de Schumann serão interpretadas pelo tenor Flávio Leite e pelo barítono Homero Velho, enquanto as peças de Schubert ficarão a cargo da soprano Isabelle Sabrié, com acompanhamento de Vadim Ivanov, no clarinete, e Marcelo de Jesus, ao piano.

O repertório, segundo De Jesus, também diretor artístico adjunto do FAO, reúne uma amostra peculiar da produção romântica alemã. “O ‘Dichterliebe’ é uma das obras mais representativas do Romantismo propriamente dito. E, entre as canções do Schumann, vamos colocar as de Schubert, que é o grande representante da música romântica alemã”, diz.

O “Recital Bradesco I – Amor de poeta” terá como novidade uma concepção cênica, assinada por William Pereira, que traz à tona temas, sensações e sentimentos típicos do Romantismo germânico. “Queríamos uma narrativa, uma visualidade para fugir do formato de um simples recital, e dar um jogo cênico ao espetáculo”, explica o diretor. “É um ‘recital encenado’, que traz a síntese do romantismo alemão”.

Seguindo essa proposta, a direção cênica de Pereira investiu em projeções de imagens e trechos de poesias, e pequenos cenários, com árvores desnudas e folhas secas. Já os cantores líricos protagonizam encenações ao lado das bailarinas Vanessa Viana e Helen Rojas, da Companhia de Dança do Amazonas (CDA). “Os homens são a personagem do poeta, e Isabelle e as duas bailarinas são suas musas”, explica.

Cada bailarina assume personas diversas, com uma delas encarnando a sílfide tradicional do balé, e outra uma versão mais contemporânea, em estilo dark e usando coturno em vez de pontas. “O desafio das duas é manter a delicadeza de uma sílfide, e passar a emoção que o concerto pede”, antecipa Monique Andrade, diretora da CDA e responsável pela coreografia.

O recital, por fim, promete fazer a plateia mergulhar no universo do Romantismo germânico. “Não há uma narrativa com começo, meio e fim, mas são sensações, o que dá um resultado mais interessante”, afirma Pereira. “E é uma música linda, um universo romântico extremo, e estamos brincando com as sugestões que ele oferece”.

O próximo Recital Bradesco do 16º FAO será no dia 8, enfocando a Música Latina de nomes como o argentino Alberto Ginastera ou os brasileiros Heitor Villa-Lobos e Edmundo Villani-Côrtes, entre outros. O espetáculo também será apresentado no Teatro da Instalação