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Renomado baixista norte-americano se apresenta no Festival Amazonas Jazz

Não será a primeira visita de Carter ao Brasil: ele esteve aqui pela primeira vez em 1986, e guarda lembranças de um país “pacífico, com boa música e comida maravilhosa, onde todos tocam violão” 25/07/2012 às 08:11
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Festival traz ícone do jazz a Manaus
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

Ron Carter é dono de um currículo sem precedentes: com mais de 2,5 mil álbuns na bagagem, ele já tocou ao lado de muitos dos grandes nomes do cenário jazzístico mundial, de Stan Getz a Miles Davis, de Tom Jobim a Astrud Gilberto. O público local poderá conhecer de perto o talento do baixista norte-americano no sábado, quando ele toca com seu quarteto no Teatro Amazonas, dentro da programação do 7º Festival Amazonas Jazz (FAJ).

“Minha expectativa com o show é fazer boa música”, declarou o baixista à reportagem, falando por telefone de Nova York. “Também estou interessado em conhecer os músicos de Manaus e ouvi-los tocar”.

‘Todos tocam violão’

Não será a primeira visita de Carter ao Brasil: ele esteve aqui pela primeira vez em 1986, e guarda lembranças de um país “pacífico, com boa música e comida maravilhosa, onde todos tocam violão”. Sua relação com o País se estende ao terreno musical: ele já gravou ao lado de gente  como Hermeto Pascoal, Rosa Passos e Eumir Deodato – outra atração do 7º FAJ.

“Conheci Eumir há uns 20 anos”, ele lembra. “Meu acesso à música brasileira hoje é limitado, e dizer qualquer coisa a respeito soaria bobo, mas eu a considero muito rica, e me faz lembrar das músicas do jazz bebop”, afirma ele. O baixista vê ainda com bons olhos o crescimento da cena jazzística brasileira, com o surgimento e a consolidação de festivais como o FAJ. “É importante que o público tenha acesso à música de que gosta”.

Além dos brasileiros, Carter já tocou com a maioria dos ícones do jazz internacional – seria mais fácil listar os nomes com quem o músico não tocou. “Admiro a todos, e não citaria um ou dois de que gosto mais porque os outros ficariam loucos!”, brinca ele. “Trabalhar com eles é sempre uma boa experiência, e um profundo comprometimento meu e deles com a música”.

Estúdio e viagens

A forte presença de Carter no cenário jazzístico pode ser inferida de sua vasta discografia – que inclui obras autorais e participações em álbuns de outros artistas. A certa altura, conta o baixista, ele vivia mais dentro dos estúdios que fora deles, mas hoje dedica mais tempo a tocar com sua banda. “Toco com minha big band no Jazz Standard, aqui em Nova York, e tenho viajado aqui e ali. Acabei de voltar de uma turnê com o trio pela França, Alemanha e outros países”.

No meio tempo, Carter também se dedica a ensinar música, sua segunda paixão há 20 anos. “Quando tive filhos, comecei a ensinar música a eles. Resolvi ensinar os jovens a tocar melhor o contrabaixo”, conta ele, que hoje leciona 20 horas semanais na Juilliard School.

Novas gerações

Carter admira o entusiasmo dos músicos de jazz da nova geração, mas tem ressalvas à produção musical da atualidade. “Vejo que eles têm muito entusiasmo e bons noções de harmonia, mas sinto falta de mais melodia – ou menos ritmo na melodia, pois fica difícil ouvi-la quando se coloca muito peso no ritmo”. O baixista também dá conselhos simples aos novos músicos que querem seguir carreira no jazz: “Procure um bom professor, estude piano para adquirir harmonia, faça um curso de composição e pratique ao máximo, sempre que puder”.

Ron Carter

Nascido em 1937, em Ferndale, Michigan, tem mais de 2,5 mil álbuns em seu currículo, sendo um dos baixistas com maior número de gravações na história do jazz. Também é reconhecido como talentoso violoncelista, e também se dedica à música erudita. Entre outros, já trabalhou ao lado de Sonny Rollins, Paul Simon, B.B. King, Tom Jobim, The Kronos Quartet, Stan Getz e Miles Davis.