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Rock em Debate: cena roqueira de ontem e hoje

Ex-integrante da Blue Birds, Jander Fonseca, e músico da Antiga Roll, Diego Yamane, falam sobre a cena roqueira de ontem e de hoje. Eles acreditam no futuro do cenário. 04/08/2012 às 19:09
Show 1
Jander Fonseca e Diego Yamane acreditam no futuro do cenário
Rafael Seixas / AC Manaus

A batida 4 por 4 presente no rock ‘n’ roll conquistou muitos adeptos pelo planeta. Há estudos que afirmam que este é o gênero musical mais escutado no mundo ocidental. Na edição de hoje, a série “Encontros” propõe um debate em torno deste estilo, da cena local, das dificuldades, das mudanças, entre outros, tendo como personagens dois vocalistas: Jander Fonseca, ex-integrante da banda Blue Birds, sucesso nos bailes da cidade nos anos 1970, e Diego Yamane, da Antiga Roll, formada em 2006 e famosa na cena autoral da cidade.

Fonseca, que é funcionário público, falou das dificuldades que enfrentava no seu tempo. “Queríamos tocar, não tínhamos preocupação profissional, de ser estrelas. A gente só queria tocar, cantar e viver aquilo. Agora, nem que sonhássemos com isso (projeção nacional), nós morávamos num mundo diferente, como a gente ia atingir o Rio de Janeiro e São Paulo? Gravar? Pelo amor de Deus! Isso não existia. Hoje em dia todo mundo grava, até, me desculpem, muitas pessoas que não têm condições”, disse Fonseca, que se apresenta anualmente na banda Os Originais – que conta com ex-membros da Blue Birds.

Divulgação

Apesar de conhecido em Manaus na década de 1970, tocando em bailes de todos os tipos, como no Ideal Clube, Bancrevea, Rio Negro, Cheik Clube, o artista explica que era difícil ter a divulgação que se tem atualmente. “Nós implorávamos para fazer alguém fazer uma matéria com a gente. Naquele tempo, com o colunismo social, quando saía uma nota falando que tocamos no casamento de Fulana de Tal, comemorávamos. Tínhamos sorte quando saía uma foto do evento e a gente aparecia tocando ao fundo (risos)”, falou Fonseca.

Rádio

Apesar das diferenças de idades – Fonseca com 61 anos e Yamane com 26 –, os músicos concordam em muitas questões. Fonseca, por exemplo, comenta que hoje os artistas têm mais apoio dos veículos de comunicação. “Só acho que as rádios devem tocar músicas de artistas da região. Tem que falar dos componentes da banda, da música, divulgar os músicos”, complementa o artista.

Esse foi um ponto sobre o qual Yamane também quis dar sua opinião. “O rádio é uma mídia tradicional que apresenta uma certa resistência. Não sei o motivo, mas para a cena crescer como um todo, com certeza o rádio ajudaria”, expressou o vocalista, que lançou ontem o primeiro EP de sua banda, o “De jaqueta no inferno”, no Aomirante Bar.

Yamane, natural de Maués, disse que sua geração está ligada na Internet e que hoje Manaus conta com muitas gravadoras independentes, tendo até possibilidade de se gravar em casa. Porém, quando se fala num produto de maior qualidade, ainda existe um custo alto.

“Conseguimos bancar a gravação do EP guardando cachês. Acabamos participando do festival Grito Rock, no início do ano, e rolou uma grana legal. (...) Uma banda que está iniciando não sabe como captar recursos”, disse ele, informando que alguns grupos da cidade se inscrevem em editais para conseguir verba. Para ele, o Estado deveria investir em festivais, pois é uma das maneiras mais eficazes de reunir um grande público para escutar o que é feito pelas bandas locais.

Autoral

Fonseca informou que na sua época o público não se reunia para escutar a música feita por uma banda. “Tinha muita gente que ia aos nossos shows, mas era por causa do baile”, afirma o músico.

Segundo ele, seu grupo até chegou a tocar músicas de artistas locais, como Anibal Beça, só que a população não dava atenção. Nos anos 1970, de acordo com ele, não existia uma cena autoral expressiva como hoje.

Perspectiva e apoio

Para Diego Yamane, vocalista da Antiga Roll, a cena autoral e do rock é promissora. “Tenho uma perspectiva boa para o cenário. Se depender dessas bandas com que fazemos parcerias, da galera que produz eventos. Estamos presenciando um crescimento desde 2008. Tem altos e baixos, mas o rock vem crescendo. Daqui a uns dez anos, devemos ter um público bem maior. A galera de Manaus deve dar mais valor para o que é produzido aqui. Isso vale também para a galera que gosta de rock. Ainda existe um preconceito cultural em relação ao gênero”, disse Yamane, informando que os principais incentivadores da cena local são o Coletivo Difusão, Fela Kuti, Bodó Produções e as próprias bandas do cenário alternativo que produzem seus eventos.

Para Jander Fonseca, ex-integrante da banda Blue Birds, “se comparar com a minha época, está legal, mas, se formos sentar para analisar, ainda existem coisas que podem melhorar. Acho que tem tudo para deslanchar. Quantas bandas de rock temos em Manaus hoje? Temos muitos grupos bons. Só está faltando aquele empurrãozinho. As bandas não devem parar. Agora tem que ter alguém para puxar os caras”, finalizou o músico, que  toca anualmente no primeiro sábado de dezembro no Tropical Hotel Manaus.