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Entretenimento
Separação pais

Saber lidar com o divórcio faz a diferença na hora de enfrentar a separação e consequências dela

--- 14/05/2012 às 13:50
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Separação sim, Desunião não!
Felipe de Paula Manaus

O divórcio, quando inevitável, é sempre uma fase muito difícil, tanto para os pais quanto para os filhos. Mas se os adultos sofrem, as crianças, com menos experiência e preparo emocional, podem ser ainda mais atingidas pela separação. Por outro lado, especialistas alertam: o divórcio não precisa ser um bicho de sete cabeças e o trauma, ou a ausência dele, depende apenas da maneira como o casal lida com esse processo.

 A psicóloga Fernanda Calderaro explica que é muito comum que os pais, na tentativa de proteger os filhos, omitam dos pequenos o término do relacionamento. “Por receio de como conduzir, tanto porque já é difícil para o casal, os pais às vezes omitem dos filhos o conflito. Mas o problema”, diz ela, “ é que as crianças vão tirar suas próprias conclusões e podem até se sentir culpadas pela separação”.

Unidade familiar


 Para a especialista, o divórcio não é sinônimo de problema, pelo menos não para os filhos. “Por muitas vezes, é problema para os pais e eles acabam transmitindo essa carga para os filhos, que internalizam e absorvem essa tensão. Se feito de forma adequada, pode ser positivo, pois, mesmo deixando de ser marido e mulher, os pais devem manter a ‘unidade familiar’, que é fundamental para o desenvolvimento psicológico da criança para o resto da vida”, afirma.

A professora Raika Figueiredo e o funcionário público Herbert Conte romperam o relacionamento quando a filha deles, Juliana, tinha apenas três anos de idade. No entanto, o casal recém-desfeito não deixou os próprios problemas afetarem a filha e, de forma, digamos, exemplar, acordaram os “estatutos” da vida nova, exatamente como sugere a psicóloga Fernanda Calderaro). “A gente não deu certo como casal, mas desde sempre se preocupou em que ela não sentisse a separação e continuasse a ter mãe e pai presentes”, diz a mãe, que ressalta que o ex-marido havia se separado dela, mas não da filha e lembra como a menina, diante de muita conversa e carinho, internalizou de forma positiva a separação. “Hoje ela é emocionalmente estável e que conhece bem o que é amor, tanto da família dele quanto da minha”, afirma.

Superando conflitos

A enfermeira Caroline de Paula rompeu a relação com o ex-marido quando o filho, Ian, ainda tinha três anos de idade. Ela conta que, no começo, tanto ela quanto o filho sofreram um pouco com o divórcio, em que realmente houve, a princípio, certo distanciamento do pai. Hoje, no entanto, apesar de estarem separados há sete anos, Caroline e Nilson afinaram o discurso e conseguiram sintonizar a parceria para a educação do rapaz, hoje com 10 anos de idade.

 "Nós conversamos sempre para que pensar e agir mais ou menos da mesma forma", diz ela, que revela, entretanto, que a dificuldade maior foi no processo de transição para a guarda compartilhada. “Ele (Ian) ficou um pouco triste, mais retraído. Sentiu um pouco a diferença”, conta a mãe, que procurou o auxílio de um psicólogo para ajudar o filho a enfrentar o problema, hoje completamente sanado. Desde o ano passado, Ian passa uma semana com a mãe e uma semana com o pai, cuja esposa está grávida, o que significa que Ian vai ganhar o irmão que sempre quis. “Ele está muito feliz”, conta a mãe-coruja, que, como tal, se enche de orgulho pra falar do filho. “Ele é um menino muito tranquilo. Só tira nota boa”, comemora.

Fernanda Calderaro psicóloga

 Qual a importância da conversa franca ?

A criança precisa fazer parte daquilo, o que é diferente de ‘pedir autorização’ pra elas. Na medida do seu entendimento, elas devem ser comunicados de que as coisas não serão mais como eram antes.

Como os pais podem tornar atenuar a separação para a criança?

Criando um calendário semanal,em que os pais consigam criar um rodízio. A rotina sempre estimula a criança a se adaptar a nova realidade.

Como identificar quando a criança não responde bem à separação?

A escola pode e deve ajudar nesse processo. A mãe deve procurar a escola, além de observar as mudanças no comportamento do filho.