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Safenados dizem que dão mais valor à vida

Para os que se submeterem a cirurgia idêntica a do prefeito Amazonino, melhor presente é viver 28/08/2012 às 06:23
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O Brasil é pioneiro na América Latina nos procedimentos cirúrgicos cardíacos. Técnica está cada vez mais avançada
LÚCIO PINHEIRO Manaus

Pessoas que já passaram por cirurgia de revascularização do miocárdio (ponte de safena ou mamária) garantem que levam vida normal após o susto. E todas as que foram ouvidas nessa segunda-feira (27) por A CRÍTICA concordam: foi um susto grande. Tiveram que mudar a alimentação e, principalmente, permanecerem distante do cigarro.

O reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), José Aldemir, descobriu que estava com artérias do coração entupida da pior forma: um enfarte. O ano era 2004, e Aldemir tinha apenas 50 anos. “Senti a dor, fui levado ao hospital e fiz a cirurgia. Foram três pontes de safena e duas mamárias”, conta o reitor.

Livres de vícios como o de fumar, Aldemir recuperou-se de imediato do susto. “Quando se tem um enfarte novo, os médicos falam que é mais perigoso. Mas eu tinha uma vantagem: nunca fumei, nunca fui um bebedor. Tomava uma cervejinha de vez em quando. Os médicos falam que na minha idade foi muito importante não fumar. Hoje, vivo normalmente”, garante o reitor da UEA, aos 58 anos de idade.

Fumante, o sociólogo Mário Jorge Corrêa tinha 60 anos quando descobriu o problema no coração. A doença foi detectada durante um exame de rotina. “O médico mandou logo eu ir embora para São Paulo para operar. Ele disse que se eu nunca tivesse fumado, não seria preciso operar. Desde lá, faz 15 anos que não fumo mais”, diz Mário Jorge que está com 75 anos.

O procurador-geral do Município de Manaus, João dos Santos Braga, 76, tinha a mesma idade que Amazonino Mendes, 72, quando fez uma cirurgia no coração. “Apareceu uma dor no ombro, procurei o médico e ele me encaminhou para um ortopedista pois era a coluna. O ortopedista viu uma radiografia e mandou eu procurar um cardiologista que o problema era no meu coração”, lembra o procurador.

João Braga foi buscar tratamento também no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Após uma série de exames sem detectar nenhuma alteração cardíaca, a equipe médica resolveu fazer um cateterismo que apontou o diagnóstico: uma artéria com 95% de entupimento.

“O Dr. (Roberto) Kalil, que me atendeu, disse que eu era um forte candidato a um enfarte”, comentou o procurador, completando: “Tive que fazer uma reformulação nos hábitos, principalmente nos alimentares. Passei a comer peixe e verdura. Das recomendações médicas, só não segui a de caminhar. Sou muito preguiçoso (risos)”.

A vereadora e irmã de Amazonino, Marise Mendes (PDT), descobriu o problema no coração por meio de exame, quando tratava de outro problema de saúde. “Fui operar uma coisa e descobri isso também. Mas deu tudo certo”, conta Marise que está com 78 anos.

Deixar o cigarro é um dos desafios

O secretário municipal de Saúde e amigo de Amazonino Mendes (PDT), Francisco Deodato, já declarou em entrevista a A CRÍTICA, que, após a cirurgia no coração o prefeito terá que mudar radicalmente o modo de vida dele, o que inclui deixar definitivamente de fumar. “Ele terá que abandonar o cigarro, mudar a alimentação e inserir na rotina diária atividades físicas que serão orientadas pela equipe médica que o acompanhará”, disse o secretário.

Deodato é amigo de Amazonino desde 1998. “Durante esse período, o prefeito já abandonou o cigarro em alguns momentos, mas depois voltou”, contou o secretário, que é médico. Em janeiro de 2011, Amazonino, em entrevista para A CRÍTICA, falou das tentativas sem êxito de se desvencilhar do cigarro, uma “muleta psicológica” na definição dele, à qual recorre quando é “bombardeado pelos problemas”. Hipertenso, diabético e o pulmão esquerdo perfurado, Amazonino disse na ocasião que ensaiou, por ordem médica, ter hábitos mais saudáveis, mas confessou não ter conseguido. As caminhadas não passaram de uma primeira tentativa.

 Vereadores solidários

Os vereadores usaram a tribuna no grande expediente na sessão de ontem, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), para prestar solidariedade à família de Amazonino Mendes (PDT) e desejar rápida recuperação ao prefeito. No momento das falas, o prefeito estava sendo preparado pela equipe médica para realizar uma operação de desobstrução de artérias no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Mário Frota (PSDB) conhecido como um dos mais fervorosos representantes da oposição ao prefeito  foi um dos parlamentares que se pronunciou sobre a operação de Amazonino. “Eu poderia fazer aqui um agrado, dizer que ele é um grande homem, algo que eu não acho que seja, mas quero deixar claro que nós não somos inimigos, somos apenas adversários políticos e não quero que ele morra. Eu quero que a cirurgia dele seja bem sucedida e que ele volte ao seio de sua família e volte à administração de Manaus até o dia 31 de dezembro”, disse Frota.

Homero de Miranda Leão (PHS), da base aliada do prefeito na CMM, disse que Amazonino pediu que o parlamentar usasse a tribuna para tranquilizar a sociedade: “Conversei com ele ontem e ele pediu para transmitir a tranquilidade dele, assim como a fé e  confiança na equipe médica. Faço isso com alegria e com a certeza do sucesso cirúrgico que será submetido o nosso Negão”, disse.

Ato falho

O vice-líder do partido do prefeito na Casa, Wilton Lira (PDT), chegou a pedir da presidência da CMM a suspensão da sessão e que os parlamentares fizessem um minuto de silêncio pela saúde do prefeito. O ato foi negado pela mesa diretora, representada no momento pelo primeiro vice-presidente, vereador Marcel Alexandre (PMDB) e explicou a inadequação do pedido.

Ao fim do grande expediente, a vereadora Marise Mendes (PDT) agradeceu as palavras dos colegas e pediu que todos rezassem pela êxito da cirurgia do irmão.