Publicidade
Entretenimento
Vida

Saiba como identificar a fome oculta, doença que afeta uma em cada quatro pessoas no mundo

A fome oculta é uma carência não aparente demicronutrientes no organismo, atualmente identificada como o problema nutricional mais prevalente no mundo 23/01/2016 às 11:43
Show 1
O problema, silencioso, deixa o indivíduo fraco e vulnerável a inflamações e infecções
ISABELLE VALOIS Manaus (AM)

Você já ouviu falar da fome oculta? A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada quatro pessoas no mundo é portadora da doença. Trata-se da carência não explicada de um ou mais micronutrientes (vitaminas e minerais), que ocasiona alterações fisiológicas mínimas, não perceptíveis nos exames clínicos de rotina.

O problema, silencioso, deixa o indivíduo fraco e vulnerável a inflamações e infecções. A fome é chamada de oculta porque o incômodo não está no estômago roncando. Quem sente a falta de alimentos é seu organismo, que não consegue funcionar direito. 

“Embora sem sintomatologia visível, a fome oculta já compromete várias etapas do metabolismo, merecendo destaque as alterações observadas no sistema imune, nas defesas antioxidantes, no desenvolvimento físico e mental dos indivíduos e aumento de sobrepeso e obesidade” explica a coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Micronutrientes do Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutora Andrea Ramalho. 

Com base nos resultados das pesquisas da OMS, a especialista informa que as três maiores deficiências de micronutrientes, consideradas de elevado impacto social, são as de Iodo, Ferro e Vitamina A. Porém, outros micronutrientes passaram a ter destaque na saúde pública mundial com base em evidências científicas, no caso, a Vitamina D, o Zinco e o Ácido Fólico.

As gestantes, as nutrizes (mulheres que estão amamentando), os lactentes (que estão em idade de mamar) e os pré-escolares são considerados os grupos mais vulneráveis para a doença, em razão do aumento das demandas nutricionais.

As crianças menores de seis anos, contudo, pertencem ao grupo de maior risco para o desenvolvimento da carência de micronutrientes, pois as necessidades nutricionais são maiores que as de qualquer outro grupo etário devido ao seu rápido crescimento, além da maior prevalência de doenças infecciosas.

“Doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes mellitus tipo 2, obesidade, alguns tipos de câncer, osteoporose, dentre outras enfermidades, podem ser geradas em razão da síndrome. Combinando os achados de estudos nacionais sobre as carências de micronutrientes com os de excesso de peso, é possível afirmar que o Brasil apresenta uma dupla carga de doenças com origem na alimentação. Verifica-se a ocorrência de deficiência de micronutrientes, mas por outro lado, são documentadas altas e crescentes prevalências de obesidade entre os brasileiros”, destaca Ramalho.

CARÊNCIAS

A síndrome se desenvolve no indivíduo durante o  crescimento. A diferença da falta de nutrientes em cada região varia conforme o solo. No caso do Brasil, somos pobres em magnésio, pois aqui não há a presença da formação de solos rochosos vulcânicos. No Amazonas, temos o déficit de Iodo, presente nos frutos do mar.

“O processo da síndrome da Fome Oculta tem início nas plantações. No Brasil, nossa agricultura é rica em agrotóxicos, para haver um processo mais rápido e contínuo de produção. Não é feito de forma natural. Em razão da agricultura brasileira seguir este caminho, somos considerados o País que mais consume agrotóxico”, ressalta o presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Amazonas (Consea-Am), Marc Storck.  

O presidente orienta o consumo de alimentos de produção natural, de agricultura familiar ou agroecológica, além do consumo de alimentos da época. Atualmente, por exemplo, estamos no período da manga, fruta rica em Vitamina B e Vitamina C.

De acordo com o especialista, ingerindo a fruta neste período, o corpo enriquece na imunidade, diferente de quando é consumido de forma efervescente ou industrializada. 

Recomendações

Procedimentos recomendados por órgãos internacionais e Unicef para o combate e  prevenção da fome oculta reafirmam a importância dos programas de intervenção pautados na utilização de suplementos vitamínicos, na fortificação de alimentos e na diversificação alimentar  para melhorar a qualidade e a quantidade do consumo de nutrientes.

Mudança de consumo

Além do despreparo alimentício, Marc Storck orienta que todo indivíduo precisa ficar exposto ao sol por um período de 10 a 20 minutos diários para a recomposição da Vitamina D, evitando doenças como o câncer de pele e raquitismo. Sobre o sal, o especialista recomenda o consumo de sal grosso.

“Diferente do sal refinado, o grosso é rico em minerais, pois não está industrializado. São ao menos 84 minerais que consumimos quando o ingerimos. Não faz mal a pressão como o refinado e industrializado”, reforça.

De vitaminas, Marc comenta que recentemente foi descoberta uma nova vitamina: a B17, também conhecida como amigdalina. Anticancerígena, ela é pouco divulgada por causa do mercado de medicamentos direcionados para quimioterapia e radioterapia.