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Segundo álbum solo do pianista Ricardo Bacelar agrada jovens e veteranos da música

O trabalho apresenta um repertório baseado nos teclados analógicos de grupos norte-americanos de jazz dos anos 1970 e 1980, com a música brasileira e uso do piano acústico 16/01/2016 às 12:02
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Novo trabalho de Ricardo Bacelar foi gravado em um tradicional festival de jazz no Ceará, sua terra natal
Natália Caplan ---

“Música não se explica. Música se sente.” É com essa proposta simples que o pianista, compositor e arranjador Ricardo Bacelar convida o público a ouvir Concerto para Moviola, lançado mês passado, em três versões: CD, DVD e digital. O trabalho apresenta um repertório baseado nos teclados analógicos de grupos norte-americanos de jazz dos anos 1970 e 1980, com a música brasileira e uso do piano acústico.

A gravação foi feita durante um show especialmente idealizado para o Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga (CE), cidade que dá nome ao evento. O registro audiovisual eterniza a apresentação de temas inéditos, recriando ao vivo canções com a liberdade característica do jazz. De acordo com Bacelar, diferentemente do primeiro álbum solo, In natura (2001), este é “mais alegre” e agrada até quem nem conhece tão bem o estilo.

“Apesar de ser jazz, é alegre, dançante, pop, com bastante percussão e música brasileira. Tem seus momentos de piano, mas é essencialmente ‘para cima’. Tem um bom repertório, com solos rápidos e músicas curtas para não cansar”, disse. “A nova geração, de 20 e poucos anos, está adorando. A boa musica aprisiona o ouvinte, como um cheiro de perfume ou uma comida boa. Você gosta das sensações. Não precisa explicar, mas sentir”, completa.

De acordo com o cearense natural de Fortaleza, o álbum foi produzido focado na fusão de gêneros e na qualidade musical, sem vislumbrar o comércio. Cada canção foi escolhida a dedo e o resultado é uma mistura de clássicos internacionais, como ‘Birdland’ (Joe Zawinul) e ‘March Majestic’ (Bob Mintzer); nacionais, como ‘Sabiá’ (Chico Buarque/Tom Jobim), ‘Palhaço’ (Egberto Gismonti/ Geraldo Carneiro); e temas de Bacelar, como ‘Moviola’.

“Pensei em uma época do jazz que se fazia misturas, com muita criatividade, referência à sonoridade mais analógica. E tem a captação da emoção de um show. Isso para um concerto de jazz é importante. É o meu disco dos sonhos. São músicas que tenho uma relação de afeto”, explicou, ao declarar que não há barreiras para apreciar o estilo. “O nome parece ser muito sofisticado, mas o fato de ser um jazz não quer dizer que é elitizada”, completa.

E é justamente essa ideia de não limitar gêneros para públicos específicos que move Bacelar. Na opinião dele, que começou a estudar piano aos 5 anos de idade e se apresenta profissionalmente desde os 15, todas as pessoas têm capacidade de tocar algum tipo de instrumento — seja por hobby ou trabalho. “Todo mundo pode ser musical; somos musicais por natureza, temos que exercer nossa personalidade musical”, incentiva.

Dever de casa

O compositor, inclusive, é vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Ceará e defensor da inclusão da música no currículo escolar. Segundo ele, isso já está garantido por lei, porém, pouquíssimas instituições de ensino cumprem. Ricardo Bacelar também atua em discussões nacionais sobre direitos autorais e de incentivo à cultura.

“Luto muito pela implantação da Lei 11796/2008, que obriga o ensino de música nas escolas. A música favorece a criança, dá um upgrade no sistema neurológico. É comprovado cientificamente que crianças que têm contato com música têm mais memória, melhor capacidade de raciocínio e concentração em relação as outras crianças”, enfatizou.

Qualidade é para se mostrar

Na gravação de Concerto para Moviola, Ricardo Bacelar (piano acústico e teclados) foi acompanhado por Ronaldo Pessoa (guitarra), co-produtor do CD/DVD, Luiz Duarte (bateria), Miquéias dos Santos (contrabaixo), Marcus Vinicius Cardoso (violino), Maria Helena Lage (teclados e percussão), Hoto Júnior (percussão) e Marcio Resende (sax soprano, sax tenor e flauta). Gabriel Lage assina a direção e a edição do DVD.

Além das mídias convencionais em CD e DVD, o álbum também está disponível em todas as lojas virtuais e serviços de streaming, como iTunes, Spotify, Deezer, Google Play, Apple Music e Rdio. “Lançar um disco desses é um ato de amor, pegar o que temos de melhor e oferecer às pessoas”, afirmou Bacelar, ao informar que pretende fazer uma turnê internacional. “Este disco é para divulgação no Brasil e exterior”, concluiu.

Sucesso conhecido

‘Concerto para Moviola’ é o segundo disco solo de Ricardo Bacelar. O primeiro, ‘In natura’ teve as participações de Belchior, Frejat, Waldonys, Kátia Freitas e do Hanói-Hanói, do qual foi integrante. Um dos sucessos do grupo de rock é ‘Totalmente demais’, de 1986. Também gravada por Caetano Veloso, ela está de volta na voz de Anitta e dá nome a uma novela da Globo. 

Três perguntas para Ricardo Bacelar

pianista e compositor

Como você vê o atual cenário musical do Brasil?

A cultura brasileira é muito diversificada, temos influências diversas. Nossa própria formação étnica colabora: indígena, européia, negra, etc. Temos uma variedade riquíssima do ponto de vista cultural, mas a questão da massificação, com produtos de baixa qualidade, meramente comerciais.

Então, a música brasileira decaiu?

As companhias se preocupam muito em vender, não com a qualidade do produto. Não é nenhum tipo de preconceito, mas é preciso ter espaço para outros gêneros. Até o rock nacional perdeu espaço. Você não vê rock no ranking das cem músicas mais tocadas no Brasil.

Por quê um intervalo de 14 anos entre os CDs?

Casei, tive filho, sou advogado e tenho outras atividades. Estava esperando uma oportunidade. É preciso ter disponibilidade e energia. Sou muito perfeccionista. Acredito na qualidade do produto. Fiz este disco com muito critério artístico e técnico.