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Falsos magros

Silhueta pode esconder gordurinhas a mais

Avaliação da composição corporal é importante antes da pessoa iniciar uma atividade física 04/07/2012 às 08:46
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O avaliador Ademir Junior utiliza a técnica de dobras cutâneas para o cálculo dos índices de gordura corporal
Jony Clay Borges Manaus

Se o número indicado na balança e o reflexo no espelho são seus principais critérios na hora de julgar se está com o corpo em forma, está na hora de rever os seus conceitos. Isso porque mesmo pessoas com peso proporcional em relação à altura e silhueta esguia podem ter um elevado percentual de gordura corporal, isto é, uma alta proporção de gordura na composição do corpo. São os chamados “falsos magros”.

A expressão faz todo o sentido no caso do dentista Carlos Alberto Sales Júnior, de 32 anos. Há cinco anos, ele procurou uma academia para ganhar peso, pois se considerava muito magro. Na hora da avaliação física, veio a surpresa. “Apesar de meu peso ser muito inferior para minha altura, meu percentual de gordura era elevado. Estava num nível até normal, mas eu era muito, muito magro”, lembra.

A professora de Educação Física Adriana Silva, 24, tinha noção de que seu percentual de gordura estava acima do desejado. “Sabia por causa de minha alimentação, que não era boa, e da minha baixa atividade aeróbica”, conta ela. “O que me fez querer diminuir meu percentual foi notar que eu estava no mesmo patamar do meu chefe, de 27%”.

Menos é mais


 Adriana resolveu reduzir o índice de gordura corporal também porque sabe que valores altos podem significar riscos à saúde. A gordura em si não é maléfica – de fato, ela é essencial a muitas funções do corpo humano. Em excesso, no entanto, pode causar desequilíbrios.

 “A gordura não é maligna, mas tem seu nível ideal. Acima dele, produz substâncias nocivas”, explica Ademir Junior, avaliador e professor da Cia Athletica. Tais substâncias, ele diz, causam inflamações nos vasos sanguíneos e até inibem a ação da insulina, predispondo ao diabetes tipo 2.

Diversas doenças crônico- degenerativas estão ligadas à obesidade, como alerta a endocrinologista Caroline Coimbra: “O acúmulo de tecido adiposo é um preditor independente para o risco de diabetes, pressão alta e doença arterial coronariana (infarto), além de artrite, doenças da vesícula, e câncer de mama, endométrio, colon e próstata”.

Cortando os excessos

 Para repor o índice de gordura corporal de volta “nos eixos” – as faixas ditas saudáveis vão de 18% a 23%, para mulheres, e de 14% a 19%, para homens –, Adriana e Sales Júnior vêm seguindo a mesma receita: associar atividade física a dietas mais equilibradas. Ele dá ênfase à musculação, enquanto ela investe também nos exercícios aeróbicos.

 “A musculação ajuda a manter a massa muscular, e com isso o percentual de gordura tende a diminuir. A atividade aeróbica ajuda a consumir gordura”, diz Ademir. A dieta, acresce Caroline, deve ser “saudável, com reais mudanças de hábitos, sem receitas milagrosas ou remédios da moda”.


Sales Júnior e Adriana hoje treinam para manter o percentual de gordura na faixa normal. “Antes tinha dificuldade de ganhar peso, agora é para perder”, brinca ele, que há dois anos vem levando dieta e exercícios mais a série. Ela, com índice de 21%, quer chegar a 18%. “É o meu objetivo em quatro meses”, afirma. Em outras palavras: para os dois, falsa magreza nunca mais!

Três perguntas

Caroline Coimbra Endocrinologista

O que é o percentual de gordura corporal, e o que ele revela sobre uma pessoa?

 É um dado da composição corporal, que é a quantidade dos principais componentes estruturais do corpo humano. Seu estudo, que quantifica gordura, músculos, ossos e vísceras, permite verificar se a quantidade e a distribuição da gordura corporal podem causar risco à saúde.

Um percentual alto é algo com que se preocupar?

Cada faixa etária possui um intervalo de valores considerado saudável, dependendo do sexo e grau de atividade física. Caso esteja com um percentual acima desse intervalo, a pessoa deve procurar orientação nutricional e atividade física para modificar hábitos e evitar doenças consequentes do excesso de gordura. E válido também procurar um médico e fazer exames para avaliar se a gordura em excesso está alterando metabolicamente o organismo e predispondo o paciente a doenças crônicas.

 Por que há “falsos magros”?

O peso baixo não significa que uma pessoa tem baixa gordura: ela pode ter baixa massa muscular, e por isso pesar pouco. Exemplo disso são modelos de passarela. E um peso elevado não necessariamente significa muita gordura. O melhor método para avaliar o peso de um paciente é fazer sua composição corporal. Tento explicar isso aos pacientes, desmistificando a preocupação com o peso total e valorizando a composição corporal.