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Sob nova batuta: Filarmônica ganha novo assistente

Sobrinho-trineto de Carlos Gomes, Otávio Simões assume cargo de maestro assistente de orquestra. Para ele, a paixão pela música é algo de berço 16/03/2013 às 13:05
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Otávio Simões regeu sua primeira ópera aos 26 anos, em 2009
rosiel mendonça ---

Há um mês, a nova casa do paulista Otávio Simões tem sido a capital amazonense, para onde ele veio com quatro malas de mudança. Formado em regência pela Universidade de São Paulo (USP), ele aceitou o convite do maestro Luiz Fernando Malheiro, titular da Amazonas Filarmônica, para assumir o posto de assistente do corpo artístico. Simões tem comandado os ensaios das óperas “Parsifal”, do alemão Richard Wagner, e “Un ballo in maschera”, do italiano Giuseppe Verdi, as duas grandes atrações do programa do Festival Amazonas de Ópera (FAO) deste ano.

O encontro artístico entre Simões e Malheiro aconteceu em 2011, quando os dois trabalharam juntos nas montagens de “A Valquíria” e “Crepúsculo dos deuses”, de Wagner, no Theatro Municipal de São Paulo. “Na ocasião, ele era o maestro convidado e estava atrás de um assistente, então me indicaram e nos demos muito bem desde o início”, explicou Simões. Considerado um talento potencial desde cedo, o maestro assistente regeu sua primeira grande produção em 2009, aos 26 anos de idade – a ópera “Pagliacci”, do italiano Ruggero Leoncavallo.

Nas palavras dele, o trabalho com a Amazonas Filarmônica tem sido fascinante. “Desde a primeira vez que vi a orquestra, na execução da ‘Sinfonia nº 2’ de Mahler, notei a qualidade e a coesão sonora dos músicos”, disse. “Agradeço imensamente a oportunidade do maestro Malheiro e da Secretaria de Cultura, através do doutor Robério Braga”, completou.

LAÇOS DE FAMÍLIA

Pelo lado materno, Otávio Simões é sobrinho-trineto do maestro Carlos Gomes (1836-1896), considerado o mais importante compositor de ópera brasileiro, e tem parentesco com o pianista carioca Arnaldo Estrella (1908-1980) por parte de pai. Para ele, a paixão pela música não poderia deixar de ser algo de berço. “Atualmente, sou o único músico em atividade na família, mas cresci num ambiente bastante musical”, revelou o maestro.

Do repertório de Carlos Gomes, Simões ainda não chegou a reger nada, apesar de ter participado indiretamente da produção da ópera “Colombo”, no Theatro Municipal. De acordo com o maestro, o acesso às obras do ícone da música clássica brasileira ainda é difícil. “O Malheiro foi um dos poucos que conseguiram gravar Carlos Gomes, de quem é um fã declarado”, concluiu Simões, dizendo que ainda pretende se aproximar mais desse repertório.