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Sociedade da imagem: os dilemas do ganho e da perda de peso

Conforme a nutricionista Talita Duarte, a auto-imagem corporal é determinante nos casos de quem quer perder ou ganhar mais quilos, o que faz com que, muitas vezes, as pessoas não explorem tais mudanças priorizando o quesito saúde. É preciso buscar, tanto para quem quer emagrecer quanto para quem quer engordar, acompanhamento médico precedido do nutricional 29/11/2012 às 10:23
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Há pessoas que lutam para emagrecer; há outras que lutam para engordar. Todo esse processo deve ser acompanhado por saúde
Laynna Feitoza Manaus, AM

Dos grandes dilemas da sociedade da imagem, emagrecer sempre se evidenciou como o maior de todos. Realidade, porém, que tem mudado: é possível perceber que as pessoas com silhuetas mais finas podem apreciar ou não sua apresentação visual. E é necessário compreender o posicionamento de ambos: muitas vezes a infelicidade de quem quer engordar é a mesma de quem almeja emagrecer.

Conforme a nutricionista Talita Duarte, a auto-imagem corporal é determinante nos casos de quem quer perder ou ganhar mais quilos, o que faz com que, muitas vezes, as pessoas não explorem tais mudanças priorizando o quesito saúde.

“Primeiramente é levado em consideração a auto-imagem corporal baseado no padrão de beleza que a sociedade impõe. É mais comum isso acontecer em mulheres, principalmente adolescentes e jovens.  Sentir-se bem em usar uma roupa que a deixa bonita e atraente tem sido levado muito mais em consideração do que o fator saúde”, disse Duarte.

E não é só a satisfação com a aparência que deve ser pontuada nos fatos. De acordo com a nutricionista, inúmeros são os problemas de saúde que podem ser gerados tanto em pessoas acima ou abaixo do peso.

“A pessoa tanto abaixo como acima do peso pode acarretar uma série de problemas à saúde. Com relação aqueles que apresentam sobrepeso ou obesidade, existe uma forte relação em adquirir uma série de doenças como: hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, problemas respiratórios, problemas nas articulações, além dos problemas sociais (dificuldades de encontrar roupas; acesso a assentos e portas; problemas sexuais) e problemas emocionais (depressão, isolamento, sentimento de culpa)”, ressaltou Talita.

Magreza não é sinônimo de saúde e felicidade

Atenção aos que querem emagrecer a qualquer custo: magreza, nem sempre, é sinônimo de saúde ou bem estar pessoal. “A pessoa muito magra, além de passar também por problemas sociais e emocionais, têm uma resistência imunológica diminuída e possuem um risco aumentado para afecções respiratórias, ósseas e infecciosas.  Em mulheres, a magreza causa um desequilíbrio no sistema hormonal levando a alterações menstruais e infertilidade”, lembrou Talita.

Conforme estudos, as características do ser humano, em 40% a 70%, são definidas pela hereditariedade, indicou Talita. “O balanço energético (total de energia consumida através dos alimentos e o total de calorias gastas, durante um determinado período) depende da herança genética, pois os genes intervêm na manutenção de peso e gordura corporal por meio da sua participação no controle de hormônios, neuropeptídios, entre outros”, ponderou Talita. E é ele quem se responsabiliza pelo ganho de peso, adiantou a nutricionista. “Com o passar dos anos, a taxa metabólica basal, componente essencial para definir o gasto energético total diminui, contribuindo desta forma para o balanço energético positivo com o passar da idade, ou seja, o ganho de peso se torna mais fácil”, assegurou Duarte.

Moderar é o ideal

Ao contrário do que pensa a maioria, excluir a ingestão completa de certos tipos de alimentos não é nada adequado, tanto para quem quer emagrecer quanto para quem quer engordar. Moderação seria a palavra mais correta, de acordo com a especialista.

“Os nutrientes que existem nos alimentos são indispensáveis para ter uma alimentação saudável e balanceada. Cada um possui uma quantidade recomendada para a promoção da saúde, portanto excluí-los não é a opção certa para quem quer perder peso, por exemplo, há pessoas que excluem alimentos fontes de carboidratos, como pães e massas, sem saber que estes são os principais responsáveis em nos fornecer energia para nossas atividades diárias. Outro nutriente muito mal visto são as gorduras, é fato que em excesso causam danos a saúde, mas em quantidades apropriadas tem seus benefícios como o transporte de 4 vitaminas importantes para o organismo”, lembrou a nutricionista.

Viva ‘feliz para sempre’ com casamento entre exercícios físicos e alimentação

O casamento entre exercícios físicos e boa alimentação tem potencial para fazer o indivíduo viver ‘feliz para sempre’, mesclando a satisfação com a aparência à saúde, levantou Duarte, que explica quais são os benefícios herdados.

“O exercício físico associado a uma alimentação balanceada promove uma melhor qualidade de vida, dentre os benefícios, podemos citar: controlar o peso corporal; diminui tanto o colesterol total quanto os triglicerídeos, e eleva o bom colesterol HDL; diminui o risco de desenvolver pressão alta e em pessoas quem já têm, ajuda a reduzir; os exercícios ajudam a construir e manter articulações, músculos e ossos saudáveis; reduz o risco de infarto”, ponderou a especialista.

O balanceamento correto de nutrientes precisa ser feito tanto em dietas hipocalóricas (para quem quer emagrecer) e hipercalóricas (para quem quer engordar). É importante elaborar o seu programa juntamente a um profissional especializado.

“Tanto dietas hipocalóricas quanto as hipercalóricas devem ter as quantidades recomendadas de nutrientes (carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e minerais) para cada indivíduo. Por isso, é indispensável o acompanhamento do nutricionista para elaboração da dieta de forma que alcance seu objetivo nutricional", contou Duarte.

E não, o nutricionista não deve ser o único a ser inserido no programa de acompanhamento de ganho ou perda de peso. Um dos maiores vícios da sociedade é apoiar-se apenas à eles, sem antes submeter-se à avaliação de um médico, advertiu Talita.

“O acompanhamento médico se faz necessário para o diagnóstico do paciente, assim detectar se há doenças relacionadas com o ganho ou perda de peso, como por exemplo, hipertireoidismo ou hipotireoidismo, parasitoses intestinais, diabetes, entre outras que pode ser detectadas por meio de exames de sangue e fezes”, concluiu a especialista.

Alimentos que devem ser ingeridos e um pouco mais evitados por quem quer emagrecer

Pães, biscoitos e cereais integrais;

Leite/iogurte desnatados, queijos magros (ricota, frescal) e margarina light;

Iniciar as refeições com saladas cruas ou frutas – causam saciedade

Quando comer doces, optar pela mistura de fruta + açúcar (doces de fruta desprezando a calda, barra de cereais)

Alimentos que devem ser ingeridos e um pouco mais evitados por quem quer engordar

Temperatura das preparações elevadas – promovem saciedade

Pão francês – difícil mastigação

Queijos derretidos – prolongam a digestão