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'Tacacá na Bossa' leva boa música desde 2005

Joaquim Melo também é o responsável por escolher as atrações musicais do projeto 29/07/2012 às 16:22
Show 1
Joaquim Melo, criador do “Tacacá”, revela o que vem pela frente e algumas curiosidades sobre o projeto
Evandro Seixas Manaus (AM)

A quarta-feira de Manaus deixou de ser convencional, morna, desde o ano de 2005. E isso foi graças a um projeto musical, que começou tímido, mas hoje é um dos principais divulgadores do trabalho desenvolvido pelos artistas da música amazonense. Trata-se do “Tacacá na Bossa”, que, em agosto, traz grandes nomes locais e nacionais, como Carlos Bivar e Gabi Buarque, para fazer uma apresentação intimista no Largo de São Sebastião, tendo como “pano de fundo” o principal ponto turístico da cidade: o Teatro Amazonas.

“No mês de agosto, estamos trazendo o Bossa Jazz Quinteto e Carlos Bivar, de Brasília, por meio de um amigo comum meu e do Bivar, que foi costurando a ideia até dar certo. Essa participação tem o apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e da Secretaria de Estado de Cultura (SEC)”, adiantou Joaquim Melo, criador do “Tacacá na Bossa”.

“No dia 15, trazemos a Gabi Buarque, do Rio de Janeiro. Recebi o convite da Arlequim, casa que vende CDs, DVDs e que, ao mesmo tempo, é livraria e café para o show dela ‘Gabi canta Chico, versos de Pessoa’. (...) Gostamos tanto do Chico quanto de Pessoa, por isso fomos fuçar na Internet, vi o  MySpace dela e acabei mandando uma mensagem para ela no Facebook, falando sobre o projeto. No outro dia ela respondeu dizendo que tinha interesse, mas que precisava do básico para vir”, complementou.

História

Segundo ele, o “Tacacá na Bossa” foi instituído para ocupar a quarta-feira. Isso porque a SEC realizava uma vasta programação no Largo, e a quarta era o único dia em que não havia atividade alguma. “A partir de uma brincadeira, tomamos a decisão de incrementar com caixas de som. Não tínhamos ideia da dimensão que iria tomar”.

E realmente esse “tacacá” ganhou uma proporção considerável. É difícil encontrar um artista da região que não tenha se apresentado nele, independente do gênero musical que explore. Entre os nomes que sempre marcam presença estão Nicolas Jr., Cileno, Márcia Siqueira, Manoel Passos, Lucilene Castro e Zezinho Corrêa. Até nomes nacionais como Ed Motta, Duofel e Duo de Damas já mostraram suas propostas musicais no espaço.

Memorável

Para Melo, que também é proprietário do Tacacá da Gisela, famosa tacacaria do Largo, um dos momentos inesquecíveis do projeto foi a volta do sambista amazonense Chico da Silva aos palcos – ocorrida em 2010. “Durante esse período de realização, tivemos muitas emoções. (...) Mas de todas as apresentações, o retorno de Chico foi inesquecível. Foi um super show, ele estava emocionado”.

O empresário fez questão, ainda, de frisar que a SEC sempre apoiou o “Tacacá na Bossa”, mesmo quando iniciou, tendo apenas dez pessoas na plateia. “As cadeiras para o público, o pessoal de apoio, sempre foi fornecido pelo doutor Robério Braga (secretário de Cultura do Estado). Ele sempre apoiou e nunca interferiu por confiar no nosso trabalho”. Além da SEC, Melo fez questão de agradecer a A CRÍTICA, a empresa de bebidas Santa Claudia, entre outras, que sempre acreditaram na iniciativa.

Opiniões

Robério Braga aprova a coordenação do projeto, assim como a segurança, a comida vendida no Largo, a contemplação das pessoas em relação ao Teatro Amazonas e ao próprio Largo de São Sebastião. Isso, segundo o próprio, se deve também ao que vem sendo desenvolvido na iniciativa musical.  “O projeto estimula a animação cultural no Largo. Seria interessante que outros pequenos empresários, comerciantes da área central, fizessem esse tipo de atividade tão organizada”, informou.

A cantora Lucilene Castro também quis expressar sua opinião. “Ele (o projeto) é um sucesso, dá visibilidade para o artista local, porque fazemos algo mais intimista, próximo do público. É onde podemos ter o feedback entre músico, artista e plateia. É um compromisso formado, pois toda quarta-feira tem música de qualidade”, disse Lucilene, que já cantou cinco vezes no “Tacacá” – quase toda quarta-feira ela vai ao Largo para prestigiá-lo.

Perspectiva

Sobre o futuro do projeto, Melo explica que o intuito é inscrevê-lo num dos editais dos órgãos que fomentam cultura, pois, assim, seria possível dar maiores condições aos músicos, pagar melhores cachês e os realizadores do projeto teriam uma maior tranquilidade. “Apesar do apoio que temos, nós arcamos com muitas despesas. Os comerciantes próximos, embora usufruam dos shows, porque o público aumenta na quarta-feira, e certamente seu faturamento também, não têm sensibilidade à cultura”.

Mudança na cena local

Ao ser questionado sobre o que mudou no cenário musical local desde a criação do “Tacacá na Bossa”, o fundador do projeto, Joaquim Melo, explicou: “Nosso propósito era levar música de qualidade para o público. Tanto que começamos somente com Bossa Nova, razão pela qual convidamos o Paulinho Bossa Nova para iniciar o projeto. Ele foi uma figura marcante (faleceu ano passado). De lá para cá, vimos que o espaço precisava ser aberto a todos os músicos locais que fazem música de qualidade, independente do ritmo”.

E complementou: “Acabou do projeto se tornar um espaço de referência para os músicos locais mostrarem seus trabalhos, e eles entenderam perfeitamente o que estava acontecendo. Hoje, o ‘Tacacá’, é conhecido fora do Amazonas, em função da parceria com a TV Ufam, que criou o programa ‘Tacacá na Bossa’. O AmazonSat também ajudou na divulgação. O jornal A CRÍTICA desde o princípio nos deu apoio, divulgando os shows. A Santa Cláudia nos acompanha já há alguns anos. Acho que o importante para quem trabalha com atividade cultural, como  é o nosso caso, sem fins lucrativos, é ser honesto com quem faz música. Não nos locupletamos do trabalho deles, pois na noite dos shows, até a venda de CDs se reverte para os músicos”.

Agosto

Para o próximo mês, o “Tacacá na Bossa” traz as seguintes atrações: Nicolas Jr, Bossa Jazz Quinteto e Carlos Bivar, dia 1°; Bandas Alaídenegão e Os Tucumanus, dia 8; João Dominguez e Gabi Buarque com o show “Gabi canta Chico, poemas de Pessoa”, dia 15; Rosângela e Grupo de Choro, dia 22; Chico da Silva, lançando dois discos de coletânea, dia 29.