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Talento amazonense brilha no Uzyna Uzona

Atriz Mayara Dellacarmo é integrante da companhia de Zé Celso, um dos grandes nomes do teatro nacional 03/02/2013 às 14:32
Show 1
Mayara fez parte dos grupos Lado B e Amazônia Arte-Mythos
RAFAEL SEIXAS ---

Uma amazona, uma mulher guerreira atrás de sua inquietação. Mayara Dellacarmo, de 23 anos de idade, pode não ser tão conhecida do público local, mas essa atriz amazonense, batizada (de nascença) como Mayara do Carmo Martins Oliveira, faz parte do Teatro Oficina - Uzyna Uzona, um dos grupos teatrais mais respeitados do País, e que tem à frente uma verdadeira lenda do teatro nacional: José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso.

Em Manaus, Mayara cursou o Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro e integrou as companhias de teatro Lado B, dirigida pela atriz e diretora Geísa Fröhlich, e Associação Amazônia Arte-Mythos, de Narda Telles. Só que a grande mudança na sua carreira ocorreu em 2010, com a passagem do Teatro Oficina - Uzyna Uzona pela cidade, com a turnê do projeto “Dionisíacas”. A jovem participou de uma oficina com Zé Celso e os atores de sua companhia, a partir daí, como a própria disse, ela “virou do avesso”.

“Não dormia mais pensando no que havia vivido com aquele grupo. Então surgiu a oportunidade de criar um projeto de intercâmbio teatral para o Programa de Apoio e Incentivo à Cultura (PAIC), foi um incentivo para dar o primeiro passo. Então criei o projeto ‘Incursão’, com que ganhei uma bolsa de apoio para estudar em São Paulo com o grupo Uzyna Uzona, do Zé Celso”, contou a amazonense, que até então nunca havia desenvolvido um projeto na área. Mas, graças aos amigos Douglas Rodrigues (também diretor teatral local) e Narda Telles, conseguiu concluir sua ideia e viajar a São Paulo – porém essa foi apenas a primeira parte de sua aventura.

“Chegando lá foi mais difícil, pois as companhias de teatro são muito fechadas nos seus grupos, e a única que me abriu as portas e me acolheu foi a Uzyna Uzona. Então fiz valer a pena aquele momento. Porém, antes, a companhia estava na Europa e tive que esperar o retorno do grupo. (...) Então, quando voltaram, aí sim chegou a minha hora de atacar, de ir para a cena. E não tive medo. Como diz a música ‘Surubim’: ‘A minha tribo quando entra na aldeia, índio não faz cara feia nem deixa a flecha cair’”, cantou, referindo-se à música “Canto a ciranda de Feliciano da Paixão, o Surubim”, música do filme “O rei da vela”.

Ídolo

Depois que Zé Celso passou por Manaus, a vida de Mayara mudou. Ela queria trabalhar com o artista paulistano, pois sentia a necessidade disso na sua vida como atriz. “Quando me vi ali com o cara (o Zé), era um sonho que estava se realizando, muita alegria e felicidade estavam dentro de mim. Era até difícil, por ele ser um mito vivo e tão perto de mim. Então como quebrar esse mito e fazer ele ser pessoa? Tive que absorver, praticar antropofagia com o Zé Celso. Comer a pessoa-figura-humana”.

Teatro baré

Sobre o teatro amazonense, a atriz falou que é de guerreiros. “Percebi isso em São Paulo. Somos tão privilegiados por morarmos numa região tão rica, e ao mesmo tempo tão desprivilegiados por estarmos tão longe de tudo, mas, mesmo assim, o teatro existe. Essa é a prova de que o teatro sempre vai existir em qualquer lugar do mundo”, finalizou a artista, que participa hoje de várias produções da Uzyna Uzona.