Publicidade
Entretenimento
Vida

Teatro Experimental do Sesc estreia dois novos espetáculos este mês

Escrita pelo autor e diretor amazonense Márcio Souza, a coleção de mini-histórias entra em cartaz no próximo final de semana, um dia após a estreia do monólogo “Isabel do Brasil”, também do Teatro Experimental do Sesc (Tesc) 05/09/2012 às 11:39
Show 1
Márcio Souza escalou os atores Daniely Peinado, Emerson Nascimento e Dimas Mendonça para encenar as “Rodrigueanas amazônicas”
Mellanie Hasimoto ---

O patético, o absurdo, o ridículo da relação a dois. Esse era um dos temas preferidos de Nelson Rodrigues que, em comemoração ao centerário de seu nascimento, ganha homenagem por meio do espetáculo “Rodrigueanas amazônicas”. Escrita pelo autor e diretor amazonense Márcio Souza, a coleção de mini-histórias entra em cartaz no próximo final de semana, um dia após a estreia do monólogo “Isabel do Brasil”, também do Teatro Experimental do Sesc (Tesc).

Além de muito bem escritas - e descritas com riqueza de detalhes - por Rodrigues, as relações humanas sempre despertam a curiosidade. Nas sete peças curtas escritas e dirigidas por Souza, o público vai poder flagrar o patético em situações tragicômicas das relações a dois (ou três!). “A homenagem a Nelson é clara, como um passeio pelo universo dele, mas procurei trazer os personagens para um mundo moderno, com problemas do século 21, e relações sob nova perspectiva”, explicou o autor.

Cenas modernas
 Intituladas “O presente”, “A verdade e somente a verdade”, “O velório”, “Coisas do amor”, “Uma noite”, “Os anormais”, as seis primeiras cenas tratam de dilemas, amores, excentricidades, luxúria e sexo. Já na última, “O velho e o novo”, Souza realizou um encontro entre Nelsons de duas gerações diferentes. “O ‘novo’ Nelson é um jovem do século 21, criativo, que ama o teatro. O ‘velho’ é o mesmo Nelson de sempre, e ambos conversam sobre o Brasil, que aparentemente nunca muda”, adiantou. “Eles discutem política, e o ‘velho’ chega a dizer que o ‘Brasil é osso duro de roer!’, mas tudo com muita comédia. É uma homenagem a um dos grandes dramaturgos do século 20”, acrescentou Souza. A peça entra em cartaz esta semana, somente para convidados, mas a partir dia 15 já estará aberta ao público.

Poderosa
Antes, na sexta-feira, 7, estréia o monólogo “Isabel do Brasil”, escrito pela goiana Maria José Silveira, e com direção de Márcio Souza. “Por sabermos muito pouco sobre a vida da princesa que regeu cinco anos o Brasil - mais tempo até que a presidente Dilma! - a Maria José resolveu pesquisar documentos inéditos, que estão no Museu Imperial, em Petrópolis, no Rio de Janeiro”. A história foi concebida de forma ficcional, contando uma parte íntima da vida de uma das mulheres mais poderosa das Américas - e uma das nove que governaram durante o século 19 -, com um jogo teatral: a atriz que interpreta a princesa Isabel, Carla Menezes, é negra. “Ela ficou receosa, pensando que estava maluco de colocá-la para interpretar uma branca, velha e desinteressante”, revelou Souza.

 Para os fracos de memória, a princesa assinou a Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil. “Falei que, se ela fosse uma atriz de verdade, aceitaria o desafio”, disse. O texto segue a mesma linha que o Tesc já vinha abordando, ao mostrar personagens conhecidos, mas cuja vida mais íntima era um mistério para o público. “A trilha sonora é composta somente por músicas escrita por negros. No final, a peça é uma grande homenagem a população negra”, declarou o diretor.

Saiba +
As sessões de estreia neste final de semana são somente para convidados, mas, a partir da semana que vem, os ingressos já estão disponíveis para o público, pelo valor de R$ 10, como é prática do Sesc em todo o País. Cada sessão comporta somente 40 pessoas, por isso é bom comprar antecipado. As peças ficam em cartaz até dezembro.

Serviço
O que é: “Isabel do Brasil” e “Rodrigueanas amazônicas”
onde: Tesc (r. Henrique Martins 427 - Centro)
Quando: “Isabel” às sextas, 20h30, “Rodrigueanas” aos sábados, 20h
Quanto: R$ 10