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Teatro: 'Nós, Medeia' entra em cartaz nos palcos de Manaus

Montagem do texto de Zemaria Pinto estreou no Centro de Convivência da Família Magdalena Daou 09/07/2012 às 07:56
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Medeia mítica aparece como uma mulher vingativa e ardilosa
ROSIEL MENDONÇA Manaus

A figura de um garçom surge no palco e oferece bebida à plateia “Estão servidos?”. O personagem é Egeu, da mitologia grega, que convida o público a acompanhar a encenação da peça “Nós, Medeia”, montagem do texto de Zemaria Pinto. “A nossa intenção é desenvolver um teatro participativo, e não de contemplação”, explica o diretor Gerson Albano.

A temporada do espetáculo teve início na sexta-feira, no Centro de Convivência da Família Magdalena Daou, no bairro Santo Antônio. A peça ainda será apresentada mo Centro de Convivência Pe. Pedro Vignola, Cidade Nova, no dia 13, e no Centro de Convivência do Idoso, Aparecida, no dia 19.

Três em uma
Na mitologia, Medeia era filha do rei Eetes, da Cólquida, e esposa de Jasão. A história dela envolve sentimentos contraditórios que desde sempre inspiraram artistas na escultura, pintura, teatro, cinema e ópera. Em “Nós, Medeia”, a personagem principal aparece desdobrada em três.

A Medeia clássica é vingativa e prefere ser chamada de feiticeira a simplesmente ser taxada de tola. Acusada de bruxaria pela Inquisição, a Medeia medieval tem uma ideia diferente de Deus e do prazer. A contemporânea, embriagada e desiludida, se queixa de nunca ter namorado alguém por mais de três meses.

Ariane Feitoza, a atriz que interpreta as três personagens, já havia atuado na adaptação como a Medeia contemporânea. “Toda atriz gosta de desafios, e esse foi mais um para mim. Quando a produtora me chamou pra fazer as três foi um susto, porque não sabia que ela confiava tanto no meu trabalho”, declarou Ariane.

Pontos fortes
Fiel ao texto premiado de Zemaria Pinto, “Nós, Medeia” apresenta um bom trabalho de direção e o elenco de dez atores convence. A sonorização e iluminação garantem os climas tensos. Os silêncios também são muito bem usados durante e entre as cenas do espetáculo.

“Os atores souberam interpretar muito bem. A encenação foi totalmente o que eu imaginava da peça”, afirmou a estudante Luana Sena, que já conhecia a obra. A mãe de Luana, a pedagoga Andreza Sena, se identificou com a Medeia clássica. “Às vezes fico um pouco furiosa com certas situações, mas a razão está aí para ajudar no autocontrole”, confessou.

Desafios superados
Com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, a produção executiva do espetáculo foi comandada por Ednelza Sahfdo e durou cerca de três meses.

Segundo o diretor Gerson Albano, a peça tem um fundo político que reflete as conquistas e dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao longo da história. Para ele, a única dificuldade na montagem foi a adequação de espaços, que impediu o uso dos cenários no palco do Centro de Convivência Magdalena Daou.

“Também ficamos impedidos de usar os espaços laterais do palco nas cenas paralelas. Mas o espetáculo em si não oferece dificuldade. Pelo contrário, é muito gratificante, pois o elenco garante as mudanças”. O diretor planeja ainda montar a peça em praça pública.

Apesar de ter sido fiel à obra original, Albano afirmou que teria a liberdade para modificar o texto escrito por Zemaria Pinto. “Nós, Medeia” foi premiado pela Secertaria de Cultura em 2002.