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Torre do Museu da Amazônia vira ‘point’ para fotógrafos de natureza na Reserva Ducke

Observadores de pássaros e fotógrafos da biodiversidade amazônica ganharam mais um 'equipamento' para esse tipo de hobby ou de atividade profissional 12/07/2014 às 14:00
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A torre de observação do Musa tem 242 degraus e 42 metros de altura
Jornal A Crítica ---

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça: manter olhos e ouvidos atentos para registrar e compartilhar imagens raras pela beleza ou pelo inusitado do momento. Observadores de pássaros e fotógrafos da biodiversidade amazônica ganharam mais um “equipamento” para esse tipo de hobby ou de atividade profissional: a torre de observação do Museu da Amazônia, de 242 degraus e 42 metros de altura. A árvore mais alta do entorno do equipamento tem 33 metros de altura, o que permite uma visão em 360 graus acima da copa das árvores na exuberante floresta da Reserva Adolpho Ducke.

No caso das aves, o resultado tem sido agradáveis surpresas e algumas raridades, geralmente pouco fotografadas por viverem próximo ou na copa das árvores. O veterinário Anselmo d’Affonseca, que há cerca de 10 anos se dedica à fotografia de natureza e coautor de um catálogo de aves da região, tem sido um dos frequentadores mais assíduos do local.

Autor de mais de 10 mil imagens de pássaros da região, Anselmo já registrou, em visitas à torre, imagens raras como da saíra-carijó (Tangara varia) e outras não tão raras como do Trogon melanurus (Swainson, 1838) ou surucuá-de-cauda-preta e do Macuru-de-pescoço-branco, nome científico Notharchus macrorhynchos (Gmelin, 1788), este último atraído por “playback” (que consiste na reprodução de gravações de sons de aves) pousando tranquilamente no parapeito da última plataforma.

Segundo o fotógrafo, isso evidencia a interação das aves com a torre. “Esse local onde foi erguida a torre não poderia ter sido melhor. Parece que esse ponto é uma passagem permanente dos pássaros. É, sem dúvida, o melhor local para fotografar aves aqui na região. Tem dia que a gente chega aqui em cima e não sabe para onde olha, não consegue focar em um só”, explica o profissional.

A torre tem três plataformas. A primeira, a 14 metros; a segunda, a 28 e a última a 42 metros. Com sua experiência, Anselmo dá as dicas para quem quer se entregar ao prazer de fotografar a natureza a partir da torre. “O alto da torre é mais de contemplação da paisagem, mas com sorte pode-se observar gaviões (inclusive o gavião-real que já foi avistado na área), dentre outras espécies, tais como: andorinhões, papagaios, araras, etc., geralmente em voo. A (plataforma) intermediária é a melhor. O movimento mais abaixo é bem menor, apesar de ter bichos superinteressantes do sub-bosque, a partir de 2 metros, onde há um número de espécies menor do que as de copa”, explica.

Raridades

O ornitólogo Robson Czaban, analista ambiental do Ibama de Manaus, que há 30 anos fotografa aves, também já contabiliza registros raros a partir da torre. Carioca, radicado em Manaus há 18 anos, ele tem um acervo com mais de 150 mil imagens de aves de 1,2 mil espécies. Ele conta que no início havia o receio que a torre ficaria distante das árvores, mas as dimensões do equipamento compensam essa distância, pois há espaço suficiente para montar o equipamento de fotografia. “A torre é larga, espaçosa e bem localizada. Permite sempre um bom ângulo, o que resulta em fotografias muito boas, pois a gente pode usar os três elementos (plataformas)”, diz Robson.

A lista de graciosas imagens inclui aves como o Pica-pau-chocolate, nome científico Celeus elegans (Statius Muller, 1776), o Pica-pau-de-colar-dourado, nome científico Veniliornis cassini (Malherbe, 1862) e o Arapaçu-de-bico-vermelho, nome científico Hylexetastes perrotii (Lafresnaye, 1844), registrados por Robson Czaban, também a partir da torre do Musa. Para se ter uma ideia da importância do registro, as fotos estão classificadas entre as “mais difíceis” no site WikiAves (www.wikiaves.com.br).

Para quem se interessar pelo assunto, uma boa fonte de pesquisa é o livro “Aves da Região de Manaus”. A obra de autoria de Anselmo d’ Affonseca, Ingrid Torres de Machado e Mario Conh-Haft reúne 137 das espécies de aves mais prováveis de serem encontradas nos quintais, praças, parques, sítios e destinos turísticos próximos a Manaus.

Regras das visitas

A torre do Museu da Amazônia fica aberta à visitação até o dia 16 de julho, quando fecha para conclusão do serviço de pintura. Os interessados em conhecer o equipamento são organizados em grupos de 15 pessoas e acompanhados por monitores. As visitas são programadas de hora em hora, mas serão canceladas em caso de mau tempo. É obrigatório o uso de tênis ou bota. A idade mínima para uso do equipamento é de 8 anos e menores entre 8 e 14 anos devem ser acompanhados por responsável.

As regras foram estabelecidas para garantir aos visitantes uma subida confortável e segura. O Musa funciona no Jardim Botânico de Manaus, avenida Margarita, s/n – Cidade de Deus, de terça a domingo, das 9h às 17h.

Construída em aço especial, galvanizado, bastante resistente à chuva, ao calor e à umidade natural da região, a torre tem 242 degraus e três plataformas. A árvore mais alta no entorno da torre tem 33 metros.

O Musa aceitará contribuições dos visitantes e os recursos serão utilizados na manutenção do equipamento. Financiada com recursos do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a torre foi concebida para ser uma plataforma de contemplação, mas também de estudos sobre o microclima, fauna e flora em diferentes níveis da floresta.