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Tradição e ritmo do sertão invadem 59º Festival Folclórico do Amazonas

A partir desta segunda-feira (20) seis grupos de danças nordestinas se apresentam ao longo da semana, na disputa pelo título da categoria Prata do festival 19/07/2015 às 19:06
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Grupos mostram que a música nordestina está nas raízes da cultura nortista
ACRITICA.COM ---

Nem só boi-bumbá e quadrilhas dominam a programação do 59º Festival Folclórico do Amazonas, que vem acontecendo em Manaus desde o mês de junho. O ritmo do sertão nordestino também marca presença na arena do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, seja no compasso do baião, xaxado, xote ou do coco.

A partir desta segunda-feira (20) seis grupos de danças nordestinas se apresentam ao longo da semana, na disputa pelo título da categoria Prata do festival, coordenada pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). O 59º Festival Folclórico é realizado pela Prefeitura de Manaus e pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Em suas apresentações, os grupos mostram que a música nordestina está nas raízes da cultura nortista, como apresentará o grupo Cabras de Lampião, um dos mais antigos na competição, fundado em 1960, no bairro da Cachoeirinha.

O atual coordenador do grupo, Pedro Vilhena, conta que o gosto pela dança já passou dele pros filhos, que se envolvem desde cedo no grupo – e até os netos pequenos já têm o ritmo do baião no pé. “Essa já é a quinta ou sexta geração que leva essa cultura nordestina pra frente, dando continuidade ao trabalho do Cabras de Lampião”, conta Pedro.


O grupo Carbas de Lampião produzem suas indumentárias

Hoje com sede na Comunidade da Sharp, no bairro Armando Mendes, zona Leste de Manaus, a dança agrega brincantes até do outro lado da cidade, de bairros como a Praça 14. Para o festival deste ano, o grupo pretende levar cerca de 120 participantes na representação do tema “As Mulheres no Sertão dos Cabras de Lampião”.

“Pretendemos contar a história de três mulheres que foram as pioneiras do cangaço em Manaus como as Marias Bonitas dos festivais nas décadas de 70, 80 e 90: são a dona Bia, a dona Leila Mara e a dona Socorro Trindade. A partir delas, queremos também falar sobre a força da mulher nordestina”, destaca o coordenador do grupo.

Provando que a dança também é questão de família, o filho de Pedro, Rogério Vilhena, já assumiu a responsabilidade de criar os figurinos usados pelos Cabras de Lampião, confeccionados num ateliê improvisado em casa.

“Trabalho já nessa área há doze anos. Quem me ensinou foi justamente a dona Bia, uma das homenageadas, quando fazíamos isso no quintal dela. Depois, eu assumi e, agora, a cada ano procuramos evoluir e aderir coisas novas, sempre se superando”, afirma. Já no repertório, Fagner, Elba Ramalho, Zé Ramalho e o clássico Luiz Gonzaga devem dar o tom da apresentação do grupo, que acontece na quinta-feira, 23, às 22h15.

Ao som de Gonzagão

O Rei do Baião também é presença indispensável na apresentação do Nordeste Sangrento, batizado com esse nome por conta de uma das músicas do cantor e compositor pernambucano. Com mais de 40 anos de existência, o grupo foi fundado em abril de 1964 no bairro da Raiz, e hoje está sediado no bairro do São José, também na zona Leste.


O grupo Nordeste Sangrento faz os próprios figurinos

Seu Edil Lira, coordenador do grupo, já é ’figurinha’ conhecida nos festivais de Manaus, por cantar e soltar um vozeirão comparado ao próprio Luiz Gonzaga.

“Temos nossas próprias letras também, nosso hino, nossas músicas, e, claro, muito Gonzagão. Já tive até muita música lançada e copiada por outros grupos. Fazemos uma dança nordestina legítima, que representa a região com o som e o ritmo de lá”, ressalta Edil. Para o festival deste ano, o grupo leva como tema a seca nordestina. A apresentação do Nordeste Sangrento está marcada para a quarta-feira, 22, a partir das 22h15.

Cangaço com sangue nordestino

O primeiro dos grupos a se apresentar, na noite desta segunda-feira, 20, às 21h35, o Cangaceiros de Aparício teve seu nome emprestado de um dos personagens do livro “Cangaceiros”, de José Lins do Rego. “Eu queria um nome original, e encontrei por acaso folheando o livro num sebo no Centro”, conta Marcos Aguiar, fundador e coordenador da dança, além de costureiro, desenhista e “de tudo um pouco”, como ele mesmo diz.

“Eu procuro falar muito sobre o nordeste, apesar de ser amazonense. Meu gosto pela dança surgiu quando eu era brincante em outro grupo. Por isso, já dizem até que eu sou caboclo com sangue nordestino”, brinca Marcos.

O Cangaceiros de Aparício pretende levar a beleza do mandacaru para a arena este ano. A flor do sertão que só brota à noite é o tema do grupo, que promete surpreender nas fantasias feitas sob medida para o tema. O “Xote das Meninas” de Luiz Gonzaga já está confirmado como um dos destaques da apresentação.

Diversidade cultural dos bairros

Além das danças nordestinas, outros grupos folclóricos da categoria Prata começaram a se apresentar desde a última sexta-feira, 17. As apresentações se estendem até o dia 26, com a Mostra Não Competitiva. Nos primeiros dias de apresentações, os grupos folclóricos mostraram muita energia e superação das dificuldades para entrar na arena do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, resultado do trabalho de meses de preparação.

A primeira quadrilha de duelo a se apresentar na Categoria Prata, Espiões na Roça, do bairro Monte das Oliveiras, foi um bom exemplo disso. Com uma bela apresentação, o enredo tradicional das quadrilhas de duelo ganhou emoção e dinamismo nas encenações do grupo. “Foi muito difícil, mas estamos aqui para mostrar nosso trabalho”, disse o apresentador da quadrilha, Ramon Furtado enquanto organizava os brincantes na entrada da arena.

Nos primeiros dias da Categoria Prata, grupos de dança do café, cacetinho, quadrilhas, tribos, danças tradicionais e alternativas ocuparam o Centro Cultural do Povos da Amazônia com as cores e alegria do folclore dos bairros de Manaus. A partir desta segunda-feira, 20, garrotes e danças nordestinas integram a programação do 59º Festival Folclórico do Amazonas.

O Festival é realizado através de parceria entre a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC). A Manauscult coordena a categoria Prata, enquanto a SEC é responsável pela Ouro.

Programação do dia 20/07 (segunda), às 20h:

20h às 20h45 – Garrote Regional Renascer

20h50 às 21h30 – Quadrilha Tradicional Olinda na Roça

21h35 às 22h15 – Dança Nordestina Cangaceiros de Aparício

22h20 às 23h – Quadrilha Cômica Fiapos na Roça

23h05 às 23h45 – Quadrilha Tradicional Meu Reino na Roça

23h50 às 00h30 – Quadrilha Tradicional Explosão Junina na Roça

*Com informações da assessoria de imprensa