Publicidade
Entretenimento
Vida

Transgêneros ganham espaço no universo de entretenimento

As atenções em Hollywood continuam se voltando aos transgêneros, cada vez mais presente no universo do entretenimento, como a modelo brasileira Lea T e Laverne Cox, estrela de “Orange is the new black” 25/04/2015 às 10:13
Show 1
Na Revista OUT Laverne Cox ocupa o 9º lugar na lista das 50 personalidades LGBT mais influentes
Gabriel Machado Manaus (AM)

Na última sexta-feira, foi ao ar nos Estados Unidos a tão polêmica e aguardada entrevista do ex-atleta olímpico Bruce Jenner, a primeira desde que o mesmo resolveu mudar de gênero. Ainda na semana passada, o jornal New York Daily News havia publicado em primeira mão uma foto do padrasto de Kim Kardashian usando um longo vestido listrado, enquanto fumava um cigarro na área externa de sua mansão em Malibu, Los Angeles.

A tão conturbada transformação de Bruce em mulher fez com que as atenções em Hollywood se voltassem, novamente, à comunidade transgênera, cada vez mais presente no universo do entretenimento - seja no andar da modelo brasileira Lea T, no aclamado seriado da Amazon “Transparent” ou nas curvas de Laverne Cox, estrela de “Orange is the new black”, do Netflix.

Esta última, por sinal, deu o que falar no passado. Aproveitando o sucesso da série do serviço de streaming e da sua personagem, a prisioneira Sophia Burset, a atriz resolveu usar a sua fama para envolver o público norte-americano nos problemas sociais que assombram a comunidade T, ainda muito marginalizada em todo o mundo. Tópicos como transição sexual e identidade, além da falta de acesso da comunidade trans a direitos civis básicos, ganharam destaque nos principais periódicos do país.

Logo de cara, quebrou tabus e foi a primeira trans a estampar a capa da conceituada revista Time. A edição lançada em junho de 2014 afirmava, inclusive, que os direitos da população transgênera são a próxima fronteira dos direitos humanos. Insatisfeita, logo depois, Laverne derrubou outra barreira: conseguiu ser indicada ao Emmy na categoria de Melhor Atriz (novamente, a primeira da história).

“Foi muito importante para mim ser indicada ao Emmy e me sinto realizada com meu trabalho de atriz, mas não é só porque uma transexual está tendo um ótimo ano que todas estão. Eu estou ótima, mas outros estão morrendo. Enquanto estou na capa da ‘Time’, trans ao redor do mundo estão sendo estigmatizados, brutalizados e mortos”, protestou, na época. “Há 16 anos, quando comecei a minha transição, eu achava que teria que lutar para me adequar, desaparecer na multidão. Mas não fiz isso, tive que assumir o que sou. Parei de ver minha identidade como um déficit, e sim como algo especial, único”, completou, ao portal Lado Bi.

No final daquele mesmo ano, Laverne produziu e apresentou, na MTV, o documentário “Laverne Cox e o Mundo Trans”. Na produção, ela mostrou como é a vida de sete transexuais que vivem nos Estados Unidos, suas histórias incríveis e como a sua determinação em viver uma vida autêntica os ajudou na busca pela felicidade. Já em 2015, além de retornar à pele de Sophia, em “Orange is the new black”, a atriz foi eleita uma das pessoas mais bonitas e influentes do mundo pelas revistas People e Time, respectivamente, e posou nua para a Allure Magazine.

“Eu senti que isso poderia ser realmente poderoso para as comunidades que eu represento. Não é sempre que dizem que as mulheres negras são bonitas, a menos que elas se encaixem em determinados padrões. Às mulheres trans, então, não é dito nunca que são bonitas. Ver uma mulher negra e transexual abraçar a causa e amar tudo sobre si mesma pode ser inspirador para outras pessoas. Há beleza nas coisas que achamos que são imperfeitas. Isso soa muito clichê, mas é verdade”, disse à publicação.

O sucesso de Lea T

O Brasil também possui suas representantes trans no mundo do entretenimento, como é o caso da modelo e estilista Lea T, filha do ex-jogador da seleção brasileira de futebol Toninho Cerezo. Ainda na adolescência, a herdeira do craque já se dava conta que não era um menino comum e começou a sua transformação quando se mudou para a Itália, país onde teve sua introdução ao universo da moda. Ganhou os olhares do mundo quando, em 2011, foi capa da revista britânica Love, na qual aparece beijando a modelo Kate Moss. Naquele mesmo ano, desfilou como convidada no São Paulo Fashion Week e, logo depois, foi entrevistada por Oprah Winfrey, magnata da TV estadunidense.

No bate-papo, Lea falou abertamente sobre sexualidade, discriminação e carreira. “Eu gostaria de poder aceitar meu corpo como o de um homem. Acho que minha vida seria muito mais fácil e seria menos doloroso para minha família. Mas é algo dentro do meu cérebro. Medicamente, é um transtorno. Eu tentei viver como um gay, como todo transexual tenta, porque é mais fácil, mas no fim das contas, quando você vai ao médico, vê que não tem homossexualidade alguma. Seu cérebro é como se fosse o de uma mulher. Quando se é transexual, você se sente realmente uma mulher”, revelou à Oprah.

Dois anos depois, em março de 2013, a modelo viajou à Tailândia, onde se submeteu à cirurgia de mudança de sexo. Na ocasião, ela contou que teve de ficar internada por 45 dias no hospital após o procedimento. “Passei um mês sentindo dor. Não aconselho isso a ninguém. Eu achava que a minha felicidade era embasada na cirurgia. Mas não foi. Não é isso”, apontou. Este ano, além de ser referência mundial no ramo em que atua, Lea foi eleita pela Forbes como sendo uma das 12 mulheres que mudaram a moda italiana e faz a sua estreia em novelas na trama de Walcyr Carrasco “Verdades secretas”.

Pioneira

Bem antes de Lea T ou Laverne Cox estourarem, no entanto, outra mulher já cravava seu espaço no mundo do entretenimento como uma transexual. Nos anos 1980, Roberta Gambine Moreira, conhecida como Roberta Close, foi a musa do verão, passista de escola de samba, estampou capas de revistas masculinas e, de certa forma, mostrou um novo lado da comunidade transgenêro - longe dos cadernos policiais. Ela é dona do título de primeira modelo transexual a posar nua na Playboy.