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Único cinema de Itacoatiara resiste à dificuldades e celebra reinauguração

Mesmo exibindo os principais lançamentos do circuito cinematográfico, o Cine Theatro de Itacoatiara esbarra numa dificuldade crucial: a população da cidade, que passa dos 89 mil habitantes, frequenta pouco o espaço 15/12/2012 às 10:31
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Prédio foi inventariado pelo Iphan como patrimônio histórico da cidade
rosiel mendonça ---

Localizado no município de Itacoatiara, a 265 quilômetros da capital, o Cine Theatro Dib Barbosa vai completar três anos de reinauguração na próxima terça-feira, dia 18, e permanece como o único cinema de rua em atividade no interior do Amazonas. Para celebrar a data, o proprietário da casa, Júlio Dib, não pensou em economia: a comemoração começou hoje, às 5h, com uma Alvorada e queima de fogos, e segue às 18h30 com um coquetel e uma sessão do filme “Amanhecer – parte 2”, às 19h30.

Mesmo exibindo os principais lançamentos do circuito cinematográfico, o Cine Theatro de Itacoatiara esbarra numa dificuldade crucial: a população da cidade, que passa dos 89 mil habitantes, frequenta pouco o espaço. “Depois de 30 anos sem cinema, o pessoal esqueceu como era. Além disso, a pirataria é muito forte na cidade. Apesar das apreensões, a venda continua nos mercados e nas esquinas”, contou o proprietário, filho do fundador, que dá nome ao cinema.

Apesar de a casa ter capacidade para 200 pessoas, as exibições únicas e diárias acontecem mesmo se houver no mínimo dez pessoas na plateia - o que nem sempre acontece. Com a bilheteria de “Amanhecer”, pelo menos, Júlio Dib conseguiu pagar o frete da película e o salário atrasado dos dois funcionários. O longa “Gonzaga, de pai pra filho” rendeu bilheteria de R$ 800 nas duas semanas em que ficou em cartaz.

GESTÃO FAMILIAR

Para contornar as dificuldades, toda a família Barbosa ajuda a tocar o empreendimento desde a sua reinauguração – sonho que o fundador não conseguiu ver concretizado em vida. “Queremos sensibilizar o poder público e a iniciativa privada para que Itacoatiara não seja ‘a cidade do já teve’. Mas também ninguém quer apoio de graça, seria uma relação de permuta. A Secretaria de Estado de Cultura poderia usar o espaço para diversas atividades, sem despesa com limpeza ou energia”, garantiu Júlio Dib.

Em abril deste ano, o secretário Robério Braga assumiu o compromisso, a partir de um projeto apresentado pelo deputado estadual Tony Medeiros (PSL), de fechar parceria com o Cine Theatro Dib Barbosa – o que, segundo o proprietário, ainda não aconteceu. O titular da SEC, no entanto, declarou que não faltou vontade política, mas a questão esbarrou nos interesses da família Barbosa.

PROPOSTA

“Fizemos várias reuniões de trabalho, mas não chegamos a um denominador porque a forma como o Estado pode atuar, não está interessando à administração. Fizemos estudos no município e no cinema, que está em ótimas condições, e a proposta era a de alugar o prédio e transformá-lo num cine teatro, com várias atividades artísticas gratuitas. Mas a família não quer abrir mão da cobrança de ingressos, e o Estado não pode ser sócio de uma empresa privada”, justificou Robério Braga.

O secretário atribui a resistência da família à relação sentimental com o empreendimento. “Aquilo é uma jóia para a família, que quer conservar a sua tradição. Mas, do ponto de vista técnico e jurídico, um convênio não é possível, porque eles são uma entidade comercial”, complementou. “A SEC continua aberta a buscar alternativas legais para preservar o cinema e estimular a atividade dele”, concluiu Braga.