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Mania celulares

Vício de celular pode gerar transtorno de comportamento diz especialista

Transtorno afeta quem não consegue se desconectar do celular 25/04/2012 às 12:54
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Empilhar os celulares pode ser a solução
Luana Ribeiro Manaus

No restaurante, enquanto os amigos estão conversando, o contabilista Eduardo Vitalino fica grudado no celular vendo as atualizações das redes sociais. “Eles reclamam e dizem que eu não interajo”, conta. A cena já virou comum em muitas rodinhas de amigos, sempre há alguém que se isola do grupo e fica concentrado no que rola no mundo virtual.

 A situação piora quando todos param a conversa e cada um pega seu celular. O silêncio toma conta da mesa de um bar, por exemplo, onde as pessoas normalmente se reúnem para bater papo. “Meus amigos são tão viciados quanto eu, quem não usa ou não tem smartphone é que fica chateado por causa desse vício em celular”, revela Fabíola Alves, assumidamente dependente do aparelho.

Essa relação de dependência e a incapacidade de ficar um minuto sem o celular já tem até nome: nomofobia. O termo é uma contração oriunda do inglês “no mobile phobia”, que afeta principalmente os viciados em redes sociais que não suportam ficar offline.

Vício

 “Eu passo o dia inteiro no telefone, vendo e-mail, redes sociais, sites diversos e qualquer dúvida que eu tenho, coloco no google”, confessa Eduardo. Ele conta que já passou apuros sem o celular. “Fui a um compromisso e quando percebi que eu estava sem meu celular fui correndo para o carro vê se estava lá, quando vi que não fiquei louco”, conta. “Voltei para casa na hora, e quando cheguei ele estava em cima da cama. No final acabei perdendo um evento por causa disso”, lamenta.

 Fabíola diz que fica em desespero quando o celular descarrega. Prevenida, ela leva o carregador para onde vai. “Tenho na bolsa, no carro e um para carregar no computador”, diz.
Mas Eduardo e Fabíola não estão sozinhos nesse vício. Uma pesquisa divulgada pela Intel revela dados impressionantes sobre a relação das pessoas com o celular. O estudo, realizado em diferentes países, revelou que 40% das pessoas ficam 24h por dia e sete dias por semana com seus celulares.

A pesquisa aponta também que os sul-americanos (incluindo os brasileiros) são os que mais compartilham fotos e vídeos pelo telefone. A sondagem ainda revelou que 20% das pessoas preferem perder a bolsa ou a carteira do que o celular, 43% delas acham que seu telefone reflete seu estilo pessoal e 50% acredita que sua vida social seria muito pior sem um smartphone.

Conflitos

“A nomofobia é um transtorno novo, mas é como outra fobia qualquer”, afirma psicóloga Maria Graciete. “Tudo parte de um condicionamento. A pessoa transforma um hábito em necessidade e quando alguma coisa acontece, e mexe com isso, você tem que se reformular e adaptar, mas tem pessoas que simplesmente não conseguem fazer isso, não conseguem encarar mudanças e se desestruturam”, explica.

A especialista diz que no tratamento de fobia no consultório é trabalhada a maneira de pensar e agir do paciente. “A pessoa diz 'eu não consigo', mas aos poucos vai confrontando isso e vê que é possível sim”, diz. “Alguns criam uma necessidade de algo, sem necessariamente ter. Antes se vivia tranquilamente sem celular, mas o mundo foi mudando e nos fomos nos habituando às novas tecnologias. Mas isso não quer dizer que não podemos viver sem ela”, completa.

Faça com seus amigos

Cansado de ser interrompido pelo celular durante uma conversa? O “Phone Stacking”, pode ser a solução.

A brincadeira que vem se popularizando nas mesas de bar é uma forma de punir aquele amigo que não desgruda do telefone.

A regra é simples. Quando vocês se sentarem, coloquem todos os celulares num canto da mesa. A ideia é que ninguém mexa no celular até o happy hour ou jantar acabar, nem mesmo se ele tocar. Não vale nem olhar para a tela. Quem checar o celular primeiro, paga a conta.