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Videolaparoscopia reduz as chances de paciente com câncer de próstata ter problemas de disfunção erétil

Pesquisa compara o método convencional, de cirurgia por via aberta, com a videolaparoscopia 21/03/2013 às 16:56
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A pesquisa compara o método convencional, de cirurgia por via aberta, com a videolaparoscopia
acritica.com* ---

Entre os benefícios da cirurgia videolaparoscópica (procedimento minimamente invasivo feito a partir de pinças e uma microcâmera) para a retirada da próstata em pacientes com câncer nessa região, está a redução das chances de o portador sofrer, futuramente, com problemas de disfunção erétil, um dos maiores temores dos homens que passam pelo tratamento contra a doença.

A constatação foi feita pela acadêmica de medicina Larissa Pires de Oliveira, a partir da pesquisa ‘Estudo prospectivo randomizado comparando as técnicas de prostatectomia radical retropúbica e laparoscópica’.  A pesquisa compara o método convencional, de cirurgia por via aberta, com a videolaparoscopia.

Este e outros 35 trabalhos de bolsistas inseridos no Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic-2013), desenvolvido pela Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão do Governo do Estado,  estão sendo avaliados, entre esta quinta-feira e a próxima sexta-feira (22/03), por uma banca formada pelo pesquisador sênior da FCecon e membro da Universidade de São Paulo (USP), José Eduardo Levi, e pela doutora Maria Paula Mourão, pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, órgão que também faz parte da rede estadual de saúde.

O Paic é desenvolvido pelo Departamento de Ensino e Pesquisa da FCecon e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam). No caso da acadêmica Larissa Peres, a comparação entre a cirurgia retropública - cuja abertura para a retirada da próstata é maior - e a laparoscópica - onde o procedimento é feito por três incisões de um centímetro cada e utilizando microcâmera -, conforme o resultado preliminar, esta última opção resulta, ainda, na redução do sangramento durante o procedimento, além de menor tempo de hospitalização e redução das chances de contrair infecções.

Já a acadêmica Tyane de Almeida abordou o seguinte questionamento: ‘Há melhora da função erétil em pacientes com câncer de próstata localizado submetidos à prostatectomia radical retropúbica utilizando lupa cirúrgica?’.  De acordo com ela, a utilização da lupa no procedimento diminui, por exemplo, as chances de lesões no nervo durante a cirurgia.

Ela também destacou que no procedimento por via aberta, ou seja, pelo método convencional, as chances de resultar na disfunção erétil são maiores. Entre os dados considerados no estudo está o aumento no número de casos de câncer de próstata nos últimos 20 anos no País além de dados internacionais sobre a doença.

A bolsista Thaís Caroline Sales Raposo, que aborda em sua pesquisa o tema ‘Estudo prospectivo randomizado comparando linfadenectomia inguinal convencional versus linfadenectomia inguinal vídeo endoscópica no tratamento de tumor de pênis invasivo’, apontou em seu resultado preliminar que a cirurgia com a utilização de câmeras e menos invasiva para a retirada de linfonodos (gânglios que fazem parte do sistema linfático, o qual atua na defesa do organismo) produz melhores resultados aos pacientes, já que, entre os casos analisados, 20% apenas das linfanedectomias inguinais (retiradas dos gânglios) apresentaram complicações contra 50% nos casos das cirurgias convencionais. Neste caso, o sangramento e o tempo de internação também foram menores.

Os três acadêmicos são orientados pelo urologista Cristiano Paiva, médico da FCecon. As cirurgias videolaparoscópicas são realizadas desde 2012 na Fundação e, na maioria dos casos, apresentaram resultados positivos, como rápida recuperação do paciente e diminuição da dor no pós-cirúrgico se comparado aos procedimentos convencionais.

Avaliação

Para o pesquisador da USP, José Eduardo Levi, que acompanhou a avaliou os projetos, o saldo foi positivo, uma vez que o número de acadêmicos ingressando na área científica a partir do Paic na FCecon reflete um aumento significativo na produção desses estudos.

“Alguns projetos visam à melhoria da infraestrutura das instituições, o que é positivo”, disse. Ele lembrou que as pesquisas poderão sem ampliadas com a implantação do Laboratório de Oncologia Molecular, projeto em fase de desenvolvimento na FCecon.

A diretora de Ensino e Pesquisa da Fundação, Kátia Luz Torres, disse que o Paic, implantado em 2011 na instituição, tem como principal objetivo fortalecer e constituir novas linhas de pesquisa no hospital. “Cem por cento dos trabalhos são voltados à melhoria de vida do paciente oncológico, já que abordam temas como fatores de risco e tratamentos”, destacou.

Os estudos realizados pelos acadêmicos têm como base dados estatísticos da FCecon e procedimentos práticos realizados no Centro Cirúrgico do hospital, bem como, informações sobre a evolução do tratamento fornecidas por vários setores da instituição.

Os trabalhos desta edição do Paic serão concluídos em julho, quando passarão pela avaliação final de uma banca de doutores e, posteriormente, terão os resultados publicados.

*Com informações de assessoria