Publicidade
Entretenimento
EM MANAUS

Violonista Sebastião Tapajós fala sobre música incluída em trilha sonora de novela

Músico se apresenta no Teatro Amazonas nesta terça-feira (5) em programação gratuita que integra a sétima edição do Festival Música na Estrada 04/12/2017 às 13:44 - Atualizado em 05/12/2017 às 09:24
Show sebasti o tapaj s foto alan soares
Sebastião e quinteto apresentam o show “Por entre as árvores” (Alan Soares/Divulgação)
acritica.com Manaus (AM)

Nos intervalos de uma agenda que inclui shows e turnês pelo Brasil e por diversos países mundo afora, o violonista e compositor Sebastião Tapajós dedica todo o tempo livre à casa no Pajuçara, em Santarém (PA). Da varanda, por entre as árvores, ele divisa o rio do qual emprestou o sobrenome e que ele aponta aos amigos como sua “piscina de 20 quilômetros de largura”. Daí veio o nome do show que o ícone paraense apresenta no Teatro Amazonas nesta terça-feira (5) às 20h, dentro da agenda do 7º Festival Música na Estrada.

Em “Por entre as árvores”, inspirado pelo vislumbre amazônico e acompanhado de seu quinteto, Sebastião Tapajós reúne composições de sua produção mais recente, incluindo “Rei Solano”. “É de um disco chamado ‘Aos da guitarrada’ (2013), que fiz em homenagem aos mestres do gênero”, comenta ele. Esse ano, a canção foi trilha da novela global “A força do querer” e virou hit, pegando até o músico meio de surpresa. “Foi uma nota positiva, porque é tão difícil simpatizarem com alguma coisa!”. Confira a entrevista:

Que repertório vai trazer para a apresentação em Manaus?

A cada apresentação tenho um tipo de repertório, e para esse show em quinteto será um repertório autoral. São principalmente músicas que fiz nos últimos tempos, algumas nem gravadas ainda. Tem “Por entre as árvores”, que é a música que dá nome ao show, e também “Tributo à Edna Savaget”, “Anacã”, “Arariá”, “Amigos do Recife”, entre outras.

Quem o inspirou a querer se tornar violonista, ainda criança?

Tinha uma rádio em Santarém (PA), a Rádio Clube, ZYR9, que era a única informação que a gente tinha das coisas que estavam acontecendo fora da cidade. Ali eu ouvia Dilermando Reis, Garoto (Anibal Augusto Sardinha) e outros grandes violonistas. E me entusiasmei quando ouvi o violão. Meu pai gostava de música, mas minha mãe não queria que eu fosse músico. Só depois foi que ela começou a aceitar.

Você lança álbuns de forma independente desde os anos 1990. Como é sua relação com a indústria fonográfica?

Minha relação sempre foi ótima com todo mundo na música. Gravei muitos discos pela Forma, que era um braço da Philips Records, pela RCA. Então as gravadoras praticamente acabaram, e hoje a gente vai fazendo o que dá para fazer. Mas hoje tem também Youtube, e um monte de coisas que eu nem imaginava. Hoje se tem mais informação.

Como avalia que o cenário musi-cal brasi-leiro mudou ao longo de sua trajetória?

O cenário musical tende a melhorar cada vez mais, porque falta de informação não existe. Você pega os “tapes” no Youtube, como disse antes, e assim até eu! (risos) Penso que deve haver uma evolução daí. Da atualidade, tem muita gente boa, como o Yamandú Costa, que tem muita técnica e é um fenômeno.

Entre a casa na beira do rio Tapajós e os shows pelo Brasil e pelo mundo, como é o seu cotidiano hoje?

Por enquanto continuo viajando muito, mas quando estou em casa, é compondo o tempo todo. Todo dia componho alguma coisa. Pego no violão, estou compondo. É uma coisa livre.

Seu nome é consagrado na Europa. A música brasileira lá faz mais sucesso que aqui, a seu ver? É possível comparar?

Acho que não compara. Mas lá fora eles dão mais valor, pois é uma música que tem consistência. E essa mistura de ritmos e de folclore, isso dá uma abertura maior para a querência do povo em geral. A música brasileira é muito bem aceita lá fora em geral. Em Viena, em Hamburgo, já fiz shows de voltar oito vezes para o bis! É a força da música também, além do lugar.

Sua música foi trilha da novela “A força do querer”. O que achou dessa visibilidade da TV?

Foi uma nota positiva, porque é tão difícil simpatizarem com alguma coisa! Foi maravilhoso para a minha vida. E outra coisa: a Globo é muito correta com direito autoral. Podemos estar na China, mas eles nos localizam para pedir autorização e pagar. Assisti ao que pude da novela, e minha música tocou muito, desde a chamada até o final. Devemos tocar essa música (“Rei Solano”) também no show aí em Manaus. É de um disco chamado “Aos da guitarrada” (2013), que fiz em homenagem aos mestres do gênero.