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Volte no tempo: conheça a história do ciclo da borracha no Museu do Seringal

O museu foi construído para a produção do longa-metragem "A Selva". Após as gravações, o local começou a funcionar para visitações. Confira como conhecer o espaço 21/01/2018 às 17:22
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O lugar é uma réplica de um seringal localizado no Rio Madeira, no município de Humaitá (Fotos: Michael Dantas/SEC)
Amanda Guimarães Manaus (AM)

A mão-de-obra utilizada para a extração do látex nos seringais durante o Ciclo da Borracha era feita com a contratação de trabalhadores vindos, principalmente, da região nordeste para a região amazônica. O cenário vivido pelo homem do seringal é conhecido por meio dos livros e aulas de história, mas também é apresentado por meio de ambientações da época no Museu do Seringal Vila Paraíso, localizado às margens do igarapé São João, afluente do igarapé Tarumã Mirim, na Zona Rural de Manaus.

O local foi construído em 2001 para a produção do longa-metragem “A Selva”, estrelado pela atriz Maitê Proença e baseado no romance homônimo de Ferreira de Castro.  Após as gravações, a Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas (SEC) decidiu abrir como museu para contar a história do auge da valorização da borracha e a sua importância econômica. O espaço é uma réplica de um seringal localizado no Rio Madeira, no município de Humaitá.

Uma das guias do local, Marilene Batista, afirma que o turista vai se arrepender caso venha para Manaus e não conheça o Museu do Seringal. “O turista que vem para Manaus e não conhece a história e origem da cidade sai com um vazio. Mas se ele vier no Museu do Seringal isso não vai acontecer, porque a viagem no tempo não começa quando ele chega aqui, mas desde quando pega a lancha e sai aproveitando as passagens da Amazônia”, destacou.

Marilene explica que visitar o museu é uma oportunidade para conhecer de perto a realidade vivida pelos seringueiros na produção da borracha. O passeio dura cerca de 40 minutos.

“Aqui o turista conhece a história da época da borracha, onde Manaus foi construída. Ele conhece a casa do coronel. Depois conhecem o barracão de aviamento, a capela, o banho da Dona Yayá, a casa de farinha, tapiri da defumação, entre outros locais”, ressaltou a guia.

Primeira parada

Para entrar na época do seringal, seringalista e seringueiro,o público precisa fazer uma viagem de 20 minutos de lancha. É neste momento que a visita ao Ciclo da Borracha começa, pois representa a chegada do nordestino a solo amazônico entre os anos 1870 a 1912. Logo na saída da embarcação, é possível avistar o museu ao lado da floresta, das águas do Rio Negro e de construções de madeiras.

O primeiro ponto de visita é o Casarão do Seringalista. Com o objetivo de retratar como os coronéis viviam em plena selva amazônica, a residência é montada com réplicas de peças de prata, porcelana portuguesa e cristais italianos. Nas paredes, os visitantes podem encontrar telas que eram pintadas na Europa e trazidas para Manaus. Vasos da China, Japão e Portugal decoram a sala.

Armazém e capela

Do lado do casarão, o visitante pode conferir o Armazém do Coronel, também conhecido como Barracão do Aviamento. Montado de equipamentos e de mantimentos, como arroz e feijão, o local faz que o público conheça de perto a realidade do seringueiro que para se alimentar ou pegar qualquer outro material precisava utilizar a borracha como moeda.

Na Capela de Nossa Senhora de Conceição, a fé do seringueiro também é retrada de forma ambiental no Museu Vila Paraíso. O lugar é montado com bancos amarelos, uma imagem de Nossa Senhora e quadros com as fotos de Jesus.

Casa de banho e trilha

Outro ponto de visitação é a Casa de Banho das Mulheres, conhecido como ‘Banho da Dona. Yayá’, personagem interpretado por Maitê Proença no filme A Selva. Como não existia banheiro na época, uma casa de madeira era construída na beira do Rio Negro com uma banheira e água vinda da Europa.

Ainda o público confere uma trilha que os seringueiros utilizavam para chegarem até os seus pontos de trabalho. Uma demonstração de como o material era retirado da árvore também é feita por um dos guias.

Trabalho do seringueiro era árduo

No meio da trilha, o visitante também confere a Casa do Seringueiro e a Tapiri de Defumação. A primeira retrata como o homem do seringal vivia de uma forma diferente do Barão. Enquanto um era caracterizado pela riqueza, o outro era apresentando pela pobreza.

Ao lado da Casa do Seringueiro, o público consegue imaginar a produção da borracha no Tapiri de Defumação. Após retirarem o látex das seringueiras, os nordestinos passavam horas trabalhando no local para bater a média do produto por dia.

Última parada

Durante o passeio, um dos últimos pontos de parada é um Cemitério cenográfico onde “eram enterrados “, os seringueiros que morriam por tuberculose e por ataques de animais. Ainda na trilha, o guia apresenta a casa do capataz, que era o homem responsável por comandar a produção da borracha.

Na parte final da visitação, o público conhece uma Casa de Farinha. O local era utilizado pelos seringueiros quando chovia e eles não podiam se deslocar até as seringueiras.

Turista aproveita

Conhecendo Manaus pela primeira vez, a turista Teresinha Mengard, de 68 anos, comentou que tinha estudado sobre o ciclo da borracha, mas apenas depois de visitar o Museu Vila Paraíso conhenceu a realidade dos trabalhadores. 

“Na verdade, eu estudei há tanto tempo sobre tudo isso (ciclo da borracha). Hoje eu vi que era uma coisa totalmente diferente, além de ser muito sofrido. Tudo isso me tocou muito. Naquela época as coisas não eram fácies e atualmente estamos usufruindo deste primeiro trabalho”, disse emocionada, a turista que reside no município de São Bento do Sul, no Estado de Santa Catarina.

Como faço para visitar?

O Museu Vila Paraíso funciona de domingo a domingo, das 8h às 16h. Para conhecer o local, cada pessoa precisa pagar uma taxa de R$ 5. “As pessoas que quiserem conhecer o museu podem procurar a Marina do Davi, pois eles têm uma associação que tem barcos que fazem linha até aqui. O valor do trecho é R$ 14. Então, você precisa pagar esse valor na ida e na volta”, afirmou o gerente do Vila Paraíso, Rafael Amazonas.

Ainda segundo Rafael, a procura de visitantes está crescendo cada vez mais. “Percebemos que as pessoas estão prestigiando a nossa história. A procura nas férias está aquecendo. Estamos esperando fechar esse mês com o relatório de visita de mais de mil pessoas”, completou.

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