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MÚSICA

Cantor e compositor Zé Eduardo vai da MPB ao blues em novo álbum

“Música Para Balançar” é o primeiro CD autoral da carreira de mais de 20 anos do cantor consagrado na noite paulistana 08/02/2018 às 07:12 - Atualizado em 08/02/2018 às 08:58
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Trabalho foi feito em parceria com o produtor musical Rafa Moraes e conta com colaboração de doze músicos, incluindo um amazonense (Foto: Divulgação)
Juan Gabriel Manaus, AM

Há mais de 20 anos transitando na cena alternativa de São Paulo, o cantor e compositor Zé Eduardo percebeu que era o momento certo para dar novos rumos à carreira. Intérprete durante boa parte dessa trajetória, declarou independência e pôs pra jogo 12 canções autorais inéditas que dão forma ao primeiro CD autoral de sua carreira solo, o álbum “Música Para Balançar”, com previsão de lançamento para depois do Carnaval, ainda sem data definida.

O disco representa bem o legado que Zé construiu durante as duas décadas que se apresentou por casas noturnas e espaços culturais na capital paulista. Vindo da MPB, quis expressar o amor ao gênero brasileiro batizando o trabalho com um novo significado para a sigla. No disco, Zé aposta em explorar sonoridades que vão da música popular brasileira até um blues mais “abrasileirado”.

“Como sempre fiz muitos bailes com clássicos da MPB dançante, sempre com o intuito de por a galera pra dançar e cantar, quis também colocar isso no trabalho, muito suingue, balanço e energia”, diz o músico que afirma ter adicionado a essa mistura, uma pitada do amor ao blues, gênero que lhe abriu portas no início da carreira. “Ouvi muito Eric Clapton e B. B. King. Muitos não sabem, mas quando subi a primeira vez pra tocar profissionalmente foi tocando gaita em uma banda de blues”, conta Zé.

As influências de Zé Eduardo desfilam entre o gênero norte-americano e se integram a nomes conhecidos da música brasileira como Luiz Gonzaga, Martinho da Vila, Roberto Carlos e aquele que Zé diz ser sua principal referência, o cantor Tim Maia. 

Parcerias

Para conseguir controlar essa dosagem de sonoridades sem deixar a proposta do álbum de lado, o músico contou com o apoio do produtor e parceiro de longa data Rafa Moraes.

A parceria foi essencial do início ao fim da produção das doze faixas, mas não foi a única. Junto ao faro musical de Rafa, Zé contou com o auxilio de outros doze artistas escolhidos a dedo, todos vindos de diferentes vertentes, lugares e especialidades que se uniram para dar vida ao álbum. O resultado dessa mistura fez do trabalho um disco cheio de sabores e sotaques. 

“O convite dos artistas muito foi por conta de amizade e é claro, talento. Cada faixa eu e Rafa Moraes sentávamos e escolhíamos a dedo quem mais tinha a ver com a canção e íamos chamando. O resultado não poderia ser melhor”, diz Zé que revela ter buscado um dos ingredientes da mistura na capital amazonense. “Inclusive tem um músico de Manaus que gravou com a gente, trata-se do baixista Serginho Carvalho”, conta o cantor.

Do início ao fim da produção foram três anos de pura entrega. O processo começou na reunião de algumas letras que Zé tinha guardadas em casa e partiu dos amigos que as ouviam o impulso para a nova empreitada. A ideia a princípio era reunir quatro canções autorais e outras quatro de compositores amigos. De oito músicas, partiu pra doze e conforme o projeto avançava, as expectativas ficavam maiores. “Foram chegando tantas músicas lindas que doze faixas acabaram até ficando pouco, tive que deixar de fora canções belíssimas com dor no coração”, diz.

Zé, o sobrevivente

As andanças pela cena musical ao longo de duas décadas deu a Zé a capacidade de perceber as inúmeras mutações que o mercado da música sofre – e principalmente seus impactos em quem insiste em permanecer fiel e irredutível a elas. Mais do que só perceber, Zé fez questão de ficar, resistir e residir em uma vertente que perdeu espaço na indústria, fazendo com que hoje ele possa se auto-aclamar um sobrevivente da nova MPB.

“É, realmente o cenário da música brasileira mudou e muito nesses últimos 20 anos. Houve uma avalanche de música sertaneja, pagode e do funk carioca. Diria que não foi nada fácil (sobreviver), mas quando se faz com amor e cantando a sua verdade nada pode me parar”, finaliza o cantor.

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