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Zelito Viana é o homenageado do Amazonas Film Festival

Para o cineasta, é muito gratificante poder participar de um festival como o AFF na posição de homenageado e presidente de honra 01/11/2012 às 08:06
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Zelito Viana produziu o documentário 'Terra dos Índios' em 1978
Rosiel Mendonça Manaus, AM

A nona edição do Amazonas Film Festival (AFF) começa no próximo sábado, dia 3, em grande estilo. Logo após a cerimônia de abertura, marcada para começar às 19h30, o palco do Teatro Amazonas vai dar lugar a uma homenagem ao presidente de honra desta edição, o premiado cineasta Zelito Viana. No dia seguinte, às 10h30, o teatro também vai receber uma sessão especial do filme "Villa-Lobos, uma vida de paixão", produzido e dirigido por Viana em 2000.

O cineasta acredita que vai estar muito bem representado com esse filme, ao qual ele dedicou 15 anos de empenho. “No ranking das minhas produções, 'Villa-Lobos' é possivelmente o melhor e mais importante que eu já fiz”, contou Viana, que produziu o longa para o quincentenário do descobrimento do Brasil.

Para o cineasta, é muito gratificante poder participar de um festival como o AFF na posição de homenageado e presidente de honra. “Estou nesse negócio há quase 50 anos, já não me lembro mais como era a minha vida sem o cinema. Faz parte do meu cotidiano, vivo cinema 24h por dia. Está na veia”, declarou.

PARTICIPAÇÃO DE PESO

Irmão do comediante Chico Anysio e pai do ator Marcos Palmeira, Zelito Viana é um dos grandes nomes do cinema brasileiro. Em 1965, ele fundou ao lado de Glauber Rocha, Walter Lima Jr., Paulo Cezar Saraceni e Raymundo Wanderley Reis a Mapa Filmes, produtora por trás de filmes como “A grande cidade” (1966) e “Quando o carnaval chegar” (1973), de Cacá Diegues; e “O homem que comprou o mundo” (1967) e “Cabra marcado para morrer” (1984), de Eduardo Coutinho.

Em parceria com Glauber Rocha, ele produziu o premiado “Terra em transe” (1966), “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” (1968) e “Cabeças cortadas” (1970). Na TV, assinou a produção dos programas “Chico Total”, “Chico Anysio Show” e “Xou da Xuxa”.

CENÁRIO

Zelito Viana tem uma visão muito clara do cenário cinematográfico conmtemporâneo no Brasil. “Estamos passando por uma fase bastante profícua, em que muitos filmes estão sendo feitos. Apesar disso, o sistema que foi criado está se esgotando, percebo que está havendo uma transição para um novo modelo ainda não muito claro”, explicou

De acordo com o cineasta, o modelo antigo é o da Lei do Audiovisual, baseado no incentivo fiscal. “Acredito que daqui a um tempo já vamos falar de outro cinema brasileiro. A entrada de novas distribuidoras no mercado, mudanças no sistema de produção e o cinema digital, tudo isso representa um novo momento, aliado ao crescimento na quantidade de profissionais e de universidades dedicadas ao audiovisual. É um caldo de cultura que fatalmente vai mudar o modelo anterior”, vaticinou Viana.

CIRCULAÇÃO

Para Zelito Viana, o grande gargalo desse novo modelo é a dificuldade em fazer circular as produções. “Por isso os festivais são importantes, já que a quantidade de salas de cinema pelo País ainda é irrisória em relação à quantidade de produções. Hoje em dia, complicado não é fazer filme, e sim mostrá-lo. Tem mais cinema hoje do que ontem, e amanhã terá mais do que hoje”, finalizou.

Serviço

O que é:  Homenagem a Zelito Viana

Onde: Teatro Amazonas, Largo de São Sebastião

Quando:  Sábado, dia 3, às 19h30