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Zimbo trio de volta

Zimbo Trio volta aos palcos do Teatro Amazonas em Manaus no VII Festival Amazonas Jazz

Grupo paulista volta ao palco do Teatro Amazonas no Festival Amazonas Jazz que tem abertura nesta terça-feira(24) 24/07/2012 às 14:10
Show 1
Trio volta a tocar em Manaus depois de 15 anos
Virgílio Simões Manaus

Após 15 anos de sua última apresentação em Manaus, o conjunto paulista Zimbo Trio retorna ao palco do Teatro Amazonas. Com 48 anos de estrada, o trio atualmente formado pelo pianista Amilton Godoy, o contrabaixista Mario Andreotti e o baterista Pércio Sápia fará o show de abertura da sétima edição do Festival Amazonas Jazz, no dia 24.

A reportagem entrevistou Amilton Godoy, único remanescente da formação original a tocar no festival. Os outros fundadores foram Luiz Chaves, falecido em 2007, e Rubinho Barsotti, que atualmente se recupera de uma cirurgia. O contrabaixista Itamar Collaço, que também se apresentará neste festival, integrou o grupo entre 2007 e 2010.


Como será o repertório desta apresentação?

Queremos mostrar um pouco de nossa história, tocando arranjos importantes em nossa carreira. Procuramos sempre escolher aquilo que consideramos o melhor de diversos compositores brasileiros. Até agora lançamos 51 discos, com trabalhos de outros compositores e também com trabalho autoral, com minhas músicas. Recentemente, recebemos o23º Prêmio da Música Brasileira, como melhor grupo instrumental, e nosso novo disco, “Zimbo Trio Autoral Volume Um”, lançado em 2011, foi muito bem recebido pela crítica. Isso nos deu entusiasmo para fazer o segundo volume. Portanto, nós não paramos no tempo. Temos músicas novas para mostrar. Mas também queremos apresentar nossos clássicos. Vamos equilibrar isso no show.

Como você encara a música instrumental brasileira feita hoje em dia?

Vem recuperando um terreno que já teve, mas perdeu. Quando iniciamos nossa carreira, havia muitos músicos de qualidade. Fomos praticamente o primeiro trio a fazer sucesso com esse tipo de música, neste formato. As gravadoras logo começaram a investir em outros talentos. Mas houve um retrocesso nas décadas de 1980 e1990. A questão política contribuiu para isso. As letras com questionamentos políticos passaram a ser mais relevantes que os arranjos melódicos. Atualmente vemos uma recuperação, com bastante gente nova talentosa, com propostas interessantes. Os festivais, como este em Manaus, são ótimos espaços para a música instrumental de qualidade.

Como a música erudita se encontra com a popular?

Olha, este ano fomos convidados para tocar com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, executando música erudita. Dessa forma, a música popular ganhou roupagem sinfônica. Fizemos o mesmo com a Orquestra Jazz Sinfônica. Então está havendo esta aproximação no Brasil. As barreiras vão sendo rompidas. Para mim, erudição é conhecimento. E a música popular também é feita por gente que sabe muito bem o que faz. O Hermeto Pascoal, o Egberto Gismonti, são exemplos de pessoas que contribuem para romper essas barreiras.

Como está a produção do Zimbo Trio atualmente?

Preparamos o segundo volume do disco “Autoral”, com composições que fiz ao longo desses anos. Também estou engajado num projeto intitulado “Publicidade antes do rádio”, com músicas do século 19 e início do 20, quando partituras de piano eram entregues como brinde publicitário pelas empresas. As empresas contratavam compositores pra isso. Tive acesso a muitas partituras e estou preparando um CD com esse resgate histórico. Terá participação de músicos e orquestras. Procuramos manter o espírito da época, mas também modernizar as composições.

Preparam algo especial para o show em Manaus?

Estivemos aí há mais de dez anos, tocando neste teatro lindo. Não queremos nos ater a um único período de nossa carreira, justamente porque sei que vocês têm dificuldade em encontrar nossos discos à venda nas lojas. Penso que nossos trabalhos de dez anos pra cá continuam um pouco inéditos pra vocês. Seria bacana se o pessoal pudesse ter mais acesso, e por isso é difícil montar o programa, depois de tanto tempo. Mas acredito que faremos uma escolha bonita de repertório.

Alguma expectativa em relação ao público?

Acredito que será uma experiência muito boa. Depois desses anos todos, estamos ansiosos para ver como está a cidade. Temos amigos de vários Estados brasileiros, inclusive daí, e todos sempre se referem com muito carinho a seus lugares de origem. Quero sentir a receptividade da plateia, mas tenho certeza que vamos ao lugar certo, como público certo.

Qual seu contato coma música feita no Norte?

O Zimbo Trio sempre fez um trabalho de pesquisa muito grande da música brasileira. Cada região desenvolveu características próprias, um balanço, um suingue, que são inconfundíveis. O Luiz Chaves era paraense e sempre apresentava muita coisa de sua terra. Falava com muito orgulho do carimbó, das comidas, do tucupi com tacacá, ele era um nortista assumido, e isso deixou uma marca na nossa carreira.

Qual a melhor forma de convidar o público novo a conhecer a música instrumental?

Acho que a música instrumental é um mundo diferente. O público deve se concentrar se sentir a sonoridade. Ali, o músico não se expressa pela palavra, mas pelo som. Você pode fechar os olhos, ou até deixá-los abertos mesmo, mas precisa abrir o coração, sentir como estes músicos transmitem os sentimentos. Precisa entrar um pouco no mundo deles, um mundo de espontaneidade e emoção. O público precisa dar um pouco do seu carinho, do seu silêncio e atenção a eles. A TV nos mostra muita gincana, muita competição, mas a música não é olimpíada, é outra coisa. Os músicos que estarão aí são renomados em seus estilos, não precisam provar mais nada. É uma oportunidade de ouro que a população precisa aproveitar.

perfil

O Zimbo Trio, formado em 1964, é um dos mais longevos grupos da música popular brasileira. Fato mais notável, em se tratando de um grupo instrumental. Gravou criações de grandes compositores, como Vinicius de Moraes, Baden Powell e Tom Jobim, além de acompanhar intérpretes como Norma Bengell, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Elis Regina. Atualmente investem nas composições próprias.

serviço

o que é Zimbo Trio no 7º Festival Amazonas Jazz (FAJ)

onde Teatro Amazonas, Largo de São Sebastião, Centro

quando  Dia 24, às 21h

quanto R$ 40 (plateia e frisa), R$ 30 (1º pavimento), R$ 20 (2º pavimento), R$ 10 (3º pavimento) Preços de ingresso inteiro