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Zumbido atinge 30 milhões de pessoas no Brasil

Os fatores que provocam os zumbidos vão além de problemas auditivos em si. Podem ser indício de distúrbios metabólicos, odontológicos, musculares, emocionais, craniofaciais, entre outros. Tratamento com música pode ser a solução 29/10/2012 às 12:23
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Para a obtenção do resultado esperado, deve-se programar o volume da música para que seja mais baixo que o ruído
acritica.com Manaus, AM

Com o passar do tempo, os ouvidos são expostos a frequências intensas de som e ao envelhecimento natural do organismo, o que faz com que estes percam cada vez mais a capacidade de ouvir bem. Aí surgem os zumbidos, que afetam 278 milhões de pessoas no mundo e 30 milhões de pessoas no Brasil, o que equivale a 17% da população.

Os fatores que provocam os zumbidos vão além de problemas auditivos em si. Podem ser indício de distúrbios metabólicos, odontológicos, musculares, emocionais, craniofaciais, entre outros. Ainda que o tratamento adequado dependa do tipo de problema existente, há um novo método responsável por maior eficácia no combate ao zumbido.

“Os ouvidos são sensíveis e sofrem um desgaste natural. Porém, a poluição sonora acelera este processo. Uma nova estratégia que está sendo utilizada com sucesso é a Terapia Sonora Neuromonics, uma forma de estimulação sonora, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, assegurou a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.

Desenvolvida pelo pesquisador Paul Davis, da Universidade Western Australia, a TSN caminha conforme as premissas da Terapia de Retreinamento do Zumbido, em inglês Tinnitus Retraining Therapy (TRT).

“Na TRT os pacientes são orientados a usar geradores de som nos ouvidos que emitem o ruído branco, barulho semelhante a um chiado. Já na terapia com Neuromonics, a indicação é o uso de fones de ouvido com música. Os sons são determinados conforme o perfil auditivo dos dois ouvidos, permitindo a estimulação de todas as áreas da cóclea”, certificou Guimarães.

A especialista também explicou sobre o tratamento. “O tratamento dura cerca de oito meses e os benefícios iniciais são sensação de relaxamento, melhora do sono, redução do desconforto e incômodo do zumbido, maior controle sobre o ruído e redução da hipersensibilidade auditiva”, disse, lembrando que o aparelho deve ser usado de duas a quatro horas e possui um cartão personalizado, no qual estão as músicas que devem ser ouvidas.

Para a obtenção do resultado esperado, deve-se programar o volume da música para que seja mais baixo que o ruído. O excesso de barulho e a ausência total dele é prejudicial ao paciente com zumbido, ressalta a médica.

“O equilíbrio é fundamental. A eficácia da terapia com Neuromonics é garantida pela capacidade que o cérebro tem de adquirir novos comportamentos ou reaprender funções, chamado de neuroplasticidade”, certificou.

O cérebro aprende, com a terapia, a não responder aos constantes estímulos. Esta ação fica guardada na memória, fazendo com que as reações desapareçam.

“A música contribui para que o organismo se habitue ao zumbido e não responda mais a este estímulo. Esta é uma abordagem definitiva, uma vez aplicada, o paciente consegue minimizar e até eliminar a percepção do zumbido. É importante lembrar que há uma rigorosa investigação de cada caso para saber se é possível indicar este tipo de tratamento”, concluiu a médica.

A Terapia Sonora Neuromonics será discutida no Brasil, no dia 9 de novembro, por meio de profissionais voluntários do Grupo de Informação a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GIPZ Curitiba). O encontro será no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, das 14h às 16h. Segundo a otorrinolaringolosita, dúvidas serão esclarecidas e estratégias de tratamento serão estabelecidas.

“A palestra é gratuita e todos estão convidados. O conhecimento é a melhor arma contra a ansiedade, mitos e expectativas que cercam as pessoas com zumbido. Por isso promovemos encontros que esclarecem todas as questões relacionadas ao sintoma”, afirmou Rita.