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A busca da 'Belle Epoque' perdida

Região tombada pelo patrimônio histórico ainda tem atrativos e soluções que envolvem o poder público e a iniciativa privada 19/04/2012 às 09:33
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A ocupação ilegal dos espaços públicos, a falta de controle da prefeitura e ainda pouca vontade política para brigar com camelôs fizeram o Centro uma região degradada
Jornal A Crítica Manaus

Embora seja a capital com o sétimo maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, Manaus ainda está longe de ser modelo de organização urbana e de infraestrutura. O centro da cidade, que já foi referência para outras cidades na época áurea da borracha, por exemplo, hoje vive com problemas considerados crônicos pela população e pelos próprios governantes. Lixo espalhado pelas ruas, prédios históricos em completo abandono, trânsito desordenado e ocupação indevida de calçadas são apenas parte da diversidade de problemas que se aglomeram no Centro e que até agora não têm solução definitiva.

No entra e sai de gestões municipais, a retirada dos camelôs prometida por muitos gestores, mas que não foi cumprida por nenhum, se arrasta há anos e continua sem definição. A presença de camelôs no Centro já foi classificada como câncer por gestores públicos e a oito meses do fim de mais um mandado municipal, a gestão atual sinaliza que será um dos muitos imbróglios que ficarão para serem resolvidos no futuro. Em meio aos ambulantes surgem os flanelinhas que na completa ausência do poder fiscalizador, aproveitam para tornar o espaço de estacionamento que deveria ser público em privado. Só no Centro existem mais 600 flanelinhas. Enquanto isso, motoristas continuam pagando por um serviço irregular e em alguns casos considerado até extorsão. Na tentativa de intervir, a Prefeitura de Manaus promete implantar o sistema de estacionamento rotativo Zona Azul que já sofre críticas de condutores, mas que, pelo menos, na teoria, resolve a cobrança indevida. O programa será implantado em 48 ruas da capital, sendo 37 no Centro de Manaus e outras 11 no conjunto Vieiralves e bairro São Geraldo a partir de junho deste ano.

Uma das cenas mais comuns que a população encontra no Centro é a de calçadas ocupadas por lojistas e camelôs que se apropriam do passeio público para colocar produtos de toda ordem nos locais. Na maioria dos casos, a irregularidade obriga o pedestre a andar na rua e dividir espaço com carros, além de colocar em risco a própria segurança.

Tudo é visto por quem chega a cidade com a ideia de conferir e a beleza da “Manaus dos Trópicos” sustentada no apelo verde e na defesa do meio ambiente. O programa choque de ordem da prefeitura que deveria, mas que ainda não modificou a cidade, também não chegou ao Centro.

Para o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Gaetano Antonaccio, os problemas do Centro são muitos e por isso são difíceis de serem resolvidos. Para ele é preciso criar estacionamento no modelo de edifício garagem para melhorar os espaços na área, além de retirar os camelôs e investir na revitalização para atrair mais consumidores e fazer com eles se sintam bem no local. Segundo ele, existem casos de lojistas que compraram as bancas de camelôs que ficavam na frente das lojas apenas para retirá-los dos locais porque se fossem depender da ação do poder público estariam esperando até hoje.

Veja o debate completo na edição especial do Jornal A Crítica desta quarta-feira.