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A ‘Nossa Manô dos mil contrastes’

Falta de espaços de lazer e áreas verdes concentram população na Ponta Negra 19/04/2012 às 09:50
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Paradoxo é ver o crescimento econômico desproporcional ao conforto
Jornal A Crítica Manaus

Em meio às inúmeras informações encontradas sobre Manaus na Wikipédia, enciclopédia livre da Internet, uma chama atenção: a cidade é considerada como a capital brasileira que mais evoluiu em qualidade de vida nos últimos dez anos, tornando-se umas das cidades que mais crescem e se desenvolvem no Brasil. Em relação ao último caso, não há o que questionar. Esta evolução a coloca atualmente como a sexta capital mais rica do País. Mas essa maturidade vem acontecendo de forma saudável?

Recorrendo a comparações é fácil dizer que a “Manô dos Mil Contrastes”, como chamava a cidade o antigo colunista social do jornal A CRÍTICA, Gilberto Barbosa, ainda cresce de forma desordenada. Em um mesmo bairro, como o Vieiralves, Zona Centro-Sul, é possível encontrar comunidades vizinhas com Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) absurdamente distintos: enquanto umas estão próximas ao de países como Noruega e Dinamarca, outras são verdadeiros bolsões de miséria, comparadas a Namíbia, na Africa, país que possui a pior distribuição de renda do mundo. Essas diferenças que acompanham grande parte dos bairros da cidade ainda são herança da forma como eles surgiram. As invasões desordenadas acompanharam o nascimento de quase todos.

E quando uma cidade cresce sem obedecer a critérios de desenvolvimento, é fácil aumentar a desigualdade entre a população. Assim, somente alguns privilegiados podem bater no peito e dizer: eu tenho qualidade de vida. Qualidade essa que passa pela possibilidade de romper com a barreira do isolamento geográfico, que inclui aí a questão alimentar e cultural.

Não só de peixe e farinha vive o manauara. Quase toda a alimentação que abastece a cidade chega por via aérea, o que afasta o cidadão do consumo de frutas, verduras e legumes frescos. O clima quente e úmido, torna-se insalubre para o povo que aqui reside. Falta sombra em Manaus. Os atuais parques públicos ainda são insuficientes para proporcionar um conforto térmico. E ainda caminhamos a passos de tartatuga na questão da educação ambiental.

Por outro lado, depois de passar a semana toda no trabalho, enfrentando um trânsito caótico e um sistema de transporte pendenga, o manauara ainda não têm tantas opções gratuitas e saudáveis para levar a família, vide a alta demanda observada aos finais de semana na Ponta Negra. Assim, a Manaus metrópole ainda respira a cultura de vila.

Veja o debate completo na edição especial do Jornal A Crítica desta quarta-feira.