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Ambientalismo 'equilibrado' e 'apaixonado' marcam primeiro dia do Fórum Mundial de Sustentabilidade

Gro Harlem e Brice Lalonde mostraram as faces equilibrada e apaixonada do ambientalismo. Omar deu o recado amazônico 23/03/2012 às 09:07
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Gro Harlem Brundtland e Bianca Jagger ouvem o discurso de abertura do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade feito pelo governador do Estado, Omar Aziz
leandro prazeres ---

Quem acompanhou o primeiro dia do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade assistiu a duas formas de enxergar o debate ambiental e um duro recado dado pelo governador Omar Aziz. Enquanto a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland discursou com equilíbrio sobre o tema, o secretario executivo da Rio+20, Brice Lalonde, usou da “paixão” para chamar a atenção do público que compareceu, nesta quinta-feira (22), ao evento realizado no Tropical Hotel.

Na abertura, Omar Aziz lembrou das dificuldades vividas pelos ribeirinhos com a enchente. Segundo ele, 30 mil famílias estão sofrendo com a cheia dos rios no Amazonas, mas na conferência que tratará do clima nenhum governador do Norte foi chamado para relatar as dificuldades enfrentadas aqui com as mudanças climáticas.

“Não adianta discutir os problemas ambientas dentro de uma sala com ar condicionado, sem conhecer a real situação daqueles que sofrem com isso”, disse.

O anfitrião citou ainda o debate sobre o novo Código Florestal: “Quando ouço falar do código penso que há dois tipos de brasileiros: um que quer desmatar e outro não. Não devemos pensar assim”, criticou Omar.

Gro Harlem Brundtland, que foi ministra de Meio Ambiente da Noruega e três vezes primeira-ministra do País, foi quem comandou a comissão da Organização das Nações Unidas para o clima durante a conferência Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro em 1992.

Ela destacou que desde a primeira vez que veio ao Brasil, em 1987, muitas coisas mudaram no País no que se refere ao Meio Ambiente. Ela também  analisou com otimismo as mudanças ocorridas ao redor do mundo.

“Quando viemos aqui, eu fiz questão de visitar Cubatão, uma cidade que era conhecida por ser muito poluída. Também fizemos questão de conhecer o então governador do Estado, que não era conhecido por suas posições em favor do meio ambiente. Hoje vejo que as coisas mudaram”, disse.

No âmbito global, Gro Harlemdestacou melhoras em aspectos sociais e ambientais ao redor do mundo.

“A vida de milhões de pessoas melhorou nos últimos 20 anos. Países como Burundi, Samoa, Ruanda conseguiram atingir a universalização da Educação. No campo ambiental, conseguimos reduzir a prevalência de metais pesados em muitos produtos e hoje, alguns países têm água e ar de melhor qualidade”, afirmou.

Gro Harlem ressaltou, porém, que 20 anos depois da Rio 92, o apetite global por combustíveis fósseis não diminuiu, e que em alguns casos, até aumentou. Ela destacou a necessidade de se criar mecanismos para deixar claro o custo ambiental dos processos produtivos.

“Precisamos criar sinais de valores para que saibamos o preço de nossas ações (na defesa do meio ambiente) ou da nossa não-ação”, disse.

Uma das principais protagonista da Rio 92, Gro Harlem  disse que o tema energia deverá ser a principal discussão da Rio+20, conferência das ONU que vai discutir as mudanças climáticas no Rio de Janeiro em junho.

Colaborou Mariana Lima

Pagamento foi tema de painel
O pagamento por serviços ambientais deve ser colocado na agenda da Rio+20 de forma sistemática. Esse foi o consenso a que se chegou durante o painel que discutiu o tema na tarde desta quinta-feira (22). Para o pesquisador do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento) Steve Bass, o Brasil “tem todas as cartas para jogar esse jogo”.

O conceito de pagamento por serviço ambiental vem sendo discutido em todo o mundo e durante o painel de ontem, foi destacada a importancia desse mecanismo para promover o desenvolvimento sustentável. Os debatadores do painel foram Steve Basse, o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS) e o  líder do Governo Federal no Senado, Eduardo Braga (PMDB).

Pagamento por serviço ambiental é o valor que empresas ou governos pagariam pelos serviços prestados pela natureza no equilíbrio do clima.

Eduardo Braga destacou que enquanto o Estado de São Paulo gasta R$ 1 bilhão para fornecer água para a capital paulista as árvores da floresta amazônica fornecem, cada uma, 300 litros de água todos os dias. Braga aproveitou e alfinetou os empresários de São Paulo criticando as tentativas de se retirar os incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus.