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Artesã quebra tabu no bumbá

A artesã Maria Andrade Costa foi a primeira mulher a trabalhar em um galpão de boi-bumbá na ilha tupinambarana. A artista do aço, ferro, plástico e da tinta começou a trabalhar na confecção de alegorias aos 20 anos de idade 01/07/2012 às 15:41
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Maria afirma que foi a primeira mulher a trabalhar nos galpões de um boi bumbá
Florêncio Mesquita Parintins (AM)

A artesã Maria Andrade Costa, 59, afirma que foi a primeira mulher a trabalhar em um galpão de boi-bumbá na ilha tupinambarana. A artista do aço, ferro, plástico e da tinta começou a trabalhar na confecção de alegorias aos 20 anos de idade em uma época que a atividade nos galpões era restrita aos homens. O boi escolhido para o início do trabalho foi o Garantido por quem Maria alimenta uma “paixão infinita e encarnada”, como ela mesma prefere dizer.

Maria teve que superar, dentro e fora do galpão, o preconceito por ser a única mulher em um ambiente masculino. Apesar do início do trabalho ter sido envolvido em comentários desagradáveis, Maria quebrou o tabu na ilha com o amor pelo boi. 

Segundo a artesã, grande parte das alegorias do boi vermelho apresentadas nos últimos 39 anos no Bumbódromo tem o toque dela. Ela coleciona passagens por várias equipes de artistas plásticos dentro do Garantido. O profissionalismo e a perícia de Maria são motivos de elogios no Garantido, ainda mais que ela não perde um ensaio ou evento do boi. Ela trabalha durante o período do dia na confecção de alegorias e à noite ainda tem disposição para dançar o “dois pra lá e dois pra cá” no curral do boi Garantido.

Dona Maria, como é conhecida, começou a brincar de boi aos 15 anos de idade quando sua família mudou de Juruti, no Pará, para a ilha tupinambarana. Ela conta que os próprios bois não permitiam que mulheres participassem das brincadeiras de rua. O pai de Maria, um cearense conservador, seguia a mesma linha dos bumbás e não deixava ela brincar no boi. Apesar da proibição, a paixão pelo bumbá vermelho era maior e ela sempre fugia para seguir o boi encarnado pelas ruas da ilha tupinambarana. Todas as vezes que o pai de Maria ficava sabendo da fuga ela apanhava.

Ela pega no pesado sem problema

Mesmo próximo de completar  60 anos, Maria de Andrade não tem nenhum  receio de pegar no pesado. Com ela não existe a história de sexo frágil. Maria trabalha o mesmo ou mais que um colega do sexo masculino, mas sem reclamar ou apresentar cansaço. Com suas mãos calejadas e o rosto marcado pelo tempo, Maria dá vida e cores as formas e linhas das alegorias da baixa do São José. Das mãos dela surge o acabamento que complementa o trabalho de mais de 200 outros profissionais da baixa do São José.

Quem vê Maria nos ensaios do Garantido vestida de vermelho e branco durante a noite, não imagina que de dia ela veste seu macacão manchado de tinta e ferrugem para trabalhar nas alegorias do Garantido na praça dos Bois. No final do ano ela deve ir para o Rio de Janeiro trabalhar no Carnaval carioca.