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Câmeras digitais continuam em alta. Mas até quando?

--- 09/04/2012 às 22:12
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Câmeras da Fuji, feitas pela Jabil, serão cada vez mais profissionais
Priscila Mesquita Manaus

A convergência de mídias nos dispositivos móveis, como tablets e smartphones, ainda não tirou as câmeras digitais do foco do consumidor. Segundo estimativas ainda não oficiais do setor, a venda do aparelho cresceu entre 12% e 16% no ano passado, na comparação com 2010.

Acompanhando esse desempenho, a Fujifilm do Brasil, que possui operação no Polo Industrial de Manaus (PIM), registrou um aumento de 15% nas vendas de 2011. De acordo com o gerente nacional de vendas e marketing da empresa, Sérgio Takayama, a meta da fabricante para 2012 é repetir o crescimento de 15%.

Para tanto, a empresa fará uma renovação dos produtos em abril, com a inserção de duas novas linhas. “Os novos modelos serão voltados ao uso semi-profissional e amador. Também estudamos a fabricação de um novo modelo a partir de setembro, o JV 300, que tem filmagem em alta definição e resolução de 14 megapixels”, adiantou. A Fuji terceiriza a produção das câmeras, que são fabricadas pela Jabil do Brasil.

Na sua unidade fabril em Manaus, a empresa realiza a produção de papéis para a impressão de fotos e embala os filmes fotográficos importados do Japão. A fábrica local gera 100 empregos diretos e 50 indiretos. Atualmente, a indústria de origem japonesa mantém cinco modelos de câmeras digitais no PIM, cujos preços variam de R$ 299 a R$ 8.999.

“Temos opções para o público amador, semi-profissional e profissional, com diferentes faixas de preços. Mas a nossa participação de mercado é maior nos produtos middle end (semi-profissional) e high end (profissional)”, explicou. De acordo com o gerente, a participação da Fuji é de 11,5% no mercado de câmeras digitais. Considerando apenas os artigos semi-profissionais e de uso profissional, a fatia de mercado da empresa é superior a 50%.

 Sob a ameaça dos celulares e tablets
Atenta ao crescimento dos dispositivos móveis com câmeras, empresa direciona investimentos para artigos profissionais. Arquivo AC Câmeras da Fuji, feitas pela Jabil, serão cada vez mais profissionais

Diante da “febre” dos celulares tipo smartphone, que tendem a ocupar o espaço das câmeras amadoras no mercado, a Fujifilm optou por apostar nos produtos que ainda não podem ser substituídos pelos dispositivos móveis.

Segundo Sérgio Takayama, a sede da empresa, no Japão, decidiu intensificar os investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias para produtos semi-profissionais e profissionais.

 “Um aparelho como o iPhone tem qualidade fotográfica boa. Mas ainda não é possível fazer filme HD e foto panorâmica com esse produto.
Ele vai tomar o espaço dos modelos de câmera mais baratos”, destacou.

Crescimento de 70%
No ano passado, o crescimento da produção de câmeras digitais no Polo de Manaus foi de, aproximadamente, 70%. Conforme os indicadores de desempenho divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), as indústrias de eletroeletrônicos fabricaram 3,8 milhões de unidades ao longo de 2011, contra 2,3 milhões registradas em 2010.

Em 2012, os números referentes a janeiro apontam que o cenário positivo se mantém. Apenas no primeiro mês do ano, foram fabricadas 264,6 mil câmeras digitais, 12,6% a mais que em janeiro de 2011 (235 mil unidades).

Custo logístico
O gerente nacional de vendas e marketing da Fuji ressalta que as câmeras made in Manaus poderiam chegar a um preço mais acessível ao consumidor, se não fossem os custos gerados pela logística peculiar da região e a falta de estrutura aeroportuária. “A falta de infraestrutura logística é um complicador.

 Os produtos vão de balsa até Santos (São Paulo) e de lá seguem por estrada. Esse deslocamento dura 15 dias. Nessas duas semanas precisamos fazer um investimento em estoque. O frete onera muito o custo”, pontuou o executivo.