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Companhias de petróleo investirão R$ 6,9 bilhões no AM até 2015

Para o quinquênio 2011-2015, a Petrobras prevê investimentos de R$ 5,7 bilhões, segundo plano de negócios   18/03/2012 às 20:46
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Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões)
Leandro Prazeres Coari

Petróleo não é um mercado para amadores. Nem para quem tem pouco dinheiro no banco. Por isso as cifras envolvidas estão sempre nas casas dos bilhões de reais. Mas como as principais companhias do setor com atuação no Amazonas vão investir? De acordo com levantamento feito junto às principais operadoras do segmento, até 2015, pelo menos R$ 6,9 bilhões serão injetados no Estado.

Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões). Desse total, US$ 900 milhões serão destinados à pesquisa de novos campos exploratórios, US$ 1,6 bilhão para desenvolvimento e produção e US$ 700 milhões para infra-estrutura e suporte. As atividades se concentram na Bacia do Solimões, onde a companhia tem  quatro concessões exploratórias e sete contratos de áreas em desenvolvimento da produção nos municípios de Coari, Tefé e Carauari, além das obras de modernização da Refinaria de Manaus (Remam).

Na Bacia Sedimentar do Amazonas, a Petrobras tem três concessões exploratórias e dois contratos de áreas em desenvolvimento da produção. Essas atividades estão sendo desenvolvidas nos municípios de Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Silves, São Sebastião do Uatumã, Itapiranga e Urucurituba.

Entre dezembro de 2011 e março de 2012, a Petrobras anunciou a descoberta de dois poços que estão sendo encarados como os precursores de um polo de exploração petrolífero no Amazonas. O poço Igarapé Chibata I e Leste de Chibata, localizados na região de Tefé (a 523 quilômetros de Manaus), apresentaram vazões acima da média (2,5 mil e 1,4 mil barris diários) dos poços encontrados em Urucu. O petróleo extraído também é considerado pelos especialistas como de altíssima qualidade.

Estratégia

Apesar dos investimentos, uma das obras mais aguardadas da região vai ter de esperar. O gasoduto Juruá-Urucu, que inteligaria o campo Juruá (Carauari e Tefé) ao polo de Coari, e de lá até Manaus, está com suas obras suspensas, apesar de o licenciamento ambiental já ter sido liberado desde o ano passado.

Questionada sobre a obra, a companhia informou que “os estudos para desenvolvimento do campo de Juruá estão em estágio avançado, porém ainda não há mercado consumidor para o gás proveniente desse campo. Por outro lado, o campo de Araracanga, que era parte integrante do desenvolvimento de Juruá, terá suas obras iniciadas ainda em 2012”.

Além dos investimentos em exploração e produção, a Petrobras também avalia a possibilidade de implantar um complexo gás-químico no Amazonas, mas esses investimentos não deverão ser feitos no curto prazo. Os estudos, porém, deverão ser finalizados ainda este ano. De acordo com a assessoria de imprensa da companhia, “A Petrobras vem conduzindo estudos de algumas oportunidades de negócios em gás-química objetivando avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental do aproveitamento do gás natural produzido no Amazonas”.

Adversidades no caminho

Os resultados tímidos colocaram a HRT em uma situação complicada, mas o CEO da companhia, Márcio Mello, tranquiliza os investidores. “Companhias pré-operacionais são investimentos de alto risco e estão sujeitas à volatilidade do mercado. No entanto, a HRT tem sólida posição financeira para executar o seu programa na Bacia do Solimões”. 

Para os próximos dois anos, a companhia pretende investir até R$ 923 milhões na campanha exploratória do Solimões. A estimativa é de que a companhia gere 2.450 empregos diretos e indiretos nos municípios de Carauari, Coari e Tefé.

O acordo com a TNK-BP impôs ainda mais pressão sobre a empresa. Para receber o dinheiro, a companhia terá de cumprir cinco metas, entre elas, “monetizar” (fechar contratos de compra e venda) o gás que sequer foi encontrado. Para complicar ainda mais a situação da empresa, ainda não está claro para os investidores qual será a estratégia de escoamento do óleo e do gás que, espera-se, a companhia venha a encontrar. Entre as alternativas apresentadas pela companhia estão a construção de um gasoduto até o rio Solimões e posterior transporte por balsas ou a construção de um gasoduto direto para Porto Velho, em Rondônia.

HRT mostra suas armas

Caçula no mercado de gás e petróleo na Amazônia, a HRT Oil & Gas foi buscar na europa o capital necessário para continuar sua campanha exploratória na Bacia Sedimentar do Solimões. A HRT é uma companhia fundada pelo geólogo Márcio  Rocha Mello, ex-funcionário da Petrobras. Aliás, é da Petrobras e da Agência Nacional de Petróleo (ANP) que vem a maior parte do corpo executivo da companhia. A empresa foi fundada em 2008 e em 2009, adquiriu 51% dos direitos de exploração de 21 blocos do Amazonas. Além deles,  a companhia também tem blocos na Namíbia, na costa africana.

Em 2011, a HRT iniciou sua campanha exploratória na Bacia do Solimões. Todos os poços foram perfurados nos municípios de Carauari, Coari e Tefé, até agora, as mais propensas a produzirem óleo e gás.

No final do ano passado, a companhia vendeu 45% de sua participação nos blocos do Solimões para a empresa anglo-russa TNK-BP por US$ 1 bilhão.

Atualmente, sete poços já foram perfurados ou estão em processo de perfuração. Os resultados, porém, não foram exatamente o que os executivos da companhia esperavam. Dois poços perfurados pela companhia encontraram gás natural, mas a vazão não foi revelada. Em outro poço, a companhia encontrou óleo e gás, mas a vazão também não foi informada. Em janeiro deste ano, a companhia anunciou a descoberta de um poço com vazão de 300 barris diários, muito abaixo dos 2,5 mil do poço Igarapé Chibata I, da Petrobras.