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Conselho tutelar em alerta, após 'boom' do petróleo no interior do Amazonas

O aumento do fluxo de homens em Carauari está deixando as conselheiras tutelares do município preocupadas. Elas mantêm viva na memória o que aconteceu no passado e sabem que a missão de manter as “meninas” longe dos operários é uma tarefa bem difícil. 19/03/2012 às 21:33
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Em Carauari, o número de casos de assédio a menores de idade e prostituição é preocupante.
Jornal A Crítica ---

Natividade Aguiar, 45, conhece bem os efeitos que o envolvimento entre os operários e as garotas de Carauari pode causar. Ela é sogra de Bruno Lira. Atualmente, Natividade comemora o fato de que o número de ocorrências envolvendo assédio a menores de idade não tenha tido um grande salto entre 2010 e 2011, mas ela sabe que esse é um movimento muito mais silencioso do que pode supor o Poder Público. “Até agora, as denúncias não aumentaram, mas a gente ouve falar sobre o aumento da prostituição. O problema é que a gente não vê isso na rua. Se acontece, é escondido”,  dia Natividade.

Carauari é uma cidade tão pequena que a maior parte das pessoas ainda se conhece pelo nome, ou ao menos, pelo nome dos seus pais. Essa proximidade comunitária, ao mesmo tempo em que facilita o trabalho das conselheiras, aumenta ainda mais o estigma sobre as meninas que são vítimas do assédio por parte dos operários. “Aqui, todo mundo se conhece. Se uma menina é pega numa situação embaraçosa, é difícil esconder e o preconceito é muito grande”, afirma.

Natividade afirma que apesar de os casos de assédio ainda estarem sob relativo controle (foram quatro nos dois primeiros meses de 2012), o Ministério Público Estadual está investigando a situação de envolvimento de funcionários de uma empresa que presta serviço na região com menores de idade. A reportagem tentou contato com os promotores de Carauari para apurar o caso, mas até o encerramento desta edição, não obteve sucesso.